Friday, January 25, 2019

Thursday, January 24, 2019

Pinhel



A música é a forma mais rápida de viajar no tempo. Oiço esta
música e estou em Pinhel, nos anos 80. O F. achava-a pirosa. Eu não dava a minha opinião. Mas gostava. Gostava. Gostava. Ouvia o começo apenas e já sentia vontade de fechar os olhos e andar à deriva, às voltas, dançando com o nada, como uma folha ao vento.
Nos fins de semana ficava sozinha. Todos iam passar esses
dias com as suas famílias, amigas, amantes. Eu ficava em Pinhel. Ia ao cafezinho que aparecia no final da estrada que passava pelo cemitério. Ia de noite, claro. Quando a luz do sol se apagava, eu estava pronta para sair. Às vezes, quando ia apagar o rádio, para não deixar nada ligado no sótão onde vivia, durante
as minhas deambulações nocturnas, começava esta canção e eu ouvia, de olhos fechados, encostada à parede. Depois desligava e ia embora. 
Um dia, ainda com este som às voltas na minha cabeça, uma e
outra vez sem parar, passei no café maior lá da terra e o cenário era desconcertante. Na rua, no frio da noite, estava apenas eu. Do passeio, através do vidro, podia ver uns três ou quatro homens sentados às mesas.  Sobre elas, uma ou outra bebida inacabada. E
eles olhando todos na mesma direcção, com uns estranhos óculos na cara. Muito quietos, muito atentos. Os óculos, estranhíssimos, a olhar também naquela direcção. É sempre a imagem que associo a Pinhel.
Fiquei ali um bocado parada. Depois avancei rua abaixo, em direcção a casa.

Wednesday, January 23, 2019

Historia do Sr. Keuner



Uma vez, o Sr. Keuner ia a passar, quando viu um rapazinho muito triste, sozinho, a chorar junto a um monte de areia, com a qual fazia castelos. O dia estava ventoso. O barulho do vento invadia tudo. Entao, o Sr. Keuner, levantado a voz, perguntou ao desconsolado menino:
- Por que motivo estas a chorar, sozinho e com este vento ruidoso? Ninguem te ouve!!
O menino ficou pensativo. Depois, deixou de chorar e continuou, calado, a fazer castelos de areia.
O vento zunia.

Friday, January 18, 2019

Thursday, January 17, 2019

Fake News


Os professores voltam a ser dos profissionais em que os portugueses mais confiam. Olha se não confiassem...

Saturday, January 12, 2019

As minhas férias: requiem





A senhora professora mandou escrever sobre as férias de verão.

Era Agosto. Julho tinha acabado. Setembro viria a seguir. Julho foi bom. A amiga da mãe veio do Canadá e a mãe teria companhia. Todos na família gostamos de companhia. Mas não uns dos outros. Estava muito calor. O sol estava muito quente. A cama do quarto de arrumos tinha ficado feita para receber as visitas. Mas as visitas não vieram. A mãe, felizmente, estava acompanhada. Nas férias do Natal também esteve. Não quis ir comigo para um hotel na Idanha: a terra onde nasci. Então ficou acompanhada com as vizinhas e a sua cuidadora. Eu estava sozinha, mas telefonava muito e comprei muitas prendas: até comprei pantufas. Mas não para mim. Quando a gente sente que está sempre a falhar, compra coisas. Depois, nas férias de Verão, eu estava a planear uma ida a Lisboa. Mas depois ofendi a pessoa que me iria acolher e ela já lá não me quis. E também já não quis vir dormir na cama do quarto de arrumos. Já é 2019, já posso talvez desfazer essa cama. E também levantar o presépio. Eu sou uma pessoa muito ofensiva. Disse que ela estava com voz de lagosta. Não se faz, realmente! E ainda lhe disse uma coisa bem atrevida, no final da conversa. Começa pela palavra "c". Era uma private joke. Eu estava a rir. Bastante. Mas a pessoa, que estava ofendida, constipada e a lutar contra um vento furioso - até tinha posto uma tranca na porta, não fosse ela abrir -, a pessoa, dizia eu, não riu, fez apenas um som com a garganta. Era uma tentativa de riso com desprezo e impaciência à mistura. Era como se o vento, lá fora, se lhe tivesse instalado na garganta e a fizesse rugir. Já não viajei. Só pelo meu quarto como o Carlos - salvo erro - de Almeida Garrett. Faço grandes viagens no meu quarto. Hoje mesmo, viajei imenso deitada. Fui num vagão-cama. Por isso aprendi que não se deve evocar, em vão, a voz das lagostas. Também se deve evitar ventanias para se fazer telefonemas. Também não se deve ofender as pessoas. É ser mau. E quando se está a brincar, deve perguntar-se antes à pessoa: "estás constipada?" Se a pessoa dizer: "estou", deve-se responder: "então brinco amanhã."

Entretanto Agosto terminou, e regressaram todos às suas rotinas. Ninguém se casou, em Agosto, entenda-se, porque houve um casamento, mas foi mais tarde. E fomos todos felizes para sempre.

Best Friend Forever



Exactly! Lucky you!!

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2277799755833358&set=a.1412446689035340&type=3&theater

Thursday, January 10, 2019

Os porcos!



Penso que foi  Oscar Wilde, ou Mark Twain, que disse: «não se misturem com porcos. Todos ficam sujos e os porcos gostam!»
Mas eu trabalho com porcos. Sou suinicultora. Ou suína: passo largas horas da minha vida a chafurdar na imundície mais abjecta. Mas nem eu pensei, apesar de tudo, que me faltasse ainda ser assolada por uma enxurrada deste calibre. Se depois de ontem houver - ainda - a possibilidade de ultrapassar, em termos de repulsa e asco, aquela triste história - para não dizer calúnia e difamação -, tenho mesmo de pensar em deixar tudo, fazer a trouxa e partir para outras paragens.
É o bom de não ter ninguém que dependa de mim  - quem depende, aliás, é minha herdeira, está salvaguardada. Começa a ser tempo de pensar só em mim. Deixar tudo - isto é, nada - para trás e partir. Partir!

Nota: a imagem é um desenho feito por um esquizofrénico antes de se suicidar. Algures na Internet. Não tenho o link.

Tuesday, January 08, 2019

Come, Gentle Night



And graceful though she seemed
As if a bird in flight
Beneath the still waters 
Is starting a fight

Then turning, and twisting, and grasping for light 
For to break into the day
she must dive into night.

Caught in the storm
With bloodstained knees
She bows to the wind
And flirts with the trees

For though trapped in this cage
STILL SHE IS FREE
Dancing her way to soft insanity...

Esther Ninsiima

… soft insanity

8 de Janeiro de 2019



A Doctor of Philosophy (PhD, Ph.D., or DPhil; Latin Philosophiae doctor or Doctor philosophiae) is the highest academic degree awarded by universities in most English-speaking countries. PhDs are awarded for programs across the whole breadth of academic fields. As an earned research degree, those studying for this qualification are usually not only required to demonstrate subject-matter expertise and mastery by examination, they are also often asked to make a new scholarly contribution to a particular area of knowledge through their own original research. The completion of a PhD is often a requirement for employment as a university professor, researcher, or scientist in many fields. Individuals who have earned a Doctor of Philosophy degree may, in many jurisdictions, use the title Doctor (often abbreviated "Dr" or "Dr.").

https://en.wikipedia.org/wiki/Doctor_of_Philosophy
Yes!!

Friday, January 04, 2019

Crazy cat lady!



Eu sou uma crazy cat lady, o que vale é que, por enquanto, ainda não tenho nenhum gato. Aliás, gostava de ficar aqui registado o seguinte, a bem da minha saúde e bem-estar antes e pós-morte:

1.º Se eu alguma vez disser "procedimento concursal", internem-me em psiquiatria, por que é sinal inequívoco de demência!

2.º Se eu alguma vez morrer, livrem-me de velório, missa de corpo presente e cortejo fúnebre (embora não seja certo que eu tenha quórum para qualquer destas andanças fúnebres): é do leito/poiso de morte para o caixão e dele para a cova!

3.º Se alguma vez eu disser que vou comprar um sphynx ou outro gato qualquer, amarrem-me por uma perna a um sítio e só me soltem quando eu desistir da ideia!

Pronto. Até já estou mais aliviada e feliz quanto à minha vida e à minha morte!

E agora a resposta à questão: neste momento, sinto-me 4 (quatro)! Daqui a instantes, prevejo que seja um 7.