Rest in Peace

Friday, June 08, 2018

Anthony Bourdain


Hoje vou ver Parts Unknown com atenção. No 24 Kitchen. Vou rever Anthony Bourdain, a sua forma muito pessoal de mostrar o mundo desconhecido e a sua gastronomia. Tenho assistido a imagens únicas, sublimes, oníricas, nas suas deambulações pelo mundo.
Boudain é um homem lindo, cheio de charme. As fotografias não lhe fazem total justiça. Parece rígido. A imagem em movimento, pelo contrário, dá conta de todas as expressões. Registam-lhe os movimentos, os esgares, o riso, a voz…
Bourdain enforcou-se. Dizem que tinha uma depressão. Partiu. Ele, pelo menos, terá vivido. Já não é mau.



https://www.google.pt/search?q=anthony+bourdain&hl=pt-, consultado em 8 de junho, 2018

Monday, April 23, 2018

La vie



Os meus monos avariados (máquina de lavar e micro-ondas), depois de terem dormido 6ª feira, sábado e domingo em frente ao elevador, foram finalmente levados. Não pelo aldrabão que disse que os levava. Aliás, fez questão de dizer que os levava. Mais, ele até queria ir à Rádio Popular buscar a máquina de lavar (livrei-me de boa). Quem os levou foi o meu vizinho de cima, que tratou do trabalhinho em menos de 30min após eu lhe ter relatado o acontecido. Claro que a parva ainda agarrou no telemóvel para telefonar ao aldrabão, a dizer-lhe que não se preocupasse, pois o trabalhinho que ele estava mortinho por fazer já tinha sido feito. Mas como eu vinha de neura da cadeia - parece que um aluno disse que eu parecia um peixe morto, entre outras coisas desagradáveis -, resolvi telefonar da escola, pois pelo menos teria apoio moral. Chamei então um táxi para me transportar, porque eu não tenho vontade de me mexer (para não dizer que me doem os ossos todos, devido ao arredar de coisas em casa, incluindo a máquina de lavar, pesada com'ó raio), e reportei os acontecimentos ao taxista (abstive-me de contar os factos relativos à minha parecença com um peixe morto) e este deu-me uma boa ideia: «não lhe diga nada! Se ele lá aparecer, diga-lhe "o quê? Levaram a tralha? Mas não foi o senhor? Então quem terá sido? 'tá a brincar comigo!?" Ande goze com ele. Dar explicações!!!!!». Olha que boa ideia, pensei eu. E assim farei. Claro que a besta não deve cá voltar, o que é bom. Por outro lado, a pintura da minha casa já estava mais ou menos apalavrada com ele. Ou seja, vou ter de farejar (salvo seja e o mantenha bem longe do meu nariz) um novo pintor. Ou seja, tarde me verei livre de fungos, melgas e outras javardices pespegadas nas putas das paredes e tectos. A minha vida é cheia de aventuras vetustas e há quem tenha a ousadia de dizer que eu pareço um peixe morto! Espera, se eu fosse um peixe vivo, se calhar tinha a casa em condições ainda antes do término do passado milénio... hummmmmmm. Hein? 

Saturday, April 07, 2018

«O dia em que eu nasci...


moura e pereça...» etc. , como dizia o outro.

«The Remains of the Day», inesquecível!

Saturday, March 24, 2018

Noite de Vento


Fevereiro tinha apenas começado. Eu tinha tanto calor naquela sala sufocante. Abri um pouco a janela. Lá fora a noite era de chuva e de vento. Muito vento. Tirei uma fotografia e pensei que pelas dez horas, quando o dia acabasse, aquela noite, cheia de luzes ao longe, me faria bem. Iria ajudar-me, tirar-me o cansaço imenso, animar-me. Depois sentei-me e fui trabalhando devagar em frente ao computador. Por vezes tudo desaparecia da minha frente. Fechava, então, os olhos e colocava-me junto à fresta da janela aberta, para apanhar o vento na cara.
As dez horas aproximavam-se e ia ficando insegura. Se calhar, era melhor chamar um táxi. Se calhar não. Àquelas horas, estaria insuportavelmente quente e com um cheiro saturado de fim de dia. Iria a pé, pela noite ventosa. E saí. O primeiro impacto com o frio gélido fez-me sentir bem. Tentei caminhar depressa, tentando não cambalear. A meio do caminho, dei-me conta de como o chão estava incerto, torto, cheio de altos e baixos. Tive medo de cair. E o medo foi crescendo. Quando deixei os prédios para trás e fiquei sozinha no passeio torto, o vento quase me derrubou. Parei. Procurei um sítio a que me pudesse agarrar. Nada. Os candeeiros tinham as lâmpadas apagadas. Era uma escuridão completa. E o chão sempre incerto e o vento sempre forte. Pareceu-me que eu respirava de forma estranha. Mas podia ser o barulho da noite de tempestade. Aos poucos, a minha casa estava mais perto. Mas tinha de descer uma escada. Não sabia como fazê-lo. Mas depois lembrei-me e fui descendo degrau a degrau, devagar. Já via a minha casa e fiquei quase feliz. Mas ainda faltava mais caminho para andar. Este mais iluminado e liso. Nisto, sai um casal com dois cães. Havia pessoas, portanto, que viviam o dia, a noite, com normalidade. Eu não. Estava em viagem, a caminho de casa, na direcção certa, mas completamente perdida. Sentia que tinha ainda quilómetros para andar e agora com mais pessoas e cães. Atravessei uma estrada e depois outra e tinha apenas uns metros, poucos, à minha frente. Quando finalmente abri a porta do prédio, a ideia das rotinas que me esperavam em casa não me deixaram sentir o alívio da chegada. Quando entrei no elevador, vi alguém com os olhos muito abertos e com dificuldade em respirar. Era eu. Entrei finalmente em casa. Não me olhei ao espelho, não levantei sequer a cabeça. Eram dias em que sentia muita pena de mim, me ia abaixo, sucumbia a toda a hora, encostada às paredes, ao frigorífico, às portas.
Depois deitei-me. Lá fora o vento continuava. Outrora, essa fúria contra os vidros ter-me-ia embalado e feito dormir. Mas não nesse dia. Nesse dia, procurava na minha mente, algures, uma imagem que me fizesse sossegar, uma imagem tirada dos meus sonhos. Em vão. Aquela não foi uma noite de sossego. Foi uma noite - de muitas - de grande inquietação. Foi uma noite de ter pena de mim, encostada à almofada, às almofadas, de encobrir a cabeça sob as mantas e ter pena de mim...

Wednesday, March 07, 2018

Poeira





O lugar mágico, que já não existe. Aliás, só existia verdadeiramente de noite, naquelas noites em que conseguia ficar nele, sozinha, sentada numa das cadeiras a beber café e a fumar. A luz apagada, claro. Não havia medo nem do isolamento nem do escuro. Mas havia escorpiões e aranhas grandes... Não fazia mal, só o prazer de ter conseguido ficar só eu, a noite inteira, fazia esquecer todos os medos. Até do pio das corujas, que sempre me deprimia um pouquinho. Mas não. Pelas imensas janelas de vidro entrava a claridade da lua. E eu fumava e fumava e fumava e bebia café e o que fosse e ouvia  - baixinho, para não desassossegar os espíritos malignos da noite - Santa Esmeralda uma e outra vez. Ao longe, em Espanha, os montes erguiam colunas compactas de escuridão, mas havia sempre uma luz de um carro, talvez, qualquer coisa que emitia luz elétrica, um pontinho, quase uma estrela, uma coisa bela e surreal. Por vezes adormecia naquela cadeira, cigarro na mão, a cabeça enevoada por qualquer bebida mais forte - não muito. Afinal a alegria de nada acontecer, de estar como que parada na noite, também inebria e embriaga. Adormecia, como estava a dizer, com os olhos postos nas colunas de escuridão à espera de ver aparecer os focos longínquos de luz. E os Santa Esmeralda rodavam no gira-discos uma e outra vez. Eram a única coisa viva na noite calma do sítio mágico. Que já não existe.

Sunday, February 25, 2018

Stay with me





A música de Clint Mansell tem sido uma descoberta bela  e inesperada. Mais, os comentários daqueles que, como eu, gostam da sua música são igualmente fantásticos, uma companhia. Quando os leio, é como se estivesse na presença daquela gente, a trocar impressões.

Há imensas frases inspiradoras, deixo estas:







Tuesday, February 06, 2018

O abraço dos amigos...



Obrigada!

Imagem: http://psicoativo.com/2016/04/jung-do-mesmo-modo-que-aquele-que-fere-ao-outro-fere-si-proprio-aquele-que-cura-cura-si-mesmo.html, consultado 6 Fevereiro, 2018