Friday, February 21, 2020

Vasco Pulido Valente


Ligo o computador e aparece "Morreu Vasco Pulido Valente". Corri para o Público, para me certificar. E depois para o Observador. Lá estava a notícia.

Não sei se foi através de O Independente que conheci VPV. Penso que sim. Foi quanto bastou para nunca mais deixar de "o seguir". Seguir alguém, afinal, não é um exclusivo das redes sociais. Creio ter lido tudo o que publicou nos jornais. Foi por ele que comecei a ler o Observador, e acabei assinante e depois, quando ele foi para o Público, comecei a assinar o Público online, também. As crónicas do Expresso eram-me dadas por um amigo que lê este jornal.

Lembro também uns programas de conversa na rádio. Ele, de facto, não tinha grande dom da palavra oral. Mas, mesmo assim, era de longe o meu favorito. Creio que estava também o Paulo Portas e um outro senhor, de quem não me recordo agora. Eram momentos épicos. A minha vida, sempre muito cheia de contrariedades, encontrava nestes programas momentos de pura submersão. Riso e esquecimento. Contava os dias e as horas. Depois, eram as aparições na televisão. Lembro-me bem da sua parceria com Manuela Moura Guedes no controverso Jornal das Sextas, se não estou em erro. Durou pouco, infelizmente.

A acrescentar a isto, há o romance Glória: genial!

Deixa-me levantar e procura-lo na minha biblioteca. Achei.Comprado em 13/11/2001. Começa assim:

«No dia 7 de Maio de 1870, um sábado, José Cardoso Vieira de Castro passou por casa por volta das quatro e meia da tarde.»

Assinalei a página 189, que muito me fez/faz rir: o "adorado portento", o "portentoso orador", "não sem antes se 'dilatarem muitos afectos'", "após o ágape", etc.. Vou reler.

VPV era inteligente, provocador, dizia tudo o que tinha a dizer sem poupar nas palavras. Era também muito irónico, sarcástico, impiedoso. Fazia-me rir. Às vezes tento encontrar quem escreva como ele. Vem-me à cabeça um nome ou dois, mas falta-lhes a cultura e a sabedoria que tornavam os textos de VPV únicos.

Não vai haver mais crónicas dele no Público. Acabou. Vou sentir falta. Muita.

O meu querido Vasco faz parte da "família" que eu própria construí para mim. Diz-se que a família não se escolhe. Mentira. Eu escolhi uma família. O Vasco era o meu irmão mais velho. E morreu!

Descansa Em Paz! Meu irmão.

Thursday, February 20, 2020

Mar Adentro



A eutanásia foi aprovada no Parlamento. Veremos o que se segue.
Os cartazes e os apelos de "não nos matem", sintomáticos da falta de informação DELIBERADA de quem não quer olhar para a morte, não auguram nada de muito bom. Mas, para já, os deputados da nação souberam entender os apelos daqueles que são pró-eutanásia.

Não posso deixar de fazer aqui umm parêntesis para falar da família. Muito se falou acerca de que aquilo de que os que sofrem necessitam é do apoio daqueles que os amam, a família e os amigos. A facilidade com que se toma a família como um dado adquirido. A facilidade com que se assume que todos têm quem os ame. Clamava a antiga líder do CDS_PP: «não me matem, ajudem-me!»
A facilidade com que se acredita que todos têm quem os ajude. Não é verdade! Eu conheço gente que não tem. Até conheço uma amiga assim...

LK, professor brasileiro, historiador, grande comunicador, numa das suas palestras diz o seguinte: pensemos em Adão e Eva. Viviam ambos no paraíso e só tinham de respeitar uma única regra. Pois bem, não se contiveram e infringiram-na. Como castigo, foram expulsos e condenados a viver humanamente, isto é, com dificuldades. Tiveram dois filhos. Eram, pois, uma família pequena, de quatro pessoas. E que acontece? Um irmão mata o outro. É esta a primeira família, a mais próxima de Deus. Um casal de pecadores, um homicida e um cadáver. Isto, acrescenta LK, deveria fazer-nos pensar.

Claro que faria. Mas "natural" é as famílias darem-se bem, ajudarem-se, apoiarem-se, pensam os simples e aqueles que têm a sorte de ter tais famílias.

Há quem esteja só, especialmente nos maus momentos. Há quem peça ajuda e não a obtenha. Há famílias assim.

Mas não quero gastar o meu tempo, hoje, com inevitabilidades. As coisas são como são. Quando tudo falta, há o Estado. E hoje os senhores deputados tomaram uma decisão que me faz muito feliz, porque me dá a esperança de que eu tenha a quem pedir ajuda, se dela necessitar.

Obrigada, Senhores Deputados! Deram-me alegria, felicidade e esperança.




Tuesday, February 11, 2020

Cuidados Paliativos????


E ali estava o meu pai, numa cama, já "sem vida", sem fôlego, mas com um braço descontrolado, de tal modo que teve de ser amarrado às grades da cama.
Um zumbi com um braço demasiado activo.
Em redor, mais umas quantas cama. Umas três ou quatro. Uma televisão. Todos tinham familiares em redor. Tudo triste. Eu era a familiar do meu pai. O coração soterrado sob camadas e camadas de dor. O meu pai era o único, felizmente, que não estava em si. Estava meio demente. Não conhecia as pessoas. A funcionária - obrigada minha querida senhora pela sua humanidade e dedicação - que dava apoio ao meu pai, dava-lhe algo líquido num copinho próprio para crianças, segurando-lhe a cabeça contra o seu peito, tudo fazendo para que ele não sufocasse.
E ele queria água, água, mas não a engolia…
E a odisseia para o internar na unidade de cuidados paliativos? Não vivesse eu na Covilhã e ele, o meu pai, não teria conseguido sequer ter acesso a esses cuidados. Por motivos burocráticos e de organização territorial, claro.

Não quer cuidados paliativos quem quer a EUTANÁSIA, e eu e muitos queremos esta última. Tratem dos cuidados paliativos e de todos os cuidados possíveis e imaginários, mas deixem os outros morrer em paz. Pelo menos isso, dado que a vida se tornou um carnaval contínuo de indignidade, crueldade e indiferença.

Paliativos? My ass!  

Saturday, February 08, 2020

Eutanásia, seminário e animais em vias de extinção


Os jornais, com a aproximação da data em que a eutanásia vai ser debatida no Parlamento, enchem-se de amáveis filantropos, que clamam pela inviolabilidade da vida humana e outras coisas igualmente bondosas. Há pessoas que só se lembram do seu próximo e querem preservá-lo por estas alturas. No resto do ano, comportam-se com a indiferença e, até, o desprezo costumeiros.
Hoje estive num seminário e falei sobretudo com gente que não conhecia. De resto, fiquei sozinha - e bem - ou quase durante as horas que durou a função. Só digo isto, porque aconteceu hoje e ainda não me esqueci. Aliás, eu não me costumo esquecer de NADA. Mas o desprezo dos pares, dos mais chegados, que se tornou rotina, não precisa ser lembrado, na medida em que se faz presente diariamente.

Voltando à eutanásia. Os amigos da vida humana - digamos -, como se não fosse suficientemente inquietante mais uma arremetida parlamentar à eutanásia, ainda tiveram más notícias oriundas da Holanda, aliás, Países Baixos. Este país extraordinário - digo-o do fundo do coração, sem sombra de ironia - prepara-se para permitir que cidadãos com mais de setenta anos, que estejam cansados de viver, possam suicidar-se tomando um comprimido disponível gratuitamente nas farmácias. Mais, um destes filantropos contou que até a uma mulher de cinquenta anos «perfeitamente saudável» foi permitido morrer. Dizia um deles, numa crónica dilacerante, que a esta gente que quer morrer - como eu - deve é ser dado pelo Estado amparo e solidariedade fraterna. Etc., etc.

Entretanto, acabado o dia, exausta e perplexa por motivos vários, vejo a imagem acima. Um homem está dentro de um rio a caçar cobras para preservar os orangotangos, ameaçados de extinção, quando um destes animais o vê e lhe estende a mão, para o ajudar a livrar-se de um lugar tão inóspito…

Se a solidariedade fraterna fosse um orangotango, talvez os países não tivessem que legislar a prescrição de comprimidos letais para a cura do cansaço de viver  …  mas não é. Ponto final.

Monday, February 03, 2020

... but the best ships are friendships



Olha, o Garfield tem um coraçãozinho bondoso… Gatinho lindo!!

Friday, January 31, 2020

Brexit Brexit Brexit


BREXIT  BREXIT BREXIT BREXITBREXIT BREXIT

Ooooooooooooooooooooooooooooooooooohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

Não queria. Não queria mesmo...

Em dia de greve...



«As proclamações sobre a imensa importância de recrutar os “melhores professores” são feitas pelas mesmas pessoas que foram responsáveis por medidas objectivas que levaram a afastar dos cursos de formação de professores de aqueles que viram a carreira docente ser desqualificada publicamente e proletarizada materialmente. Publicam-se notícias sobre o facto de tais cursos serem frequentados por alunos com algumas das médias mais baixas de acesso à Universidade, mas raramente se tem a coragem de ir mais longe e fazer as perguntas certas sobre a origem desse fenómeno e de questionar se o actual modelo não está errado por outras razões que não as que são lançadas para consumo público.

Estou convicto que os responsáveis políticos não têm qualquer interesse em terem nas escolas os melhores professores, mas sim os professores que façam tudo o que lhes é exigido pelo custo mais baixo e sem especiais contestações. Entre um excelente professor no trabalho com os alunos, mas consciente do seu valor enquanto profissional qualificado e contestatário dos seus direitos e um professor razoável, mas obediente e respeitador das hierarquias, a generalidade das “lideranças” prefere o segundo. Porque se mostrará mais “flexível” para integrar o “projecto” e trabalhar “em equipa”.»
https://guinote.wordpress.com/2020/01/30/este-mes-no-jl-educacao/#comment-143324

Muito bem! Os professores que questionam se vale tudo para cumprir metas não são muito bem vistos: who cares??
Pessoalmente, embora já tenha resistido mais, tento conciliar ambas as coisas. Não me estou nas tintas para as metas. Para isso, mais valia sair da profissão, pois estaria a fazer aquilo que me dá na real gana e eu não sou a favor do caos. Mas tenho limites. O plágio, por exemplo, é um desses limites. Cópias??? Mas isso é certo? Um rotundo não. NÃO!
Quando houver uma greve para restituir a autoridade ao professor e pôr o conhecimento - não as competências -  no centro da escola, farei greve. Por condições salariais? Eu gosto de dinheiro. Aliás, adoro. Mas não é isso que me move. O que me move é o respeito (ou mesmo o respeitinho, não discrimino diminutivos), os professores darem-se ao respeito. Valer tudo para atingir números não é uma base para o respeito pela função. Pelo contrário. É um embuste.
Quantas vezes ouvimos dizer a propósito deste e daquele e daquela e disto e daquilo no mundo da política e das finanças: mas ninguém viu? Mas ninguém denunciou? Mas ninguém sabia? Mas como foi possível? Isto só foi possível com a cumplicidade de alguém. Onde estão os outros?  Etc.

Claro que ninguém vê! Não há indisciplina, não há violência, quer física, quer verbal. Não há burnout (há é pieguice). Não há facilitismo. Há, sim, rigor. Rigor e mais rigor. E há sucesso.
E claro que ninguém denuncia. Claro que cada um só vê o que quer e é completamente cego no que a si mesmo diz respeito. Claro que quem não vai na onda é posto de parte. Vai para a prateleira.

É o triunfo dos porcos! Literalmente.


Wednesday, January 08, 2020

Nove, Vinte, Vinte



Já é outro dia. Hora de ir deitar.
Espero conseguir dar com a cama, depois das celebrações…. hic


8 de Janeiro, 2020





Mais um dia 8 de Janeiro. O único dia de celebração para mim. Não pedi para nascer. Não pediria nunca! Não há no dia 7 de abril nada de memorável. Nem fiz nada para que tantos outros dias sejam de paragem e comemoração obrigatória.

Este é  o único dia que eu conscientemente preparei para atingir um objectivo. E alcancei-o. Foram quase 10 anos de estudo que valeram a pena segundo a segundo. E valeram as consequências: o afastamento de todos os que me desdenharam e falam nas minhas costas chamando-me burra. Toda essa gente não vale nada perante o meu «conseguimento».

Interessante, alguma dessa gente achava-me muito sólida nos meus conhecimentos. Mas depois mudou de ideias. A querida Francisca C sugeriu até que eu emburreci. Não foi a única, aliás.

Eu, que até aprecio Nietzsche, sinto-me muito bem sozinha, acima das massas acéfalas e politicamente correctas e igualitárias. Fiquem bem!

Fosse eu aquela personagem de HG Wells, que se viu aprisionada na terra dos cegos, e também teria preferido fazer-me às montanhas gélidas ao encontro da morte, para poder viver até ao fim a minha individualidade. A minha singularidade. Os bem pensantes abominam os títulos académicos? É porque não os têm. Não é o meu caso. Tenho, logo uso.



A Doutora.



Ah, e agora chegou a noite gentil!

Tuesday, December 31, 2019

2019



Never Mind!

PS: falta um bocadinho para acabarem as festas...

Thursday, December 26, 2019

Siiiiiiiiiiiim?


- Sou eu...
- Ah, fulano de tal...
- Conheceste-me logo!

Não foi difícil, mas ele reage como se tivesse sido algo absolutamente extraordinário. Bem, já há muito que não falávamos. Aliás, que ele não falava e eu ouvia.
Pude perceber que a curiosidade dele acerca de mim é zero. Depois da terceira frase que ele ignorou e ficou a meio, desisti. Ainda disse uma frase, no entanto, em voz tão alta que ele não teve outro remédio senão ouvir. Todo o prédio deve ter ouvido, aliás. E, como habitualmente, ele falou e falou. Política, política, algoritmo de não sei quê, creio que sobre a felicidade, ou coisa do género, educação, ensino, política educativas - foi aqui que eu berrei a frase de grande efeito, com o intuito de o tirar do delírio teórico-abstrato do costume -, poemas escritos, súbita veia poética sobre o tema do universo ou da energia do universo ou coisa que o valha. E também muito name-dropping e, acrescento, book-dropping. Einstein para aqui e o não sei das quantas para ali. Sobre nós, só as doenças. Vá lá, não se falou do tempo. E, a propósito de doenças, como não poderia deixar de ser, alertou-me para todos os perigos da medicação que ando a tomar. E perguntou também se os médicos me alertaram… Enfim!  Como se eu precisasse que me fizessem um desenho! Como se eu não soubesse ou não tivesse capacidade para me informar acerca de qualquer tema, mas qualquer tema mesmo. Nada de novo. Continua a achar-me uma idiota e a dizer-me condescendentemente que eu sou uma pessoa muito inteligente.
Faça eu o que fizer, estude eu o que estudar, nada tem retorno. Nada me é reconhecido. Passo pela vida das pessoas, e elas não vêem nem quem eu sou, nem o que eu faço a pensar nelas. Sou invisível. Não sou inócua, porém. Aborreço o meu semelhante com extrema facilidade...
Voltando ao telefonema. O meu bom amigo - que até é, verdadeiramente amigo, afinal foi com ele que contei em momentos maus da minha vida …, nos bons momentos é fácil ser bom moço... - ainda me deu alguns conselhos. Ele acha que eu ando à procura da felicidade. Meteu-se-lhe isto na cabeça! Não ando! Eu só quero que não me aborreçam. Não acredito em felicidade! Mas, como ele não tem pachorra para me ouvir, tira conclusões precipitadas e estapafúrdias. E, como se acha cheio de recursos de etiologias várias, exortou-me a fazer duas coisas: uma para me tratar dos problemas da alma e a outra para os problemas do corpo. A saber: ler o livro X sobre felicidade e ingerir diariamente 3g de salsa!
3 gramas de salsa. Para o que uma pessoa está guardada.

PS: a minha felicidade, digamos, está muito dependente dos presentes que passei a oferecer-me mensalmente. Ele criticou o liberalismo o capitalismo e o consumismo. Está bem abelha. Fosse eu capitalista e o meu consumismo seria bem mais liberal.

Wednesday, December 25, 2019

Pai Natal



Obrigada!

IMPOSSSSIBLE!



Não tenho nada para barrar na cara! Help!!

Sunday, December 22, 2019

Domínio Público, Paulo Castilho


Já não me lembrava deste livro. Recordo, agora, no entanto, que, depois de algum tédio inicial, dei boas gargalhadas quando menos esperava. Na altura, era obrigatório lê-lo. Felizmente. Digo isto porque, caso contrário, teria perdido bons momentos daqueles que só os livros nos podem proporcionar.
Vou ter de arranjar mais um projecto à séria, com pagamento de propinas e tudo, para ser obrigada a ler. Quantas coisas boas ficam por viver, pelo simples facto de nos entediarmos com um livro… ou com uma pessoa… ou com outra coisa qualquer.
Por exemplo, as pessoas que não me apreciam privam-se dos bons momentos que eu lhes poderia proporcionar. É verdade! Por muito que dê vontade de rir. Eu sou uma excelente companhia. Mais, como só tolero os outros a curtos intervalos, nem chego a maçar ninguém. Não faço visitas. E as que faço são curtas. Não me posso fazer convidada para almoços e jantares, posto que sou deficiente otorrínica. Isto é, não dou despesa. Para além disso, sou generosa e divertida - a sério -, em doses homeopáticas, o que faz com que as pessoas me "comam" e chorem por mais. Não falo em comer no sentido bíblico, obviamente. Nesse departamento deixo a desejar. Aliás, não quero nada com esse departamento. Mas, claro, como dizia Eça de Queirós, este país, e as suas gentes, acrescento, gostam de esfomear o génio. Por isso mesmo, génio que sou - é verdade -, ando com alguma fomeca. E acabo por aqui este aparte.
Volto ao livro. Que bom que é fazer notas. Assim, sei sempre como não me perder nas 402 páginas  deste romance.
Curioso, assinalei algumas frases como interessantes, e agora não lhes acho interesse nenhum! E também não me apetece rir das frases engraçadas!
Ah, espera. Está aqui uma frase que me diz alguma coisa:

«Ficaram a sorrir uma para a outra e a medir o quanto tinham ficado a detestar-se logo no primeiro encontro - pareceu-me.» (Castilho, 2011: 341)

Ter-me-ei rido da palavra "espertalhufas"?

«(…) os mais distraídos ainda não repararam que estamos no século XXI e dizem frases como: não suporto espertalhufas.» (idem, 10)

Muito boa a página 51. Percebo agora a importância que teve este livro naquela altura. Não há dúvida. Dei todos os passos que tinha que dar. Li tudo o que se impunha ler. E, com este livro na mão, quase sinto o velho entusiasmo, a excitação, o prazer de descobrir coisas e sentir que essas mesmas coisas me levariam a novas descobertas. Tinha de me conter...

A imagem dos dias frenéticos, da secretária sempre cheia de papelada e livros. Por vezes, essa visão enchia-me de terrores e calafrios. Sentia uma impotência, um cansaço. Outras vezes, com as folhas a acumularem-se, repletas de frases, sentia que poderia continuar a escrever até ao fim dos tempos. E com prazer!
  Vou dormir.

Merry Xmas!



Crime family! John.

Cacau, Rita, Adam, Nanda, Monique, Patti, Tammy, Chris, Phi, Gabriel, Jeffrey, Rui, Isamara, Verónica, Alice, Ricardo, Pedro, Miguel, Carlos, Karen, Vitória, Wesley, Luma, Gabi, Patricia, Nuno, Pedro, Vasco, Herman, Joana.
A todos os que me fizeram companhia e não me viraram as costas. Não podiam...

Missed me?



I didn't either.

Tuesday, November 26, 2019

"Boa Noite."


São quase nove horas. Saí da sala aquecida para ir à rua, ao pátio, comer chocolate e apanhar um pouco de vento. Arrefecer. Havia vozes de alunos no café ali perto, mas estava suficientemente sozinha para fazer aquilo a que me propusera. Nisto, vem um aluno, envolto na noite, passa por mim e diz boa noite. Depois, vieram quatro raparigas em grupo, e todas, uma por uma, me disseram boa noite. Não são minhas alunas. Não as conheço, mas todas me cumprimentaram. Respondi a todas, todos.
Fui a única coisa boa do dia. Estes alunos, hoje, com esta frase simples, salvaram-me o dia. A noite.

Tuesday, November 19, 2019

José Mário Branco


Na notícia do Público acerca da morte (e vida) de JMB, alguém, nos comentários, deixou uns versos deste poeta e cantor de voz suave, firme e poderosa:

"Eu quero desnascer, ir-me embora, sem ter que me ir embora. Não pode haver razão para tanto sofrimento. E se inventássemos o mar de volta, e se inventássemos partir, para regressar. Partir e aí nessa viagem ressuscitar da morte às arrecuas que me deste. Partida para ganhar, partida de acordar, abrir os olhos, numa ânsia colectiva de tudo fecundar, terra, mar, mãe..." 

Que lindo! Quantos não quereriam dizer isto… parando em desnascer.

Monday, November 04, 2019

Prós e Contras - Violência Escolar



Assisti apenas a alguns segundos. Não foram sequer cinco minutos. Ouvi o final de uma intervenção delirante e o começo de uma outra intervenção para a qual não encontro palavras. A intervenção de um lunático. Um mentiroso. Um lírico perigoso. Pior! A plateia  - marcianos, certamente - aplaude! Muitos professores merecem tudo o que de mau lhes acontece.
Professores? Sim, professores, a ridícula palavrinha é geralmente dita antecedida de "só". É só professor. Estes sóprofessores são a espécie mais nefasta à face da terra.
São a negação do Homo Sapiens. São apenas Homo. Andam erectos, sim, mas têm uma grande propensão para o acocoramento. Acocoram-se perante tudo, gostam de tudo, sentem amor por tudo, vêem-se como grandes missionários e humanistas. Querem mudar o mundo. E mudam-no: para pior. Para muito pior. Estão a dar cabo dos "meninos", dos "miúdos", a emburrece-los, a deixarem-nos à solta entregues aos seus instintos e desejos.
Pelo que vi, nestes poucos minutos, não há violência nenhuma. Está tudo bem, tudo normal e feliz. Ocorre-me dizer, a um destes primatas que tive a desdita de ouvir, o que um "menino" uma vez me disse a mim, numa aula: PONHA MAIS TABACO NAQUILO QUE ANDA A FUMAR!
Se não tivesse feito o meu doutoramento, se não tivesse este espaço imenso, que ele me abriu, e no qual me refugio, para fugir ao nojo e à raiva, não sei aonde iria buscar forças. Não sei!!!

Imagem de Beksinski

PS: nesta imagem, pode ver-se um professor - não confundir com um sóprofessor - no fim de um dia de trabalho. Aliás, no fim, no início e sobretudo durante o dia de trabalho. É isso que eu vejo.

VIOLÊNCIA ESCOLAR



https://guinote.wordpress.com/2019/11/03/valter-hugo-mae/#respond, consultado em 4 de Novembro, 2019

Wednesday, October 30, 2019

Thursday, October 24, 2019

Linha da Frente: Exaustos


Não gosto do formato do programa: a música, o quotidiano de quem mudou de profissão, as declarações dos filhos, etc.
Sobram as declarações das duas professoras (minhas colegas), a informação da especialista em história do trabalho - acertou em tudo o que disse, especialmente quando referiu que hoje nas escolas não se coopera, compete-se, e quando referiu que se trabalha para os números - e a intervenção do psiquiatra. Mas, no final, fica a sensação de que um tema tão importante como este foi apenas aflorado, em 45 minutos. Fica a impressão de que ficou tudo por dizer. Aliás, os formatos de informação, na televisão generalista, andam pelas ruas da amargura. O Prós e Contras, por exemplo, é infotainment puro e duro. Com tantos convidados com pontos de vista extremados e uma ampla plateia que ora faz barulho, ora aplaude, ora intervém, fica tão só a sensação de barulheira infernal, de agressões verbais e ausência de debate.
Lembro-me sempre da última vez que assisti a um programa destes. Era sobre a eutanásia. Para meu espanto, aqueles que estavam mais preparados para falar em defesa da eutanásia ficaram na "plateia". Eram uma professora universitária (Laura Laura, minha querida), com obra publicada sobre o tema, e um médico. Ambos sofriam de cancro. Ambos estavam numa cruzada pela legalização da eutanásia e tinham argumentos de ordem científica, ética e sociológica sobre o tema. Não eram palestrantes de balcão de tasca. Ambos foram tratados com desrespeito e descaso no referido programa. Pior: ambos morreram  - sabe Deus com que sofrimento - sem terem feito realmente a diferença e sem terem o reconhecimento que mereciam. Como não há, no movimento pela despenalização da eutanásia, quem tenha o saber, o peso e o prestígio de  qualquer um deles, o tema como que entrou em hibernação.
Pessoalmente, ver hoje este programa fez-me lembrar aquilo que quero a todo o custo esquecer: que profissãozinha triste; quanta falta de respeito gritante; quanta solidão - muitos de nós tentam apenas sobreviver ao dia, sem levantar muitas ondas. Mas fez-me reflectir também uma vez mais - com raiva e revolta - a forma como o meu trabalho do ano passado foi menosprezado. O meu trabalho, meu dinheiro e o meu tempo. E a minha saúde! É grande o nojo e o desprezo e a raiva e  até o ódio que sinto pelas personagens sem sentido de ética, sem um módico de profissionalismo e de vergonha na cara, que protagonizaram mais este atropelo. De facto, tudo o que fizeram, de rojo no altar dos números, mais não foi que atropelos, faz de conta, fraude: fake!!
E chega. Fiquei cheia de dores de cabeça. Vou tentar dormir. Oxalá consiga. O dia foi terrível. Bom foi ver que, no meio da tragicomédia laboral do dia de hoje, houve alunos que queriam até chegar a vias de facto para me defenderem!!!
Vamos ver o que acontece amanhã...

imagem: Beksinski

Thursday, October 10, 2019

On a Dark Night I Left My Silent House



Peter Handke ganhou o Prémio Nobel de 2019.

A Academia parece afinal saber o que é um escritor, um homem de Letras. E o que é Literatura. Gedicht an die Dauer, o livro de poemas à duração, tem textos absolutamente sublimes. Eu não aprecio poesia, mas há poemas viciantes, e Handke escreveu um desses poemas.
Procuro um livro seu, na Amazon, e encontro este título - On a Dark Night I Left My Silent House; Numa Noite Escura Abandonei a Minha Casa Silenciosa -  que é já uma história com princípio, meio e fim, e personagem e tempo e espaço e tudo. Vou ler, claro. Mas em Inglês. Como escritor digno desse nome, o meu fraco domínio da língua alemã não me permite lê-lo em alemão: Schade!

Nota: olho-me e olho esta fotografia e penso que já durei demasiado...

Wednesday, October 09, 2019

Boa noite!


"Devias...". Devias? Não devo não! Como se atreve a começar uma frase dirigida a mim pelo verbo dever? Noites boas? Só a mim as desejo.
E a cena trágico-cómica? «Tenho eu que fazer!!!». Coitadinha, tão trabalhadeira: «não adoeças, olha que eu sem ti… » A outra mete logo atestado!
Tivessem feito as coisas como deve ser. Não tivessem metido o bedelho - incompetentíssimo! - aonde não são chamadas.
Elas é que são as verdadeiras perzzzzzidentes da junta. :)


Monday, October 07, 2019

Saturday, October 05, 2019

Lá longe...



Nunca mais passarei aqui. Não teria sequer companhia.
Já passou o tempo em que andava quilómetros e quilómetros por campos e pinhais e serranias, completamente sozinha...

Thursday, October 03, 2019

The Assassination





Acordei com medo do escuro. Depois pensei que talvez não estivesse acordada. Mas estava. O medo, porém, não estava no meu quarto real, na penumbra, com alguma luz, a da madrugada, a entrar pelos limites da janela. Fechei os olhos, para não ficar já acordada à espera do dia. Vi então o que me perturbava. 
Eu estava naquela casa. Tinha ido por um longo corredor para o meu quarto. Atrás de mim, vinha um cão branco, que se imobilizou em frente à porta. Mas eu entrei, e senti logo alguma coisa incómoda. Sentei-me no meio da cama e tentei acender a luz, nos muitos interruptores que saltavam da parede. Mas a luz não acendia. Foi aí que comecei a sentir dificuldade em respirar. Mas eu não estava às escuras. Lá fora, estava o escuro próprio da noite. Mas não no quarto, que estava claro, embora tivesse todas as luzes apagadas. Ah! Era disso que eu estava com medo. Porque é que o quarto não estava escuro? E saí a correr, com a sensação de que alguém vinha atrás de mim. Procurei uma porta para sair para a rua. E vi o cão. Estava encolhido e levemente quadrado. Metia medo. E pena.
Começo então a percorrer o labirinto da casa. Sobre uma mesa vi um x-ato, o mesmo que eu andava há muito para comprar. Agarrei-o. A lâmina fininha, quase meiga. Iria fazer a cena há muito imaginada. Só precisava de um sítio cheio de gente, ou daquela casa de um bairro triste. Sentar-me-ia no meio de todos…ou bateria à porta daquela pessoa. Depois deixar-me-ia ir … Mas para ir a algum lado, precisava de sair daquela casa. 
Distraí-me, perdida em fantasias. Quando recuperei a consciência de mim, vi o cão cada vez mais encolhido a desaparecer num enorme corredor. Era o único caminho naquele sítio. Fui atrás dele, que se movia como se fosse um novelo. Rebolava, levantava-se, andava de lado, olhava para mim com olhos grandes e tristes. E continuava. E a lâmina ia quente na minha mão. Entretanto, a casa transformara-se num túnel infindável. De bom grado me deitaria na cama do quarto claro, sem luz, no meio da noite escura. Nessa impossibilidade, sentei-me no chão, cansada, sem fôlego, ao lado do cão, cada vez mais pequeno, quase invisível. Mas amigo, companhia. Devo ter adormecido naquele corredor. Depois devo ter acordado, mas já não naquele sítio.
Tornei a acordar, com um sentimento de medo, de desconforto. Ouvi, então, ruídos. Vinham do computador ligado sobre a minha cama. Nele, estava Sean Penn no aeroporto, sem fôlego, em agonia, preparando-se para mostrar a todos o que o ignoraram, o afastaram, o desamaram, o incompreenderam, que existia e que iria inscrever-se para sempre na memória deles. O espectáculo da solidão absoluta estava ali à minha frente. Já o tinha visto tantas vezes e tantas vezes me sentara junto a Sean Penn, no mesmo sentimento de impotência e abandono sem remédio. Desliguei o computador. Não estava em condições de ver o plano falhar. Falhar tudo. Sean Penn a morrer no avião que tentara sequestrar. E a televisão a dar a notícia de forma monótona. Ninguém soube sequer que ele morreu: nem a ex-mulher, nem o ex-amigo, nem o ex-irmão. Ninguém. 
A manhã, senti, já estava instalada no meu quarto. Mas ainda era cedo. Fechei os olhos novamente, tentando ver o cão informe do meu sonho. Nada. Voltei ao corredor labiríntico sozinha. Tornei a deitar-me lá. Fechei os olhos, para fazer de conta. Para voltar atrás, o mais atrás possível. Nisto senti um barulho, um murmúrio, e imaginei que o animal estava ali. Na minha mão, senti também a lâmina meiga e salvífica. Estava em posição de continuar a noite até ao meio-dia. Tinha junto a mim tudo o que precisava para me defender do abandono e, sobretudo, do desespero.   

Sunday, September 29, 2019

Memórias


O Discurso dos Impotentes - introdução



«Nota: MAS O PROCESSO EM SI, TUDO AQUILO QUE DEPENDEU DE MIM APENAS FOI A MELHOR COISA DA MINHA VIDA»



«Nota: PARECE SER DIFÍCIL, DIRIA MESMO INSUPERÁVEL»

1. A análise desta pequena mensagem de escárnio e maldizer  - e inveja, e ressabiamento, e maldade pura, e tudo o que há de mesquinho e desprezível - será feita proximamente e de forma a fazer jus a quem é Doutora de papel passado.

2. Veja-se, na mensagem enviada por mim em 2016, o que é dito acerca do meu doutoramento:  COISA MELHOR DA MINHA VIDA!!

3. Veja-se, na mensagem enviada em 2019, pelo meu grande amigo de outros tempos, o que é dito sobre o meu doutoramento: DIFÍCIL DIRIA MESMO INSUPERÁVEL!!

4. Que má memória - passaram uns anos, não foi? E o amigo esqueceu-se das minhas palavras! 

5. Que falta de poder interpretativo! Onde é que o meu grande amigo me viu em dificuldades em realizar o meu doutoramento? Quem tem dificuldades, NÃO FAZ DOUTORAMENTOS!

6. Que falta de lógica! Se a minha amiga fez doutoramento, isso quer dizer que fazer um doutoramento é fácil. Porque a minha amiga é BURRA e fê-lo. 

continua...

Sunday, September 15, 2019

Roberto Leal



Um abraço muito grande, Roberto Leal. Afinal, eras muito mais que um cantor. Tinhas sentido de humor, eras capaz de brincar contigo próprio e foste exímio no papel que representaste neste programa. Vi-o todo nas muitas noites de insónia e depressão e sentimento de abandono. E ri-me muito contigo. O Bruno Nogueira é muito bom. Não o apreciava muito, como a ti, mas passei a apreciar. A gostar.
Para não falar no Português do Brasil, nem no nosso, vou usar uma expressão do português de Angola, aprendida num romance de cujo título não me lembro: viraste noite, Roberto. Que pena. Eras uma pessoa amável. E há tão poucas pessoas assim. Descansa. A noite é para descansar.

Tuesday, September 10, 2019

EVIDÊNCIAS



Ficam registadas as "evidências".

BURNOUT



O que vou deitar ao lixo. O meu dinheiro. O meu tempo livre. As minhas fotocópias. O meu cansaço. Tudo para o lixo. Tudo. Menos a pessoa irresponsável, torpe, sem chá, sem vergonha na cara, sem respeito por ninguém. Porquê? Porque é tudo aquilo que atrás referi e ainda fútil, tola, sem remédio! Eu poderia dar-lhe o desconto que se dá às crianças, aos bêbados, aos tontos, aos ignorantes, aos sem noção, etc. Mas hoje não lhe dou desconto nenhum. Hoje vou estar muito ocupada a transportar para o lixo o meu esforço inútil de muitos meses.

Ah! Falta ainda um trabalho - incompleto - de 10 páginas, que está no meu computador. E está incompleto, porque eu sabia - eu sei! Os meus estudo de Literatura já me puseram em contacto com personagens sórdidas, nojentas, ignóbeis, deste jaez.  - eu sabia, estava eu a dizer, que a fulana tinha uma última na manga para me "surpreender". Não me surpreendeu! Mas o ar "matter of fact" com que a fulaninha descobriu a roda, confesso que me surpreendeu. Não tenho que mentir a mim mesma. Aquilo que no ano passado - e não só - era de todo impossível, deixou de ser. Que lata! Que mentirosa, logo ela que por tudo e por nada diz: eu não minto. Pouco!

Saturday, September 07, 2019

Eduardo Beauté


Surpreendeu-me a notícia da morte de Eduardo Beauté. E aquilo que eu própria senti. Foi como se o conhecesse. E não conhecia. Mas sabia do turbilhão que foi a sua vida desde que se separou do marido: a depressão, a mudança de imagem, a perda do seu salão de cabeleireiro, a publicação do livro de memórias, etc.. A depressão! 
O Público e o Observador, dos quais sou assinante, dão conta da sua morte e dizem desconhecer-se, ainda, a causa. Permito-me especular.

«A depressão é a imperfeição do amor. Para sermos criaturas que amamos, temos de ser criaturas capazes de desesperar com o que perdemos, e a depressão é o mecanismo do desespero. Quando surge, degrada o indivíduo e acaba por eclipsar a capacidade de dar ou receber afecto. É a solidão dentro de nós que se manifesta e que destrói não só as nossas ligações aos outros como a capacidade de estarmos em paz com nós próprios.»

Solomon, Andrew, O Demónio da Depressão - Um Atlas da Doença, Lisboa, Quetzal Editores, 2016, p. 15

Saturday, August 31, 2019

Friday, August 30, 2019

Gabardina cor-de-rosa


Choveu tanto há duas ou três noites. Torrencialmente. Mas estava calor. Não pude estrear a minha gabardina. Talvez torne a chover em Setembro… Mal posso esperar.

Já é Sábado...


Fui fazer compras, quando anoiteceu. Mal cheguei, todas aquelas luzes e pessoas me fizeram sentir mal, inadequada. Ainda pensei voltar pra trás. Mas não podia ser. Fiz o que tinha a fazer, de cabeça baixa, tentando evitar encontrar alguém conhecido. Senti-me triste, desamparada. Acabei por comprar o mínimo possível e dois chocolates. De tão nervosa, na hora de pagar, esqueci-me do código do cartão de débito. Felizmente tinha apenas comprado o mínimo, e mais dois chocolates, e tinha, por isso, dinheiro para pagar. Era o dinheiro para o táxi, caso a vontade de sair da rua me levasse a procurar refúgio. Mas já não tinha dinheiro para o táxi. Rumei a pé, pela noite, em direcção a casa. Não foi mau de todo. E tenho dois chocolates.

Thursday, August 29, 2019

30 de Agosto, 2019


Contagem decrescente...

Sunday, August 25, 2019

A Importância de Ser Amável


...
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10220339888748732&set=a.10220339886628679&type=3&theater,  consultado em 25 de Agosto, 2019

Wednesday, August 21, 2019

"A última Porta Antes da Noite"



Tenho dificuldade em ler um romance do princípio ao fim da autoria de António Lobo Antunes. Mas há excertos que consigo ler incessantemente. Os títulos dos seus romances, porém, como aquele de que me apropriei como título, são dos melhores da Literatura portuguesa. Lê-los uma e outra vez transporta-nos para universos utópicos, distópicos. Enfim, a partir deles, podemos fechar os olhos e fazer uma história só nossa. Mas não é da história que ainda tenho que inventar que vou falar a partir deste belo título. 
Como muitas vezes me acontece, ligo o computador, vejo algumas notícias do dia, no feed da Microsoft, depois vou ao Público e ao Observador, dos quais sou assinante, e finalmente faço associações. A Microsoft diz-me qua a Amazónia está a arder. Penso de imediato em alguém que me repugna e este incêndio choca-me ainda mais. Fico com pena daquelas árvores, animais, pedras, terra, tudo. O repugnante, com o sorriso que lhe é característico, terá dito que "agora o culpam pelo incêndio". Eu não culpo ninguém! Eu apenas sinto que a Amazónia, aquela floresta grandiosa e bela, está a arder sem que quem pode fazer algo se importe com o seu drama. É como alguém que agora mesmo, neste instante, acabou de ser deixado num sítio qualquer, ao abandono, porque ninguém se importa. Não faz falta a ninguém. É como a velha senhora, de roupa elegante e cabelo branco, comprido, a deambular numa ruína, que vi um dia num documentário do Odisseia. A cara devastada, mas o olhar altivo. Uma senhora que tinha sido importante e amada, e agora estava tão em ruínas como a casa em que se acolhia e aqueles que a tinham esquecido. 
Depois vi que ALA tinha um novo livro para publicação e vi o nome do seu último romance: a última porta antes da noite. E associei tudo. Eu própria senti que estava no limiar de uma porta antes da noite. E a Amazónia, mal amada pelos repugnantes e torpes "senhores do mundo", também estava a um passo da noite. Todos aqueles que não têm ninguém a quem verdadeiramente se agarrar - plantas, árvores, animais, pedras da calçada, humanos -, uma âncora, estão sozinhos a um passo da noite… do nada.
Estamos todos sozinhos perante as catástrofes do mundo: os incêndios, o desamor, as doenças, a desamizade, o desrespeito, a ingratidão, o desprezo. E fiquei com pena da maior floresta do mundo, a mais bonita, a mais generosa, a vítima da maior ingratidão possível.  Senti que eu própria estava em cinzas. Mas cinzas das quais não se renasce.   


Imagem: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10102647705404093&set=p.10102647705404093&type=3&theater, consultado em 17 de Agosto, 2019

Tuesday, August 20, 2019

Dia 21 de Agosto


Começou a contagem decrescente. Tenho passado os dias na praia, deitada ao sol. Coloquei lençóis amarelos  - clarinho. Agora, vou ter de pensar aonde vou, para escolher a nova cor com que vestirei a minha cama, as minhas almofadas...
Dia 21 começa com uma visita ao dentista. Será a melhor parte desta fase descendente em direcção ao abismo. Depois, terei de terminar de deitar fora a papelada do costume. Terei de fazer a limpezinha, acabar de mudar umas estantes - estou farta de prateleiras de metal: como é que eu cheguei a achar que era boa ideia? Terei de dar uma demão na parede do meu quarto - HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH. Que rir. Espero de ter a casa pintada antes de fazer setenta anos. Mas espero não chegar aos setenta anos.  Por falar, parece que ainda não é durante estas férias que vou tratar das praticalidades do meu funeral. Talvez não. Posso tratar do assunto pelo telefone. Digo eu. Sou uma procrastinadora!
Continuando. Depois tenho que retomar os assuntos gerontológicos. Não me faltava mais nada. O pior é que isto me traz à mente aquele(s) germe(s) com pernas. Tenho de me proteger contra os níveis de toxicidade, grosseria, má educação, dissimulação e maldade pura. As gémeas siamesas. Tal e qual o Arnold Schwarzenegger e o Danny de Vito. Nem a mãe os distinguia. 
Vou tentar escrever alguma coisa todos os dias. 
E pronto. Dormir.

Monday, August 19, 2019

Sorry!



O Público traz, hoje, um artigo sobre como é difícil pedir desculpa.
 Ofender os outros é fácil. É um exercício de poder. Pedir desculpa, pelo contrário, é demonstrar fraqueza…
As minhas férias são frequentemente ensombradas por uma palavra, ou duas, de escárnio e maldizer. Este ano não foi diferente. Estou lentamente a recuperar das palavras de humilhação e insulto deste ano. Graças ao meu querido Nuno Markl, ao Lord, Rui Unas, e a outros queridos do YouTube. Ontem e hoje já consegui, até, não ficar o dia todo na cama…
Pessoalmente, não tenho muita dificuldade em desculpar-me. Também, verdade seja dita, não me exponho muito, não tenho amigos - vou-os espantando, espantalho que sou - e, na minha profissão, tento não ser injusta. Este ano, contudo, em que me aconteceu um pouco de tudo, até uma espécie de assédio - os outros alunos, todos adultos, é que me avisaram que a criatura vinha por trás de mim cheirar-me os cabelos… -, dado que tinha os nervos em franja, excedi-me na violência e tom de voz que usei para pôr na ordem um certo aluno. Nada que ele não merecesse! Mas tanto lhe estava a berrar até que ele se calasse - e calava-se! - como no final da aula lhe dava uma palmadinha nas costas e nos despedíamos a rir. E, no final do ano - fui a última a acabar as aulas, dia 30 de julho, das 14:00 às 17:00 -, tive a alegria de ter presentes nas aulas todos os alunos e de virem todos cumprimentar-me no momento da despedida. Quando o aluno irritante veio com cara sorridente e olhinhos de cão meigo em direcção a mim, disse-lhe: desculpe alguma coisinha, meu querido. E ficou tudo bem. Ele porque não tem muito mais gente que lhe dirija palavras de conforto - se é que tem alguma - e eu porque, como estava feliz por ver o reconhecimento dos meus alunos, foi com prazer que dei afecto. Retribuí.
 

Saturday, August 17, 2019

Wednesday, August 14, 2019

A casa interminável



Depois de longas noites de insónia e falta de sonhos, seguiram-se ontem e hoje momentos de sono e de sonhos maravilhosos. Magníficos. Grandes. Grandiosos. Indizíveis. Lindos. O de hoje já não me ocorre bem o que foi. Mas o de ontem tem andado às voltas na minha cabeça, a encher-me de prazer e de sublime.
Eu gosto de sonhar com casas e comboios. E ontem estive numa das muitas casas em que passo noites de alegria. De riso e de esquecimento. Por lá ando, de facto, esquecida, tentando não acordar. Nunca! Mas ontem aquela casa foi-se metamorfoseando. Ela, que é uma casa que eu conheço, mas da qual não sei muito, porque acabo por não entrar nela quase nunca, porque aquela terra aonde vou fazer compras, uma terra linda, de grandes prédios, tem as lojas quase sempre fechadas, pelo menos quando eu me aproximo delas e, por isso, acabo por ir para outra terra fazer compras e só vejo a casa de longe. Mas sei que tem um quarto de banho com toalhas vermelhas. Até já lá tomei banho e depois fiquei sem saber onde dormir. Mas como tenho uma outra casa onde tenho uma sala com uma cama, acabo por dormir na cama da sala dessa casa. Às vezes, a sala dessa casa tem muito bolor junto ao chão. Desagradável!
Ontem, como disse, fui a essa terra com uma amiga. Não uma amiga minha, mas amiga de uma amiga, que também não é minha amiga. Ainda assim, como os amigos são para as ocasiões, resolvi convidá-la para dormir na minha casa, porque ela não tinha transporte para casa dela e estava a chover. Dirigi-me então para a casa das toalhas vermelhas, sem saber bem onde deitaria a minha amiga. Mas, quando cheguei àquela casa, vi que ela se tinha juntado a uma outra e também à da sala com a cama onde costumo ficar. Acontece que a casa do meio ainda anda em obras. Ainda está em tosco, como se costuma dizer, embora tenha um ou outro quarto já acabado. A decoração, no entanto, é que me agonia naquela casa. É tudo muito mal combinado, muito sem gosto. Passo bastante tempo, às vezes, a distribuir almofadas por aqui e por ali, mas fica tudo forçado. É esgotante.
Bem, chegada à casa ainda em melhoramentos, deparo-me com o construtor civil e uma série de pedreiros, muito atarefados, que me dizem para ir ver a obra. E que vejo? Que já construíram um enorme quarto com uma parede envidraçada e que tem no chão, a espaços, colchões cobertos de lençóis brancos. Atiro-me logo para cima de um deles e digo à minha amiga: escolhe um para ti! Rebolo-me. Contente. Só depois vejo que a parede não tem reboco. E que para além do enorme quarto, há uma série de outras salas, pegadas umas às outras, quase prontas. Só falta pintar. "Venha ver o resto da obra!". O resto? E a casa não pára de aumentar. São quartos e quartos, terraços. Há até uma pocilga e uma mulher a guardar os porcos. "A pocilga, não", digo eu. E eles dizem que não, que a pocilga pertence à casa do lado, mas falta fazer a parede. Ah! E fico mais descansada. Entretanto, vem um outro pedreiro que, aliás, é o engenheiro e me chama para vermos o jardim. Eu fico muito apreensiva, porque o jardim está cheio de ervas daninhas e me lembro que já não tenho idade para cavar. Mas ele diz-me que há uma surpresa no final do jardim e eu penso que as ervas também são criaturas de Deus.
De facto, pela vereda estreita, começa a aparecer um fiozinho de água e depois um rio: "é seu. Faz parte da propriedade". Mas isto é um palácio! Penso. E de facto é, só falta rebocar, pintar, correr com os porcos para a casa deles e começar a apreciar ervas, estevas, giestas, espinheiros e, até, amoreiras bravas. E nisto vem um outro sujeito, com um ar muito profissional, com um berbequim na mão, que me diz: "venha ver a varanda." Varanda? mas é um rés-do-chão...
E que varanda. Está toda apainelada. Madeira dourada, com um brilho discreto e elegante. Só faltava o gradeamento à frente. Mas estava já encomendado. Quando entrei nela, para ver bem a madeira, senti-me impulsionada para a frente, a rodopiar, numa viagem a alta velocidade. Era uma varanda rolante. E grande, a perder de vista. A paisagem que a rodeava era de asfixiar (para não dizer que era de tirar o fôlego): roseirais, campos de tulipas, lagos, árvores frondosas carregadas de madressilvas. E havia também grandes clareiras com sacos de um quilo de sal e de um quilo de açúcar. E porcos. Tantos leitõezinhos cor-de-rosa e malmequeres.
Asfixiada, resfolegante, exaurida, maravilhada, com tudo, tudo, alma e corpo, subido mesmo ao pé da garganta. Feliz. É neste estado que recolho ao quarto por rebocar e me deito no colchão, coberto de branco, junto ao vulto da minha amiga - que não o é - que dorme, calma, e ressona, movimentando um fiozinho de algodão junto à boca entreaberta.

Thursday, August 08, 2019

A Experiência



É com algum incómodo que confirmo que não consigo ler ficção. Aquilo que me manteve à tona durante toda a minha vida, deixou  - espero que temporariamente :( - de me interessar. Penso que, depois de Gissing, deixei de ter romances que me interessem. Os policiais perderam o mistério. Já li tudo de Ruth Rendell e de Patricia Highsmith. Ninguém mais se lhes compara. Os outros policiais parecem-me forçados, ridículos ou previsíveis. Romances de amor, nunca apreciei o género. Aliás, a literatura light/chick lit é a única paraliteratura de amor - amor confluente - que consigo - ou conseguia - ler. Quanto à minhas escritora de culto, Charlotte Brontë, o que ela escrevia não é romance de amor, não é literatura sentimental, não é cor-de-rosa, não é literatura de género. A ficção de CB é uma coisa à parte. Já a querida Jane Austen, teve o mérito de ter criado o homem mais adorável de toda a literatura: Mr Darcy. Quanto à Literatura, parece-me forçada. Parece-me que os últimos romances que li - um de João Tordo - são feitos para serem literários, isto é, soam a história forçada, para parecer arte.
Mas não deixei de ler. Como adoptei as ciências forenses como passatempo, tenho lido biografias de assassinos que ficaram na história do crime, bem como ensaios sobre psicopatia - Michael Stone, Robert Hare, etc. e, até, Hernani Carvalho (!). De momento, tenho o Índice da Maldade para acabar, tenho o livro de RH para acabar, tenho o livro sobre Ed Gein para acabar e um outro, de uma mulher que matou, mas que é tão humana, tão fascinante, tão sofrida… que dá vontade de ler muito devagar, para ter um exemplo - um mau exemplo - do que é viver à beira do abismo. Podia ser uma personagem de Ruth Rendell. Mas não é. Está presa. Perpetuamente.
Como contraponto à literatura de crime, estou a ler O Demónio da Depressão - excelente - e
Sapiens: A Brief History of Humankind - Excelente ao quadrado.
Mas é o crime que me ocupa a mente. Ontem vi uma história verídica acerca de um tipo de crime que se está a banalizar, mas que teve algo de fascinante. Há muito não me surpreendia com uma história destas e Deus sabe que tenho lido e visto histórias surpreendentes.
Uma mulher bipolar casa com o homem por quem se apaixonou no liceu. As crises pareciam ter amenizado. E ela tem medicação, mas não a toma. O casamento segue o seu curso de filhos e empregos e fraldas e casas e vida a dois. Por vezes ela tem as suas crises de mudanças bruscas de humor, que acabam, as mais graves, com ela a meter-se no carro e a andar sem destino. Passada a crise, volta para casa. O marido é compreensivo. Tenta levá-la a tomar a medicação, mas ela resiste: não precisa, não é louca, está bem. Decidem, entretanto, mudar de cidade, para ela poder retomar o estudo e ele poder arranjar um emprego melhor. Numa primeira etapa, tudo corre bem. Estudo. Emprego. Casa. Ela tem mais um filho. O terceiro. Mas, subitamente, ele perde o emprego bem pago e arranja outro que apenas permite pagar as contas. Ela ressente-se. Acusa-o de ser um perdedor, a loser. E começa a refugiar-se no computador. Dia e noite. A casa está num caos: lixo e coisas sujas por todo o lado. Os filhos ao deus-dará. O marido começa a ficar farto. Com um emprego precário, uma família para alimentar, três filhos para cuidar e uma casa desorganizada, não consegue deixar de se exaltar. O ambiente familiar é opressivo. Ela, entretanto, entra em depressão profunda. Quando não está no computador, no grupo Experience, a desabafar com um outro internauta, está deitada no chão, com as mãos na cabeça. Os filhos mais velhos vão-se valendo a si próprios. O bebezinho vegeta. Gatinha sem rumo pela casa. E, um belo dia, ela mete-se no carro e desaparece. De vez. Para não mais voltar. O marido tem esperança de que seja apenas uma viagem mais longa. Mas não. É uma despedida. Perante a ausência de notícias, informa a polícia, que começa a procurá-la. A investigação é curta. Verificado o computador, localiza-se a morada do interlocutor, o confidente. Na casa deste, a polícia fala com a mulher, que não faz segredo da estranha obsessão do marido com o computador, farta que está dos temas que o fascinam. A polícia pergunta: "e que temas são esse?", " Canibalismo", diz a mulher. "Canibalismo?", "É, ele parece ter curiosidade em provar carne humana". De imediato, a polícia liga para a "esquadra", para apanhar o canibalista. E da esquadra dizem: "ele está aqui. Diz que nos vai levar ao corpo", "corpo?". Corpo.
No Experience, encontram-se pessoas com coisas para contar: a vida, as humilhações, os desesperos, os desejos obscuros, as fantasias, enfim, a realidade paralela. É neste site que a mulher bipolar diz que não gosta de viver, que a vida dela não tem sentido, que é um pesadelo, e que deseja morrer. Ser morta por asfixia e, depois, cortarem-lhe a garganta, como garantia inequívoca de morte. Já o canibal, em potência, quer apenas provar carne humana. Como têm desejos que se complementam, combinam encontrar-se num hotel. Ali, conhecem-se e combinam a hora e o sítio para proceder à consumação dos seus desejos. Vê-se a imagem de ambos, de costas, lado a lado, calmos, dirigindo-se para o interior de uma floresta, em direcção a um local isolado. As calças de ambos estão descaídas. Têm uns corpos tristes e as calças são tristes também.
É ao local isolado que o homem leva os polícias para recuperarem o corpo. Ele está como que aliviado. Os polícias, por sua vez, estão com o ar de quem pensava já ter ouvido tudo. Pergunta um deles ao canibal: "e comeu alguma coisa?". E ele, calmo, apesar de ter à espera uma pena de prisão perpétua: "não. Não consegui."







Black Humor



Os amiguinhos do YouTube… Coisa mais linda!
Por falar,  a CC tem um vídeo em que ensina a lavar os dentes! Só não vou ver agora, porque não tenho como tirar notas. A sério. Foi com ela que aprendi a lavar a cara. E se eu precisava! Agora vou de certeza aprender a lavar os dentes. Iupe.

Monday, August 05, 2019

Beer? -Yes, I'd like some.






Hoje bebi uma cerveja. Foi um acontecimento. Há quanto tempo não o fazia, entretida que tenho estado a não misturar a medicação com álcool. Se calhar, o meu mal tem sido justamente falta de álcool. Nada que eu não possa remediar. Amanhã compro mais. E das grandes. Aliás, talvez beba uma garrafinha de vinho … deixa cá ver... penso que é moscatel. Não sei bem. Numa garrafinha tão pequenina. Tão linda! Mais logo. É para o caminho, como dizem os bêbados!

O que a Francisca Conimbriga ia gostar de saber que a minha mãe me chamou doutora da mula ruça. E já não é a primeira vez. O meu doutoramento só serviu, aparentemente, para as pessoas me virarem as costas, me insultarem, me apoucarem e terem todo o tipo de comportamentos bizarros e discriminatórios. É para o lado que eu durmo melhor, claro. Mas chateia! Não há como negar. Entretanto, assim que eu arranjar forma de fazer outro doutoramento, sem ser na UBI, matriculo-me. Quem diz doutoramento diz curso, diz uma coisa qualquer, para eu sentir que faço alguma coisa na minha vida de que gosto e, se chatear alguém, melhor. Começo a habituar-me. E se eu perdesse o amor à propina altíssima e me inscrevesse em Direito?? Hein? Quando tiver a cabeça menos oca, vou pensar nisso.

Errata: escrevi «inscreve-se» em vez de inscrevesse! É com a cara vermelha que nem um pimento que digo: foi da cerveja!
PS: já corrigi.
Aviso: quaisquer erros que possam ser dados por mim em textos passados, presentes ou futuros, das duas uma, ou foi da cerveja ou de algum vírus informático. Eu sou completamente irresponsável (isto é, não responsável) no que toca a erros.