Tuesday, August 18, 2026

Férias 2026


Para mim, a Internet é a melhor invenção de sempre. Sinto que "vivo" mais do que alguma vez vivi por causa dela. Não gosto de viajar, de me deslocar, de ver pessoas, falar com elas, ser aquilo que é expectável que sejamos quando estamos com alguém. Os livros foram sempre a minha forma de viver. Através deles conheci pessoas, sítios, situações. Ri muito e também chorei muito. A ficção foi e continua a ser um espaço de convívio para mim. Mas agora tenho também a Internet. É melhor? Mesmo que fosse, eu jamais o admitiria, porque sou fiel aos livros que me ajudaram sempre a ir pela vida, pelos maus e pelos menos maus momentos. A Literatura foi e é um espaço virtual, onde tudo acontece, ainda que não aconteça nada. A Internet veio complementar o meu espaço ficcional. O espaço cibernético permitiu-me entrar em mais mundos. Os livros são lentos: confortavelmente lentos. A Internet é rápida. É difícil abandonar um livro que não nos fascinou logo no início. Vamos virando mais uma e outra página, porque sabemos que pode estar um tesouro escondido algures e que seria trágico não o encontrarmos. A internet, não. Não gosto, passo. E passo, e passo. Quero encontrar o tesouro logo no início. 
Em Julho e Agosto, encontrei um novo canal de YouTube para seguir. Tomei conhecimento da arte de Yuzuru Hanyu: passei horas a vê-lo. Vi a novela completa A Banqueira do Povo, superiormente interpretada por todos os actores. Vi a série completa O Conde de Abranhos, baseada no romance homónimo de Eça de Queirós. Estou a ver a série A Ferreirinha, que inclui o romance de Camilo Castelo Branco com Ana Plácido e a sua passagem pela prisão. Aparece também o nosso rei D. Pedro V, o que me levou a procurar informação acerca dele: foi um homem lindo e bom. Era contra a escravatura e, durante uma epidemia de febre amarela, visitava os doentes nos hospitais em vez de se isolar. Enfim... E agora, de repente, no Instagram, aparece-me esta versão do Libertango. E tantas outras coisas, sobretudo imagens, aquelas imagens que só podem dizer uma coisa: há um grupo de pessoas que partilha um fascínio por aquilo que é obscuro, mas, simultaneamente, sublime...
Eu sou pela Internet, pela IA - não enquanto professora -, pelos robôs humanoides, por tudo o que seja um mundo que me permita estar cada vez mais distante do humano, ao vivo e a cores. Humanos, só através de mediação. Na parte final da minha vida, nos últimos capítulos, percebi que há formas de viver com a felicidade possível...