É esta a banda sonora da alegria que sinto pelo facto de te teres ido embora da selecção. Estás livre daquele ambiente de faz de conta. Verdade se diga, não vou mentir, que já deverias ter saído há mais tempo. Mas, pelo que ouvi e não vi nenhum desmentido, tu ias sair, depois do Mundial, e pediram-te para ficares. Dizem as más línguas - cruz, credo - que te queriam por causa dos patrocínios e quejandos. Não sei. Não me interessa. Mas parece evidente, pelo andar da carruagem, que te queriam como enfeite. Compreendo: um homem lindo como tu, grande, forte, etc., quem desdenharia ter-te como enfeite? Mas, lá está, tu és um ser humano, um profissional, um homem de acção, não gostas de estar sentado. Não combina contigo. Combina menos ainda ouvir um bronco a dizer, com todas as letras, eu é que mando: «Eu é que sou o "perzidente" da junta». A lata do sujeito!!! Agora, ele esqueceu é que tu não és homem para ser mandado! Olha, eu teria feito o mesmo! Entretanto lia eu hoje que a maioria dos portugueses está com o treinador, pois ele é que "manda". Percebe-se. Vou explicar.
A maioria dos portugueses, pobres que são, sabe que manda quem pode e obedece quem tem de obedecer. É o chamado meter o rabinho entre as pernas. São pessoas que têm de se vergar, se querem comida na mesa e dinheiro para café e tabaco. Na Literatura, é ver o obedecer ao chefe. Leia-se Eça de Queirós, leia-se "O Conde de Abranhos". Logo, o treinador, a despeito da sua famosa iliteracia linguística que, por sua vez, é testemunho da sua incultura e do seu pensamento tortuoso, o treinador, dizia, manda e há que obedecer. E com um bónus, também muito apreciado por muitos portugueses: o Ronaldo vai ter que engolir o sapo. Mas o Ronaldo é multimilionário. Ele não precisa de se vergar, de engolir sapos, de baixar a bolinha. E fez o que fez.
Os que o odeiam - e é ódio mesmo - e outros que também não o apreciam vieram logo dizer que ele escolheu sair pela porta pequena. Também se disse que saiu como um rato. Ora, como disse um humorista, de cujo nome não me lembro, a única porta pequena foi a do jacto privado dele.
Por falar em jacto, no Público, um escritor escreveu um ensaio - bastante bom, mas não brilhante, penso - sobre o querido Ronaldo (Cristiano Ronaldo como figura trágica), em que vê como kitsch a exibição de riqueza do jogador e diz « a ostentação da riqueza (o jato privado chamado como quem chama um Uber, a célebre marquise)». Pois. Agora imaginem se o Ronaldo tivesse chamado um táxi para se ir embora. Ou levanta-se o polegar para ir à boleia. O homem tem um jacto, senhores! O homem queria ir dali para fora e chamou o jacto dele!
Têm existido manifestações de apoio a Ronaldo: muito bem! Estamos juntos. No YouTube, eu devo ser a apoiante mais activa e que tem levado bastante na cabecinha - nos cornos, porque não dizê-lo? . AhAhAh. Mas também muitos likes, atenção!
Querido Ronaldo. Vai. Vai e não voltes. Vive a tua vida privilegiada! Sê feliz. Ao contrário de Messi, tu não vais ter festa de despedida, homenagem, não vais ter o apoio de "Portugal" na despedida. Porém, nós, os que te admiramos, em Portugal e no mundo, faremos, cada um à sua maneira, a festa. Deitaremos os foguetes e apanharemos as canas. Sê feliz! Concentra-te apenas em ser feliz!!
Só uma homenagem a Rasmus Hoejlund, o jogador dinamarquês.
