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Cristiano Ronaldo posters & Art Prints de Agus Budi Wibowo - Printler, consultado em 5 de Novembro, 2026
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Feito este desabafo, voltemos ao filme. Hesitei, hesitei, mas acabei por carregar no on, embora com cara de poucos amigos. Os comentários que li acabaram por me dar algum encorajamento: é uma obra de arte, excelente, melhor filme de sempre, em conclusão, e cito: "Holy shit! Well done". Mas também algum desencorajamento: o rei dos filmes tristes - pudera, alunos e professores -, chorei muito, não aconselhável a pessoas depressivas e um enigmático, e cito: " I can't believe I used to think this movie was so deep. Now I rewatch and pass".
Comecei a ver. De pé atrás. Um professor com um ar muito sofrido. Uma turma que olha para o professor como se ele fosse um alienÃgena, um aluno que se aproxima do professor, que agarra na pasta do professor e a atira à parede e que fala com ele como se o pobre fosse o ser mais surdo do mundo. Nada de novo! O professor, de forma firme e indiferente, diz-lhe: atiraste a minha pasta? Ela não tem sentimentos, não lhe importa, e eu não tenho nada em mim que tu consigas magoar. Pôs a criatura na ordem e, surpresa, todos fizeram o que ele pediu. Mais: fizeram-no em silêncio! Pensei logo em ficar por ali. Alunos CALADOS??? Na sala de aula? Não é plausÃvel.
Finda a aula, o prof. vai para casa. E é naquela ida para casa, de autocarro - claro -, que se começa a desenhar uma certa atmosfera, que começam a aparecer certas personagens dignas de pesadelo e não só. É um filme "noir", de professores "noir". Vejam o prof. abaixo, que, nos intervalos, fica o tempo todo agarrado à cerca, em desespero:
Gostei do filme. Gostei. Gostei. Rebolei-me naquele desespero todo, mergulhei, fiquei feliz, embora duma forma um bocado infeliz. E é tudo!
A maioria dos portugueses, pobres que são, sabe que manda quem pode e obedece quem tem de obedecer. É o chamado meter o rabinho entre as pernas. São pessoas que têm de se vergar, se querem comida na mesa e dinheiro para café e tabaco. Na Literatura, é ver o obedecer ao chefe. Leia-se Eça de Queirós, leia-se "O Conde de Abranhos". Logo, o treinador, a despeito da sua famosa iliteracia linguÃstica que, por sua vez, é testemunho da sua incultura e do seu pensamento tortuoso, o treinador, dizia, manda e há que obedecer. E com um bónus, também muito apreciado por muitos portugueses: o Ronaldo vai ter que engolir o sapo. Mas o Ronaldo é multimilionário. Ele não precisa de se vergar, de engolir sapos, de baixar a bolinha. E fez o que fez.
Os que o odeiam - e é ódio mesmo - e outros que também não o apreciam vieram logo dizer que ele escolheu sair pela porta pequena. Também se disse que saiu como um rato. Ora, como disse um humorista, de cujo nome não me lembro, a única porta pequena foi a do jacto privado dele.
Por falar em jacto, no Público, um escritor escreveu um ensaio - bastante bom, mas não brilhante, penso - sobre o querido Ronaldo (Cristiano Ronaldo como figura trágica), em que vê como kitsch a exibição de riqueza do jogador e diz « a ostentação da riqueza (o jato privado chamado como quem chama um Uber, a célebre marquise)». Pois. Agora imaginem se o Ronaldo tivesse chamado um táxi para se ir embora. Ou levantasse o polegar para ir à boleia. O homem tem um jacto, senhores! O homem queria ir dali para fora e chamou o jacto dele!
Têm existido manifestações de apoio a Ronaldo: muito bem! Estamos juntos. No YouTube, eu devo ser a apoiante mais activa e que tem levado bastante na cabecinha - nos cornos, porque não dizê-lo? . AhAhAh. Mas também muitos likes, atenção!
Querido Ronaldo. Vai. Vai e não voltes. Vive a tua vida privilegiada! Sê feliz. Ao contrário de Messi, tu não vais ter festa de despedida, homenagem, não vais ter o apoio de "Portugal" na despedida. Porém, nós, os que te admiramos, em Portugal e no mundo, faremos, cada um à sua maneira, a festa. Deitaremos os foguetes e apanharemos as canas. Sê feliz! Concentra-te apenas em ser feliz!!
Só uma homenagem a Rasmus Hoejlund, o jogador dinamarquês.