Rest in Peace
Monday, May 11, 2026
Dias esmifrantes, noites palpitantes
Saturday, May 09, 2026
Me and The Devil
Friday, May 01, 2026
Até Amanhã
Era de noite, mas havia uma luz
muito idêntica à do dia. Uma espécie de noite brilhante ou iluminada. Eu estava
num pátio enorme em frente a uma casa que era um palácio sóbrio de pedra branca
e majestosa. Eu tinha um vestido de seda branca que não só me cobria a mim, mas
também a maior parte do espaço onde me encontrava. Tudo isto estava suspenso no
ar, algures sob as nuvens e sobre uma floresta de enormes árvores verdes de
folhas suaves. Eu sentia uma angústia enorme e indizível. Olhava as janelas
iluminadas e inacessíveis da enorme casa e sentia a carícia das folhas meigas
da selva em redor. De repente, levantei-me e corri para a extremidade do pátio.
Debrucei-me sobre a floresta imensa e imaginei que poderia ser o mítico
Pantanal. E era. Podia ver lá em baixo por entre a vegetação as sucuris, as
onças, as capivaras e também uma mulher enlouquecida correndo ao longo de um
rio cheio de piranhas. Metade da angústia passou. Tinha de abandonar aquele
sítio e começar o dia, o trabalho. Avistei umas escadas e desci-as. O meu
vestido foi encolhendo e escurecendo. Quando desci o último degrau, eu era eu
mesma. Roupa preta, óculos pretos e os livros. Havia uma escola à minha frente.
Entrei. Algures, havia alunos à minha espera. A angústia voltou. Não sabia o
meu horário, os funcionários olhavam-me hostis e todas as portas estavam
fechadas. Ninguém parecia conhecer-me, ainda assim, dirigi-me a um colega que
se limitou a dar-me uma chave. A chave da minha sala. Introduzi-a, de imediato,
na porta da sala em frente. Espreitei. Era um lugar escuro e cheio de poeira,
com homens encapuçados bebendo vinho. Tranquei a porta. E, de repente, a escola
passou a ocupar toda uma cidade tosca, com estradas de pedra. Dirigi-me com a
chave na mão em busca de uma fechadura que se lhe ajustasse, por entre a cidade
decrépita. Estava cansada. Avistei um banco comprido junto a uma parede branca
e, logo que me sentei, começou a desfilar perante os meus olhos uma
interminável fila de homens nus da cintura para baixo. Não que a sua nudez fosse
visível, mas, de facto, não tinham roupa. Eu não podia ficar sentada a
contemplar homens invisivelmente nus. Levantei-me e recomecei a procurar os
meus alunos. A paisagem, entretanto, tinha mudado. Estava num caminho de argila
vermelha e por todo o lado havia casas pequenas e opacas, sem janelas. Havia
também uma casa transparente. Lá dentro, um professor silencioso como uma
estátua presidia a uma classe ruidosa. Ao seu lado, pairava, insuspenso, um
quadro negro. Vi então a minha própria casa/sala. Meti a chave, a porta
abriu-se e através dela, como uma onda, começaram a sair minúsculos porquinhos
cor-de-rosa como flores, com as orelhinhas espetadas como pétalas, as pequenas
caudas movendo-se como folhas e produzindo uma estridência boa como pássaros.
Apoderou-se de mim uma alegria grande. Feliz, levantei os braços e ri alto em
direcção ao céu. Houve depois uma agitação confusa. Duas galinhas apressadas saíram
da sala voando e cobrindo-me de penas. Continuava feliz mas deixei de rir.
Ouviu-se então uma campainha. Tudo voltou à normalidade. O dia de trabalho
tinha chegado ao fim. Uma funcionária simpática disse-me: "Até
amanhã". Eu disse-lhe: "Até amanhã". Dentro de cinco minutos
estaria em casa bebendo chá. Depois, seria novamente noite e poderia, talvez,
voltar a pôr o meu enorme vestido branco.
https://www.facebook.com/photo/?fbid=846246301826594&set=a.112750521842846, consultado em 10 de Abril, 2026
Wednesday, April 01, 2026
Nictofilia
Eu também gostava...
P.S. Descobri este escritor DMPR quando ele publicou num jornal o poema Dióspiro. Adorei. Mais tarde, descobri que não fui só eu que fiquei impressionada. DMPR é hoje um dos melhores poetas contemporâneos. O poema acima, que trata o tema da noite, o meu tema favorito, é retirado do seu livro Turquesa. Há almas gémeas. Descubro isto, uma e outra vez, sobretudo em imagens e textos. Também em filmes. E, afinal, não sou só eu que gostaria que não houvesse dia seguinte. Gostaria de ficar aprisionada numa noite linda... Mas todas as noites são lindas.
https://www.facebook.com/photo/?fbid=10239342388516604&set=gm.2783766298495791&idorvanity=157947604411020, consultado em 29 de Agosto, 2025https://www.facebook.com/photo/?fbid=1537127578415341&set=a.382580190536758, consultado em 29 Março, 2026
Thursday, March 19, 2026
Wednesday, March 18, 2026
A Viagem
Saturday, March 07, 2026
Drácula
Três filmes sobre histórias contadas uma e outra vez. Frankenstein. Drácula. Wuthering Heights/O Monte dos Ventos Uivantes. Filmes a partir de grandes obras de séculos passados. 1818. 1897. 1847. O primeiro e o último escritos por mulheres: Mary Shelley e Emily Brontë. Drácula é da autoria de Bram Stoker. Todos são interpretações ou versões dos livros. Todos os filmes são monumentais. Grandiosos.
Neste vídeo pergunta-se: por que motivo nos identificamos com o Drácula? A sério?? Por tudo. E ainda porque este actor excelente interpreta uma das personagens mais fascinante da Literatura.