Rest in Peace

Thursday, March 19, 2026

Dia do Pai Aristides Rocha


 Não me esqueço de ti... beijinho.

Wednesday, March 18, 2026

A Viagem

 

Abri a porta e saí para a rua. Estava na hora de iniciar a minha viagem. Não era apenas uma deambulação, como tantas vezes faço. Era uma viagem. A comprová-lo, bastaria ver a mala sem rodas que pendia da minha mão. Mala vazia, claro, porque o peso tiraria todo o prazer e leveza da minha viagem nocturna, a pé, pela linha escura do horizonte.


Teria que atravessar uma série de campos profusamente cultivados: milho, morangos, couves, pimentos, etc.. Tudo muito verde e colorido, embora, no escuro da noite, não se pudesse apreciar devidamente, claro, nem o verde nem o colorido. E lá seguia eu, no meio das couves, em direcção ao meu destino, esperando que ele não tivesse mudado de lugar. É este, aliás, o único inconveniente dos sonhos, nunca se sabe bem o ponto de chegada. Mas também não interessa. Interessa, isso sim, evitar a luz do dia. A todo o custo!


O dia é o palco da realidade e esta é sempre de evitar. Especialmente a última moda em realidade. Não sei se acontece só comigo, mas a minha realidade anda cheia de gente apodrecida, gangrenada. Não vejo ninguém com boas cores. É só gente meio podre ou completamente podre. E gente muito velha e triste. E jovens. Mas os jovens também estão apodrecidos, embora não o saibam, porque se vêem muito ao espelho e o espelho lhes diz que eles são os jovens mais belos de sempre. E eles acreditam. Interrupção. Um momento. Só os morangos negros claros, do campo cultivado da minha noite de viagem, conseguem afastar os meus pensamentos da realidade insalubre da luz do dia.


Mais uns passos e cheguei. Está tudo no lugar: árvores enormes, com candeeiros de luz amarela no meio delas. E uma cerca em torno de um bosque ali perto. Que beleza! Não pensei que conseguisse vir duas vezes a este sítio. Mas consegui. Poderia voltar para trás, para casa, fazendo a viagem de regresso. Mas há um portão aberto na cerca do bosque. Entro. Sinto, então, que o dia está para amanhecer, juntamente com as pessoas e as suas coisas. Há casas ao longe. Há fumo a sair das chaminés. Adivinha-se movimento, vozes, bulício: tudo coisas a evitar! Ainda tento sair do bosque, mas o portão da cerca já está fechado. Procuro, então, uma árvore grande que me proteja e a minha mala abre-se para me esconder. É uma mala enorme. Quem diria? É confortável. Toda forrada de cetim branco. Há até algumas flores em meu redor. Mantenho-me quieta, deitada, as mãos sobre o peito e os olhos fechados. Descanso.


Sei que à hora do cair da noite, quando os monstros apodrecidos recolherem às suas casas e desocuparem as ruas, a mala vai abrir-se novamente, para eu continuar a minha viagem.


(continua, talvez)    
https://wall.alphacoders.com/big.php?i=1364036, consultado em 15 de Março, 2026


Saturday, March 07, 2026

Drácula


É tudo lindo. Tudo. Mas a voz... 

Três filmes sobre histórias contadas uma e outra vez. Frankenstein. Drácula. Wuthering Heights/O Monte dos Ventos Uivantes. Filmes a partir de grandes obras de séculos passados. 1818. 1897. 1847. O primeiro e o último escritos por mulheres: Mary Shelley e Emily Brontë. Drácula é da autoria de Bram Stoker. Todos são interpretações ou versões dos livros. Todos os filmes são monumentais. Grandiosos. 

Neste vídeo pergunta-se: por que motivo nos identificamos com o Drácula? A sério?? Por tudo. E ainda porque este actor excelente interpreta uma das personagens mais fascinante da Literatura. 
E depois temos Frankenstein e Heathcliff representados pelo mesmo actor: Jacob Elordi. Belíssimo!


Espero que, entretanto, façam mais uma versão de Pride and Prejudice, Jane Eyre, Rebecca, My Cousin Rachel, The Woman in White, etc., etc.

Mas este ano, para mim, o Óscar vai para Drácula, para o excelentíssimo Caleb Landry Jones. 





 


 

Thursday, March 05, 2026

Lobo Antunes


Lobo Antunes tinha uma forma nostálgica de viver. Era um homem diferente. Antigo. Li que não tinha telemóvel, nem computador, nem carro. Não queria ser como todos os outros... ainda bem.
Descanse em paz!

 

Sunday, March 01, 2026

Papaoutai


Muito a propósito. Uma canção motivada pela morte de um homem - um pai - no genocídio do Ruanda. O filho escreveu esta canção... 

 

O mal

 


Este criminoso, julgado e condenado por uma série de crimes, pôde, ainda assim, candidatar-se à presidência dos Estados Unidos. É uma criatura repugnante. Ignorantíssimo, nada sabe, confunde tudo. Não respeita nada. Persegue quem não lhe beija a mão. Mente, mente, mente. Dizia, no discurso sobre o estado da nação, que os EUA estão a viver uma era de ouro: a golden age. Não há crime, não há inflação, tudo está bem. Entretanto, o Secretário da Saúde, quando instado sobre o poder de compra de muitos americanos, dizia que, em vez de bifes, comprassem fígado, que é mais barato. É a idade de ouro: comer fígado e outras miudezas. 
Entretanto, o autodenominado pacificador, aquele que amuou porque não lhe foi dado o Nobel da Paz, não pára de incitar à violência. Ele quer o Canadá. A Gronelândia. Cuba. Já invadiu a Venezuela e pôs o Maduro detrás das grades. Tudo sem consultar o Congresso. Ele quer, pode e manda. Ontem bombardeou o Irão. Khamenei está morto. Mas o seu regime não estará, certamente. Entretanto, o Irão ataca os vizinhos: o Bahrein, o Dubai, etc. Agora mesmo, vejo o ataque ao Burj Khalifa. Não esquecer as mortes dos alunos de uma escola no Irão. Morreram também três soldados americanos. O monte de banha com capachinho diz que é uma morte nobre. É sim... Já ninguém acredita em mortes nobres. Pelo menos, já era tempo de não acreditar nessas MENTIRAS. Não há mortes nobres! Há vidas. E as pessoas, por toda a parte, estavam/estão a tentar viver as suas vidas o melhor que podem. Mas o criminoso, violador e pedófilo quer guerra. Quer fazer tudo o que lhe vem à cabeça. Trata o mundo como se fosse o seu parque de diversões. E ele quer brincar às guerras. Os que o rodeiam, para manterem o seu módico de poder, fazem o que ele quer e não há ninguém que pare este burgesso. Este monstro. São assim as democracias. Há que respeitar o voto do povo, e o povo votou no demente. Pois, mas o resto do mundo não. Pelo menos de algum mundo. O que é que se segue?? 

https://www.facebook.com/photo/?fbid=25950047987952732&set=a.223848480999369

Wednesday, February 18, 2026

A tempestade


Filme impressionante... nem vou dizer a premissa que explica o decorrer da acção. É um mito. Está no YouTube sob o nome The Storm. 
Recomendo a quem aqui vem ler os meus textos, como forma de agradecimento...

 

Sunday, February 15, 2026

A noite...

 


https://www.youtube.com/shorts/NWrjXegW51E
A beleza imensa...

Golden Brown


Sempre gostei desta canção. Sempre! Na versão integral dos Stranglers. Ultimamente ouvi-a uma e outra vez como banda sonora de vídeos curtos, com imagens de sonho, de tudo aquilo de que eu gosto e me faz pensar que há gente como eu por aí fora, pela Internet. Gente que gosta da noite, de castelos góticos, noites chuvosas, caminhos sinuosos, tudo molhado, enevoado e com comboios fantasma a andar, lentos, na paisagem. E que gosta também de melodias de que eu gosto e a um ritmo que eu não sabia que gostava. Onde anda essa gente? Sei, por mim, que não será gente de falar, fazer amigos, trocar experiência - quais? -, é, sim, gente que procura na arte, na Literatura, na Pintura, na Música, na Escultura, na Arquitectura imagens para ver, para esquecer as "experiências de vida", não para partilhá-las, para fazer uma comunidade ligada pelos interesses comuns. É gente, também, que fica no seu canto, embora atenta, para não perder nada que possa mergulhá-la num mundo de fantasia em que não há solidão. Não falta nada. Com os olhos cheios de noite e chuva, e comboios de luzes esbatidas pelo nevoeiro, não há nada mais para querer.  

Ainda assim, um abraço longo e apertado a essa gente ...