Rest in Peace

Thursday, July 23, 2026

And All I loved... I Loved Alone

 



Alone, de Edgar Allan Poe


Desde a infância que não fui

Como os outros eram — não vi

Como os outros viam — não consegui

Alimentar as minhas paixões de uma fonte comum —

Da mesma fonte não tirei

A minha tristeza — não consegui despertar

O meu coração para a alegria com o mesmo tom —

E tudo o que amei — amei sozinho —

Então — na minha infância — no alvorecer

De uma vida das mais tempestuosas — fui atraído

Por todas as profundezas do bem e do mal

O mistério que ainda me prende —

Da torrente, ou da fonte —

Do penhasco vermelho da montanha —

Do sol que à minha volta rolava

No seu tom dourado de outono —

Do relâmpago no céu

À medida que passava a voar por mim —

Do trovão e da tempestade —

E da nuvem que assumia a forma

(Quando o resto do céu era azul)

De um demónio aos meus olhos —


Traduzido com a versão gratuita do tradutor - DeepL.com

Luís Represas

 

Lembro-me de estar em Coimbra e eu e as minhas colegas gostarmos dos Trovante, mas sobretudo de Luís Represas, que era liiiindoooo. 
Não segui muito a sua carreira, embora conheça as suas músicas e os maiores êxitos. Mas, para mim, sempre que se fala no LR, vejo-me logo em Coimbra, com as minhas colegas e amigas, a discutirmos o estilo daquele cantor tão lindo e com um ar tão sério. Lembro-me dos risos, dos comentários. LR é o tempo que passou, para mim... Não foi um tempo feliz, não tenho muita queda para a felicidade. Muitas preocupações, muito medo do futuro, um tempo em que tinha amigas, mas em que sentia que era uma amiga diferente. Tinha, mas não tinha. A par de LR, comentávamos o Marco Paulo e o António Variações. Uma colega imitava muito mal o Variações, mas nós ouvíamos e gostávamos. Um dia, o Carlos Cruz foi muito deselegante com o Marco Paulo, e nós defendemo-lo. 
Ontem, fui surpreendida pela notícia da morte de Luís Represas e, depois, pelas circunstâncias, pelo guardar para si a doença. Também assim sou. Compreendo-o. Descansa em paz, Luís Represas, foste/és o cantor mais lindo de Portugal e um dos mais talentosos.

https://www.coliseu.pt/evento/20270417-luis-represas-50-anos, consultado em 23 Julho, 2026

Tuesday, July 07, 2026

Lamine Yamal

 


Todos os admiradores estrangeiros sublinham o facto de Ronaldo ter ficado sozinho em campo, depois da derrota, sem que a "equipa" se tenha juntado a ele, até por saber que este será o seu último mundial. 

Grandes Montes de Estrume!!!! 

Adiante. Conheço bem esta sensação de ficar sozinha depois de ter feito o que pude para ajudar... Custa muto o virar de costas. Porém, primeiro estranha-se e depois entranha-se, como dizia o outro. Eu escrevi ontem que ia torcer pela selecção da Noruega. Não. Vou antes torcer pela Espanha, como agradecimento pelo gesto de Lamine Yamal, que foi o único que abraçou o meu querido Ronaldo, naquele momento de adeus ao que começou em 2006. 

Obrigada Yamal!!

Depois de Ronaldo, Halaand e Yamal serão os únicos que me levarão a passar alguns - poucos - minutos para saber o que se passa no mundo do futebol.

Monday, July 06, 2026

Cristiano Ronaldo


Um abraço, meu querido Ronaldo! Obrigada! Vi jogos só por causa de ti. Sou uma pessoa anestesiada. Irrito-me no meu trabalho, é certo. Fico apática com o que algumas pessoas me fazem... Não se pode dizer que esteja muito viva, mas também não estou morta: helás!! Por tua causa, saí muitas vezes da minha apatia: enervei-me, defendi-te, elogiei-te; alegrei-me, ri contigo. Tive orgulho de te teres tornado um homem tão lindo e com uma personalidade vincada. Irei seguindo o eco dos teus próximos passos.

 Portugal foi eliminado. O Brasil foi eliminado. Está na hora de torcer pela Noruega, isto é, por Halaand!


https://www.theaustralian.com.au/sport/football/champions-league-wrap-arsenal-barca-and-psg-enjoy-huge-wins-as-erling-haaland-helps-city-past-villareal/news-story/a57af43d39940adfd4814510b31d7c8c, consultado em 6 de Julho de 2026

 

Saturday, June 20, 2026

CRISTIANO RONALDO

 


Portugal empatou e a culpa é, mais uma vez, do "idoso" Ronaldo! A Internet, salvo raras exceções, desanca naquele que já lhes deu mais alegrias do que outro jogador qualquer (penso eu de que). Muitos só sabem que Portugal existe por causa do Ronaldo. O que é que isso interessa? Dirão. Eu acho que interessa.  Por que motivo é que um país com tantos séculos de História se há-de tornar invisível? E porque é que há-de ser um futebolista a dar-lhe visibilidade? Ainda se fosse um cientista, um escritor, um político, enfim, uma pessoa importante... Mas Ronaldo É importante. Ele é um profissional de excelência: dedicadíssimo, disciplinado, motivado, corajoso. É um exemplo dos melhores. Fossemos nós todos, nas nossas áreas, trabalhadores ao nível dele, e Portugal estaria incomparavelmente mais avançado, mais desenvolvido, mais respeitado. Aliás, respeitado, sem mais. 
Compreendo, em parte, aqueles que dizem que ele deveria saber quando retirar-se, sair de cena. Mas duvido que ele não saiba. Acontece que ele tinha como objetivo fazer mais um mundial e ATINGIU esses objetivo. Para tal, preparou-se fisicamente para obviar a idade. Os hábitos alimentares e de descanso e de treino são extraordinários. O indivíduo é um monge. Um monge hiperactivo, claro, mas um monge. Está a dar o seu melhor, a dar visibilidade à selecção. Pergunto: há, neste momento, algum português de destaque no mundial? Quando digo de destaque, falo do ponto de vista de uma pessoa que não tem qualquer interesse por futebol. Ou seja, quando o Ronaldo começou a ser falado, até eu sabia que havia um jogador com aquele nome e aquelas características. Hoje, com a multiplicação dos meios de comunicação, não consigo saber que nome sonante existe no futebol português. Explicando melhor. Eu não procuro informação sobre o Ronaldo, porém ela chega a mim e eu vou retendo isto e aquilo. Mas não me chega nada acerca de outros nomes. Há um ou outro que vão sendo referidos, mas eu não decorei os nomes: não são sonantes. Mais uma vez, é o Ronaldo, o grande, o príncipe - o tolo, o parvalhão que foi aos EUA ver a criatura insalubre - que dá visibilidade à selecção!!
Um jogador novo, cujo nome, lá está, não sei, diz que CR é um jogador como os outros, que não é mais nem menos que os outros. Vejam só o desplante da "jovem promessa do desporto rei"!! Very typical! "Somos todos iguais". É este o lema da modernidade, ou melhor, da pós-modernidade, melhor ainda, da modernidade líquida. Muito gosta esta gente de ser igual. Destacar-se? Não. Ser igual: nem mais, nem menos. É esta aspiração à mediania, à igualdade saloia, ao igualitarismo que explica, em grande parte, a estagnação actual. Porque é que eu gosto/adoro o Ronaldo? Porque tenho a certeza absoluta - ponho a minha cabeça num cepo - de que Ronaldo não quer ser igual a ninguém. Ele quer ser o maior, o melhor, o único. E faz tudo para assim ser. Independentemente dos resultados da selecção, para mim, o Ronaldo será sempre o vencedor, porque ele é um gigante e todos os outros são meros anões nos ombros dele.




Sunday, June 07, 2026

26 927!?

 


26927 visualizações do meu blogue no mês de Maio?? Obrigada!!
Um abraço...

https://art-now-and-then.blogspot.com/2013/08/zdzisaw-beksinski.html, consultado em 12 de janeiro de 2026

Monday, May 11, 2026

Dias esmifrantes, noites palpitantes

 


Ai, os dias, os dias… é sempre o mesmo sol, a mesma chuva, as mesmas pessoas, as mesmas maçadas… enfim! Ontem, pelo menos, aconteceu uma coisa boa: fiquei encravada no elevador! Saquei, então, do admirável telemóvel e telefonei para o número de ajuda, esparramado na parede do dito elevador e tive que dizer à menina: “ah, é que estou presa …!”. “Acalme-se – disse ela – eu mando já uma equipa para a libertar!”. Em abono da verdade se diga, que eu estava calma! Mais, ansiava por atirar-me nos braços espadaúdos da equipa de salvamento. Até retoquei o batom. Porém, quando a equipa, constituída por um técnico, homem vulgar, chegou, dado que não vi nada de espadaúdo, retirei-me do poço do elevador, como se tivesse asas nos pés. Francamente, não há condições para uma pessoa ficar languidamente traumatizada, a cantar o “Frágil, lálálálá, sinto-me frágil… e coiso e tal…lálálála!”. Tirando isto, a vida seguiu o seu curso atabalhoado. As noites, porém, têm sido de aventura imparável!

Ainda no outro dia, presidia eu a um funeral, em plena noite. O caixão vinha numa carreta de madeira puxada por dois cavalos negros, de crina farta e esvoaçante. O cortejo fúnebre, todo vestido de preto, incluindo a cabeça (explique-se: vinham cobertos de roupas pretas da cabeça aos pés), acabou, claro, por se revelar desastroso. Importará dizer que eu avisei, deixem pelo menos os olhos de fora? Não! E era um funeral tão lindo! Eu, então, toda vestida de seda negra e esvoaçante…! Era um espectáculo solene, digno de se ver. Mas, com os entes queridos do defunto às apalpadelas, devido ao excesso de luto, tanto apalparam, tanto apalparam, que acabaram por espantar os cavalos, já fartos de que lhes passassem as mãos pelas pernas (e outras partes)! Foi o lindo e o bonito: as bestas correm para um lado, a carreta é projectada para o outro, o caixão, por sua vez, sai disparado em direcção desconhecida e o cortejo começa a andar em círculos, tacteando  tudo o que lhes aparecia pela frente, principalmente, há que dizê-lo, os traseiros uns dos outros.  

Nesta grande aflição, eu e os outros dois cangalheiros pusemo-nos logo, de telemóvel em punho, pelo meio do mato, à procura dos cavalos, da carreta, do caixão e do defunto, posto que estava cada coisa para seu lado. Fui eu, competentíssima, que encontrei o jazente, que se encontrava a uns bons metros do caixão. Logo comuniquei para o colega encarregado dos cavalos: “ Emergência, repito, emergência. Elemento encontrado, bom estado, caixão desfeito. Repito, caixão desfeito. Over”. Resposta: “ Ó valha-me Deus, repito, valha-me Deus, estamos sem caixões em stock e não há rasto dos cavalos. Over.” Resposta: “Emergência, repito, emergência. Defunto não sai daqui sem caixão… repito, etc. Over”. Resposta: “Momento, repito, momento. À carpintaria. Over and out.” Resposta: “pixté, repito, pixté. Qual out? Alguém que me venha buscar, para levar o jazente à carpintaria. Over.” Resposta: “ Ok, repito, Ok. O Aparício, que anda à procura da carreta, assim que a ache, vai buscar-te a ti e ao jazente. Over.” Resposta. “Um momento, repito, um momento. E se ele não acha a carreta? Fico aqui com o jazente nos braços? Over.” Resposta: “Calma, repito, calma. Plano: eu à carpintaria tratar do caixão. O Aparício continua a procurar a carreta. Tu chamas táxi para levar o jazente à carpintaria. Over.” Resposta: “ Táxi, repito, táxi? E o cortejo fúnebre… por Deus, os entes enlutados? Over”. Resposta: “ Repito, repito, repito. Os entes continuam à roda a apalpar os traseiros uns aos outros. Tudo sob controlo. Over and out”.  

Que noite! Que noite! Foi o cabo dos trabalhos! Mas conseguimos, posteriormente, aliás, muito posteriormente,  proceder ao enterramento sem quaisquer outros sarilhos de monta. Isto se exceptuarmos o facto de que o cortejo acabou também por desaparecer, juntamente com a carreta e os equídeos, que o carpinteiro se recusou a fazer o caixão àquela hora da noite e que o taxista se mostrou extremamente resistente a transportar o defunto à sua última morada. Pior ainda, quando constatou que teria que abrir, também, a sepultura. Mas isso ficou por conta dos meus colegas cangalheiros. Coisas de homens!!!

Eu, recuperado o corpo, e chegado este ao cemitério, dei por acabada a função e fiquei toda concentrada em fazer esvoaçar o meu vestido de seda negra, que ocupava todo o espaço da noite.
https://www.facebook.com/photo?fbid=846245198493371&set=a.112750521842846, consultado em 12 de Abril, 2026


Saturday, May 09, 2026

Me and The Devil


A música é a melhor invenção. Talvez haja melhor, claro. Mas, de momento, ouvindo esta voz, esta melodia, esta letra, não me ocorre nada mais lindo, melhor, mais insubstituível. E, claro, as imagens. Imagens oníricas. O espaço vazio, a porta aberta. É material de sonhos...