Tuesday, June 01, 2021
Sunday, May 30, 2021
I am sorry, Sir, but I am unable to be of assistance in this matter.
Friday, May 28, 2021
Thursday, May 27, 2021
O Sentimento de Si
São 02:22 do dia 28 de Maio. Ainda estou acordada e vou continuar mais um bocadinho. Quando o dia acaba - o dia do ressoar daquela garganta, som ominoso e revoltante, e do repentino fechar de portas: o animal a marcar o terreno com os seus dejectos -, quando o dia acaba, dizia, chego a casa e tento retardar o momento de dormir, de perder a consciência de mim. São os momentos do dia em que tento provar que estou viva, que posso estar de olhos bem abertos, alerta, que posso movimentar-me e olhar em redor, porque não há aqui ninguém para além de mim.
Às vezes, penso como seria bom se houvesse um fantasma na minha casa. Há pessoas que desenvolvem grande cumplicidade com os seus fantasmas. O meu telemóvel antigo costuma iluminar-se a despropósito. Claro que é algo normal, mas às vezes penso que alguém está a tentar comunicar comigo. Por vezes digo-lhe: o que é? O que foi? Na semana passada, depois de apagar a luz, no escuro, portanto, já bem tarde, a luz do telemóvel acendeu-se e apagou-se duas vezes seguidas. E eu disse em voz muito alta, dado que estava tudo em silêncio: ESTÁ AÍ ALGUÉM? Não estava. Confesso que fiquei aliviada, porque seria estranho se ouvisse uma resposta. Mas também fiquei muito frustrada, porque não pude estranhar a existência de resposta...
Friday, May 21, 2021
Monday, May 17, 2021
Mas que maçada!
Há quem diga que quanto mais conhece as pessoas mais gosta se animais. Pessoalmente, cada vez mais gosto dos meus eletrodomésticos. São equipamentos muito úteis: lavam, secam, refrigeram, batem, misturam, aquecem, arrefecem, fazem café, fazem sumos, entretêm-me. E a minha cama elétrica? Só lhe falta falar. E o robô aspirador? Uma graça! Não aspira onde deve, passa mais tempo a trepar para as pernas das cadeiras, mas diverte-me. Claro que eu amo estas criaturas movidas a eletricidade. São minhas! São amáveis. São queridas. A burgessada enrustida, por comparação, mete asco, enoja, tresanda!
Burgessa, eu te detesto!!!!
Imagem: https://escrevercomo.wordpress.com/2013/05/27/o-tedio-como-experiencia-estetica/
Thursday, May 13, 2021
Wednesday, May 12, 2021
Godess on the mountain top...
Monday, May 10, 2021
Uma Rã na Frigideira
Sunday, May 09, 2021
Escola, eu te detesto!
Foi este o título da crónica de António Guerreiro há duas ou três semanas no Público. Nela, falava da brutalidade dos castigos físicos infligidos aos alunos durante a escola primária. Chega a sugerir que tais professores deveriam ser chamados a responder pela tortura que exerceram sobre os alunos. Para estes, a escola era um espaço hostil, de castigos, de humilhações, de reguadas, de medo. Alguém, nos comentários, entretanto, disse que hoje são os professores, muitos dos quais sobreviventes dessa escola do medo, a serem acossados e torturados. E logo apareceu alguém a dizer que os professores, como os capachos, têm aquilo que merecem: ser pisados.
É um dos muitos comentadores que se comprazem em apoucar de todas as formas os professores de hoje, e não perdem uma oportunidade de o fazer. Estão sempre de plantão. Como se fosse necessário! O que não falta é quem dentro e fora das portas da escola se encarregue de os maltratar com palavras, actos e omissões.
Pessoalmente, à minha escola primária digo: detesto-te! À escola secundária, industrial, a muitos professores que lá encontrei, digo: não conseguiste demover-me! Fui mais teimosa! Ao Liceu da Figueira da Foz, digo: estive muito perto de gostar de ti!
Quanto à "escola instituição" em que trabalho, às suas práticas, a cada dia mais desumanizadas, mais frias, mais cruéis, à "escola instituição" negacionista da violência escolar, só tenho a dizer: detesto-te, escola! Detesto-te até ao fim do mundo. Por comparação, a minha primária, a minha industrial e o meu liceu eram bons! Eu era feliz na escola que frequentei e não sabia. Por comparação, claro! A esta escola com e minúsculo, a escola dos números, das metas, das quotas, da vozearia, da falta de solidariedade, do salve-se quem puder, da violência, da imensa violência, eu digo com António Guerreiro, mas em maiúsculas: ESCOLA, EU TE DETESTO!
Nota: por que motivo não mudo de profissão, como perguntam alguns, que se julgam muito inteligentes por colocarem tal questão? Porque não posso! Porque a escola pode até destruir-me ou levar-me a destruir-me, por não conseguir aguentar nem mais um dia. Mas não morrerei de inanição, debaixo da ponte. Não enquanto continuar a receber o meu ordenado ao fim do mês. Perceberam senhores perguntadores?
Imagem: https://jornalacoplan.com.br/2020/09/09/pesquisa-revela-como-esta-a-saude-emocional-de-profissionais-da-educacao-basica-na-pandemia/
Friday, May 07, 2021
Saturday, May 01, 2021
Friday, April 30, 2021
Vídeo removido por ter imagens chocantes
Peço desculpa pelo vídeo que publiquei e tinha imagens chocantes. A Pailin costuma matar as rãs antes de as cozinhar. Aquela, nem tinha reparado, estava apenas atordoada. Os mais sensíveis podem ficar descansados que os estúpidos dos internautas não aplaudem a crueldade contra os animais.
Mas peço desculpa sobretudo à Pailin, minha amiga e companheira, por mais um insulto recebido. Se em vez de viver a vida dela, alimentando-se daquilo que caça e pesca, se limitasse a ir a um café da Baixa Lisboeta, por exemplo, e escolhesse uma lagosta exposta num confortável aquário, lagosta essa que, depois de ser enfiada viva em água a ferver, lhe aparecesse corada e quieta numa travessa, já não teria de ouvir voz de prisão. Eu própria serei um pouco selvagem. E bem. Cresci numa aldeia em que se matavam as galinhas cortando-lhes o pescoço e matando o porco com uma faca directa ao coração. Para não falar da carne que comemos e que provém de animais aprisionados toda a vida - curta - em pequenas jaulas, seguindo depois para o matadouro, onde recebem uma morte indolor, claro. Lembro-me de, no restaurante do meu pai, ver cabritos mortos e esfolados com alguns músculos ainda a tremer, com espasmos. Mas é a Europa, a civilização, o sítio onde o único animal acossado é o ser humano. Não se coloca o ser humano vivo numa frigideira quente, claro, mas ofende-se esse ser humano com palavras duras, virares de costas, desprezo, humilhações, abandono... esquecimento.
É a civilização.
Friday, April 09, 2021
In my shoes
O Príncipe
Morreu o Príncipe Filipe. Hoje, a Rainha ficará sem o seu companheiro de sempre. Seguramente alguém que representava, junto dela, um mundo para sempre passado. Um mundo feito de silêncios, de privacidade, de uma verdadeira ou fingida dignidade. Sem ele, a rainha ficará cada vez mais mergulhada num mundo de vozearia, de irmãos/netos desavindos, de espetáculo, de incumprimento das mais básicas regras da educação e elegância.
Faz-me lembrar o mito da mulher que quis ser jovem para sempre. E assim foi. Ela manteve-se imutável, enquanto tudo à sua volta se foi tornando mais e mais diferente. Farta, incapaz de se identificar com o mundo em constante mutação - para pior - implorava para morrer. Para desaparecer. Quem sabe continua a implorar, incrédula e nauseada, perante os actos dos boçais, dos prepotentes, dos ingratos, dos manipuladores, dos hedonistas, dos negacionistas de tudo.
Todos os que perdem alguém ficam mais sós. A Rainha ficará, parece-me, não só sem o seu Príncipe, como sem o mundo deles.
Não costumo lamentar as perdas daqueles que são privilegiados. Se o fizesse, como poderia conformar-me com as perdas daqueles que nada têm? Como poderia suportar essas perdas? As dos pobres de tudo, os deserdados, os esquecidos, os sem-abrigo, sem amor, sem tudo. Seria insuportável. Mas a Inglaterra é a mãe da "língua do mundo civilizado": o inglês. A língua que estudo, que ensino e que tornou o meu mundo - pequenino, limitado - num espaço infinito e sem fronteiras. Sem a língua inglesa, seria também uma indigente completa. Não teria nada. Por isso, como cumpre agradecer ao que tornou a nossa viagem pela terra uma coisa suportável, algo que nos inibe de implorar para desaparecer, como a mulher para sempre jovem do mito, estou hoje a lamentar a morte do Príncipe Filipe. Ou melhor, a lamentar a perda da Rainha, que ficará, a partir de hoje, irremediavelmente só.
Wednesday, April 07, 2021
Já é dia 8 de Abril
Já passou. O Google alegrou-se muito por mim. Com bolos e fogos de artifício. A minha mãe estava um pouco desolada, creio que até com pena, uma coisa vinda de algum sítio generoso e desconhecido, não se conformava com o meu jantar: sardinhas de conserva. E bolo? Esqueci-me. Ontem saí, tive de ir trabalhar e fazer o teste - ridículo!! -, mas esqueci-me de comprar bolinhos ou qualquer coisa. Fez silêncio. Drama? Aproveitei para dizer: adoro sardinhas de conserva. E é verdade. E a conversa continuou. Sempre a fazer de conta. Falar à bebé...
It's life!
Sunday, April 04, 2021
Englishman In New York
Wednesday, March 31, 2021
Monday, March 15, 2021
Vá uma pessoa entender...
Estou com o humor de quem acabou de ler que a lei da eutanásia foi vetada! Suas excelências tiveram dúvidas acerca da redação do diploma. Entre outras coisas, suscitou-lhes dúvidas o que seria "sofrimento intolerável"!!! Ele há gente com muita sorte.
Entretanto, ando há séculos a ser aliciada para funerais - o meu, certamente - e cremações. Perguntei a uma colega se tinha visto. Que não. Pois eu, é dia sim, dia não. Também me aparece frequentemente a indicação de que posso encontrar um parceiro no Fundão! Quão desesperada tem uma pessoa de estar para cogitar ir ao ataque para o Fundão. É um festival de burrice...
PS: sugiro que a lei da eutanásia seja redigida pelo autor destes anúncios, pois não me restam quaisquer dúvidas daquilo que eles querem dizer: aproveite agora... que os funerias estão a preços surpreendentes e siga logo para o crematório, pelas mesmas razões.
Tuesday, March 09, 2021
Semana da Leitura
A semana que ontem se iniciou será pejada de tantas iniciativas "culturais", que a leitura vai levar da perna. Aliás, hoje, para além "daziniciativas", tinha dois webinares, porque um mal nunca vem só, e já tenho agendada mais uma reunião! Ora, como hoje já tenho a cabeça em água, depois da parte da gramática do eu, me, mi, comigo, etc., e como estive a tarde inteira agarrada ao computador, vou aproveitar para ler até aí às 11 da noite, altura em que, depois da passagem pelo duche, prevejo que esteja pronta para me agarrar novamente ao computador ....
Entretanto, como disse, vou ler. Literatura do nonsense, da ironia, do surrealismo. Enfim, Literatura de corte com a realidade imediata, de crítica, sim, mas sem agendas políticas, ideológicas e outras. Livros, merda, apenas livros, grandes livros. Cheios de som e de fúria. Significando NADA!!
Isto de tratar a Literatura como leitura do mundo, está a dar cabo da puta da literatura e do cabrão do mundo. E chateia, senhores!
PS: a propósito, o Paulo Guinote já começou a fazer o Index Politicamente Correcto da Cultura Portuguesa! :)
Sunday, March 07, 2021
O racismo de Os Maias e o .... coiso do outro do Bocage.
"Ou Travolta"nos
clássicos portugueses. Na semana passada, saiu uma notícia no Observador -
jornalzinho deprimente, só se safam as crónicas sobre literatura - acerca de
uma conferência nos EUA sobre Os Maias, em que
se apontava o racismo que permeia a obra. Desde logo, as associações
benignas em torno da branquitude e as negativas em torno da negritude. Os
comentadores do Observador, nacionalistas e negacionistas do Covid e, quiçá,
terraplanistas, atiraram-se às canelas da investigadora, espumando de fervor
queirosiano. Eu própria também espumei. Mas não sou negacionista, nem
terraplanista e só moderadamente nacionalista. Bom, hoje vem no Público a
notícia sobre o racismo nos Maias, segundo a professora universitária de
português e doutoranda de estudos "luso afro e creio que
brasileiros", nos EUA. Mais, vem a opinião de que Os Maias devem ter uma
nota pedagógica falando dessa faceta racista e - aqui é que eu fervo e espumo -
não se recomenda a proibição da leitura do romance. Deixa-me citar, que é melhor:
« “É um material para explorarmos
valores e comportamentos relacionados com a raça que existiam na época, mas que
continuam a se manifestar em vários aspectos da sociedade actual. Não vejo o
cancelamento de sua leitura como uma solução.”»
Ora bem, para além do
anacronismo, do ler uma obra do século XIX à luz das ideologias deste triste
século esquizofrénico, o que me põe de cabelos em pé é o desplante de sequer
conjeturar o cancelamento do livro. É que não sobrava livro nenhum! Ia tudo
para o galheiro. Os comentadores do
jornal Público, que são mais civilizados, apresentaram argumentos mais
sensatos, embora quase todos no sentido de defender o nosso Eça e os nossos
Maias. E eis que há até quem dê pistas sobre novas leituras:
«Espero com curiosidade que a investigadora
se debruce sobre o mérito e o racismo do Bocage e da "Ribeira" onde
ele enaltece épica e poeticamente o marsapo e as "Ações famosas do fodaz
Ribeiro, preto na cara, enorme no mangalho". Aqui sim, desde o título ao
último verso penso que há mais que abundante matéria para a investigadora e
dezenas de investigadoras descobrirem racismos em barda na sociedade portuguesa
anterior ao Eça que dariam para várias teses de doutoramento e agregação.»
No meio disto tudo, só o
adjectivo fodaz para me fazer rir.
https://www.publico.pt/2021/03/07/culturaipsilon/noticia/passagens-racistas-maias-justificam-nota-pedagogica-defende-investigadora-1953397?fbclid=IwAR0240juAu919yl-xRju1AoQpHIBb-GFf1yDNLZajGi5mhEhd46UdqFL0g4, consultado em 7 de março, 2021
Friday, March 05, 2021
Juiz indiano "condena" violador a casar com a vítima para evitar a prisão
Acabo o trabalho, vou desligar o computador e vejo esta notícia para me dispor bem depois de uma semana de merda.... e que nem foi das piores...
Criminosos, atrasados, ogres, obscurantistas, nojentos ... juiz indiano???? juiz????
Tuesday, March 02, 2021
Monday, March 01, 2021
Friday, February 26, 2021
O Homem dos meus Sonhos
Aquilo de que mais gosto na vida, aliás, a vida vale a pena, porque podemos sonhar enquanto dormimos. Sou viciada em sonhos: os meus.
Quantas vezes desejo poder ver as paisagens, as cidades, as pessoas que encontro nos meus sonhos. Quando alguma imagem é particularmente marcante e nítida, desejaria conseguir desenhá-la. Mas não. Não sou capaz. Por isso procuro escrever. Durmo com um gravador junto de mim, para poder ditar alguma história, descrever alguma personagem, descrever algum sentimento sublime e que, inevitavelmente, vai desaparecer. Estou sempre atenta às minhas aventuras nocturnas. Hoje, por exemplo, lembro-me de que estava numa situação muito confusa e que estava com medo. De tal modo que, quando se abriu uma porta para entrar alguém ou alguma coisa, só vi uma mancha vermelha e forcei-me a acordar. Já acordada, com algum medo do escuro, tapei-me, liguei o tablete, para espantar os fantasmas, e finalmente, com o coração mais calmo e a respiração controlada, recriminei-me: porque é que acordei? Possivelmente nunca mais verei aquele sítio medonho e eu queria ver. Queria. Queria. Queria até ao infinito. Mas, quem sabe Beksinski também já esteve naquele sítio e deixou-o numa tela que eu ainda hei-de encontrar, como encontrei hoje este homem.
Eu vi homens assim há muito tempo, ainda nos anos 80. Homens que depois tornei a encontrar já no século XXI. Homens que não vêem, não porque sejam cegos, mas porque não é necessário que o façam. E Beksinski tem ainda outros homens mais parecidos ainda. Altos, com a cara coberta e os olhos enigmáticos. E o cabelo? É cabelo ou é uma penugem macia, longa? Os meus homens têm este pêlo longo e macio no corpo todo. E aquele mar azul também já o vi. Muitas vezes!
Beksiński w Warszawie. Wystawa obrazów Zdzisława Beksińskiego [INFORMACJE] | naTemat.pl, consultado em 26 de fevereiro, 2021
Tuesday, February 23, 2021
Há dias assim...
Agradeço encarecidamente à pessoa que prepara estes instrumentos de autoanálise, porque me permitem exprimir os meus sentimentos de forma superior. Capital! Capital! Como dizia o outro, em inglês, em Pride and Prejudice.
Estes gatos são um verdadeiro espelho da minha alma. O 1 representa-me quando estou em atividade culinária desastrosa, naturalmente. E a minha comida também esverdeia com facilidade. O 2 sou eu a ser simpática, verdadeiramente simpática aliás. A dar o meu melhor no campeonato da simpatia, digamos. Representa também a minha cara de consolo em actividades culturais de pendor literário. O3 sou eu a pensar na morte da bezerra, coisa que faço amiúde e em concomitância com pensamentos do tipo: sou um deserto, sou tão boa a pôr as pessoas a milhas de mim. O 4 é a minha cara de contentamento profissional: faz-se o que se pode! A pessoa tenta fazer o seu melhor, e a mais não é obrigada, naturalmente. O 5 é quando a pessoa tenta levar o contentamento ao nível seguinte, tenta, como se costuma dizer, arreganhar a pragana. É, digamos, um upgrade em termos de alegria. A pessoa esforçou-se e já consegue mostrar os dentes. O 6 exprime aquele estado em que a pessoa já está por tudo: porque é que se há-de ter a língua na boca se é possível tê-la de fora? Estamos numa democracia! Somos livres de ter a língua onde nos apetece. Eu tenho muitos momentos deste jaez. É a minha forma de ser rebelde. O 7 representa, naturalmente, um upgrade em relação à rebeldia, que consiste em ter a língua de fora, mas em canudo. Para aprenderem! A 8 nem carece de explicação. É uma cara de espanto verdadeiro, quando se ouve uma coisa acertada, verdadeira, sensível, sensata, linda. Boa! É expressão que raramente exibo. E agora a 9, que fala por si. Que mais podia ser senão aquele momento em que, depois de não poucos esforços, conseguimos, felizmente, mostrar descontração e contentamento com tudo. Com as pessoas e a humanidade em geral, bem como tudo o resto: a vida! Essa coisa maravilhosa que é a vida.
Respondendo agora à pergunta, direi que me sinto como o gato 9. Feliz e contente. Afinal, quem é que gosta de ser carrancuda? É certamente o meu mau feitio que leva as pessoas a ignorarem-me. Mas agora, com este ar, sou um verdadeiro íman. Só quero ver quem se atreve a virar-me as costas. Olhem bem para mim em figura de 9 e digam: conseguem resistir-me? Hein?
Thursday, February 18, 2021
Rotina Diária
Vou abrir uma pasta e dou-me conta de que tenho o registo, parcial, do meu horário de trabalho. Isto, só nesta pasta. Entretanto, estou à espera... parece que me deram uma sova. É como se as minhas articulações estivessem liquefeitas.
A função tornou-se nisto. Fora as reuniões, os encontros online, os "webinares", as "formações" sem fim. Ah, e os emails, o estar atento ao email.
O silêncio, apanágio do "ócio", desapareceu. Tudo tem de ser dinâmico, activo, etc.
Cansaço!
Monday, February 15, 2021
Carnaval 2021
Por falar em tempos, estou a viver a minha fase burocrática: representação e agora só me faltava avaliação, ou melhor, observação de ... daquilo que há para observar. Não quero. Não posso. Ando cheia de trabalho. Mais: não concordo com a função. Observarem-me a mim? Quem? E quem sou eu para observar os outros? Ridículo! Inútil! Meramente burocrático! De faz de conta.
Count me out!!
Em Podence, os Caretos chocalham a pandemia | Fotogaleria | PÚBLICO (publico.pt), consultado em 16 fevereiro, 2021
Monday, February 08, 2021
Morte em Veneza
Monday, February 01, 2021
Os Caçadores de Livros
Quando li acerca deste livro, fiquei em dúvida se devia comprar. Um ensaio com laivos de romance? Foi o que percebi, e não me agradou. Ensaio é ensaio! Estou farta de abastardamentos de toda a ordem. Mas comprei, porque a história do livro e da leitura, organizada por Roger e Chartier, bem como os ensaios de dois investigadores portugueses, que agora não recordo, acerca do mesmo tema, não esgotaram, para mim, o assunto. Precisava de saber mais. E comprei, por isso, este livro tão premiado e tão recomendado, e bem!
A abordagem é, de facto, diferente. Irene Vallejo está sempre presente no livro, a reger as fontes, como se de uma orquestra se tratasse. O livro prende, como uma obra de ficção, porque surpreende. Mas, pessoalmente, aquilo que mais admiro é a erudição. Esta é a obra de uma investigadora cujo deslumbramento, na recolha de informação, está presente no livro de uma forma palpável. Tudo o que é dito traz esse lastro de prazer associado à descoberta. Por consequência, as palavras, as frases surgem como explosões de fogo de artifício. A autora sabe que tem uma boa história para nos contar e vai-se demorando em detalhes, que acrescentam, claro, mas atrasam a "matéria" principal. A autora sabe que todo o prazer está no antes, na expectativa e, assim, vai avançando em círculos, deixando-nos à espera do que vem a seguir. Para já, estou a adorar a história da Grande Biblioteca de Alexandria, bem como das façanhas de Alexandre o Grande.
Este é um livro para ler e tirar apontamentos. É assim que eu leio, com apontamentos, tudo aquilo de que gosto. E recomendo, claro!
Friday, January 29, 2021
Quem sou? De onde venho? Para aonde vou?
Tenho feito sempre estas perguntas ao meu eu filosófico. Mais: quando viajo, é para ir à procura de mim! AhAhAhAh! Agora que já nos rimos um bocadinho, vamos às coisas sérias.
Thursday, January 28, 2021
Saturday, January 16, 2021
Friday, January 15, 2021
Na Lama!
Literalmente nos lamaçais. Mais uma corrida, mais uma viagem. A inefável Adélia em mais uma caça aos gambuzinos. Se eu fosse uma pessoa importante, daquelas que têm direito a epitáfio, o meu seria o seguinte: A maior caçadora de gambuzinos de que há memória. E apareceria uma imagem minha, em traje apropriado, com uma fisga e um pé sobre um gambuzino.
Épico!
Friday, January 08, 2021
8 de Janeiro, 2021
Wednesday, January 06, 2021
Saturday, January 02, 2021
Back to books
Friday, January 01, 2021
Monday, December 28, 2020
Sunday, December 27, 2020
Ciência, Medo e Gambuzinos
"É necessário um diálogo entre vários saberes, os da biologia, das ciências sociais e das humanidades, para que possamos tirar partido dos conhecimentos (...)." Etc.
"Para que a ciência e a tecnologia sejam compreendidas, é necessário um diálogo abrangente de saberes. É necessária uma cultura, da qual a ciência faça parte. É preciso quebrar o estranhamento que a ciência causa e abraçá-la na nossa cultura, ansiando por uma continuidade e comunhão de conhecimento. A cultura é o cimento da humanidade e tanto a ciência como outros saberes devem coligar-se em favor do nosso bem-estar."
David Marçal tenta, num excelente artigo que escreve no Público, explicar o lugar da ciência, criticando, a partir de alguns exemplos, a ignorância que tem sido manifestada, com especial relevo para o momento actual, acerca do conhecimento científico. As reacções em relação à vacina são bastante reveladoras - o presidente de um certo país diz que a vacina transforma as pessoas em jacarés. Mas o que mais me chamou a atenção foi a referência a outras áreas do saber, dado que alguns cientistas consideram as ciências sociais e as humanidades pouco menos que totalmente inúteis. E não são. Há grandes sociólogos e filósofos, entre outros, que dão um contributo fundamental para compreender o mundo em que vivemos. Mais: fornecem conceitos que nos situam e nos permitem espreitar a complexidade daquilo em que estamos inseridos.
Muito se fala de o medo e a obediência serem o alicerce em que se erguem as ditaduras. A obrigatoriedade de usar máscara, respeitar o distanciamento social, etc., são vistos por muitos como formas de manter os cidadãos acorrentados e numa espécie de exercício para a obediência total aos políticos. Esses, parece-me, são os cidadãos verdadeiramente amedrontados.
Pessoalmente, como sofro de uma repulsa miudinha por uma série de coisas, pelo-me pela mascarinha e o gel. Como detesto beijos e aproximações, não podia estar mais satisfeita com o abençoado distanciamento. O confinamento é para mim, há muito, a minha forma de vida. E não poder viajar para fora do meu concelho? Que bom! Não posso, por isso, servir de exemplo de alguém que usa todas estas estratégias de proteção e de cara alegre. Tapada e cheia de vincos e não raro afogueada, mas alegre. Se tenho medo? Claro que tenho medo. Não há nada que eu tema mais que as doenças, aqueles estados de fragilidade que nos fazem ir para o hospital ou andar de médico em médico, que é o material de que se fazem os meus pesadelos. Já de morrer... who cares? Mas, dito isto, saio e faço o meu trabalho e não recuso nada. Olhem-me na 4.ª feira, sozinha na sala X, a trabalhar no meu computador no meu local de trabalho! Não estou paralisada com medo da doença ou da perspectiva de que os políticos no governo estejam a preparar-se para impor uma ditadura. E não estou porque acredito na ciência e as medidas sanitárias são "impostas" pela ciência. Depois, num mundo em que há políticos duma ignorância confrangedora e de personalidade repulsiva até ao vómito, em Portugal, o mais alto magistrado é alguém que eu admiro, de que eu gosto, em quem eu tenho confiança. Por outro lado, eu só assomo à realidade de vez em quando, o que é mais do que suficiente. À medida que a minha idade avança e que as minhas lutas e angústias são cada vez menores, assim vai diminuindo o meu medo de seja o que for.
Venha o que vier, estou cada vez mais perto de esgotar a minha esperança de vida. Quero lá saber do medo...
A ciência entre a ribalta e o estranhamento | Ensaio | PÚBLICO (publico.pt), consultado em 27 Dezembro, 2020
Sunday, December 20, 2020
Tuesday, December 15, 2020
Tea and biscuits
Há que dizê-lo com toda a frontalidade: que dia de trampa!
A hora de deitar, apesar de tudo, costuma ser moderadamente feliz: pelo menos não tenho que ver a fronha de mais ninguém. Claro que há quem goste "de acordar mais um dia, é sinal de que estamos vivos", dizem, com evidente alarvidade. Pessoalmente, prefiro deitar-me. Já que estou viva mais um dia, pelo menos que possas vestir um pijama, tomar um banho - não por esta ordem . e deitar-me na minha cama, que é a minha peça de mobiliário preferida.
O outro tonto perdeu completamente o sentido do ridículo. E falando em ridículo... a criatura a beber chá e a comer bolachinhas, produzindo uns ruídos estrondosos e muito satisfeitos, cheios de lambidelas nos lábios. Foi a coisa mais interessante, aliás, deveras interessante, dos últimos tempos. Onde quer está uma coisa que vale a pena apreciar, quando menos uma pessoa se precata...
Saturday, December 12, 2020
Saturday, December 05, 2020
Sunday, November 22, 2020
Os anos 80...
Saturday, November 07, 2020
Back to normal!?
Joe Biden venceu as eleições!
Agora, o cavaleiro da triste figura vai fazer o seu último acto. O estilo estapafúrdio, ignorante, preconceituoso e obscurantista, muito obscurantista, não vai contudo desaparecer. Os estapafúrdios vieram à luz do dia, sem vergonha na cara, muito ufanos da sua "frontalidade", do seu politicamente incorrecto. Entre o medonho politicamente correcto e o sinistro politicamente incorrecto, venha o diabo e escolha.
Mas, para já, respira-se melhor.
















































