Monday, July 13, 2020

A Ausência



Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drummond de Andrade

Guronsan... Eno... Qualquer coisa.... please!


Aaarrrrgggghhhhhhhhhhh 

Não bastava eu ter a mania de pôr a loiça suja em cima da máquina em vez de dentro da máquina, e agora isto.

Já é bastas vezes mau ouvir O Homem que Mordeu o Cão, enquanto tomo o pequeno-almoço ... hoje por exemplo: as façanhas de uma criancinha numa casa de banho a fazer pinturas *castanhas* nas paredes. Need I say more?  Mas eu já estou vacinada. 
Há porém uma infestação de anúncios e cantoria no YouTube, uma coisa desmedida. Há algum tempo, só tinha de preocupar-me com a pasta de dentes contra o .... uhhhh ... sangramento das gengivas,  que apresentava um desagradável misto de cuspo e sangue a escorregar num lavatório em direcção ao ralo. Um pesadelo! Um pavor. Ontem, porém, estava eu consolada a encher-me de  Nutella em pequeninas tostas, de tal modo que até fiquei assada nos cantos da boca, devido ao excesso de chocolate, quando ouvi: aprenda a tirar a cera dos ouvidos. Fechei logo os olhos! Mas ainda vi uma coisa parecida com a extremidade de um parafuso que, presumo, é para atochar nos ouvidos e extrair a dita cera! 

Senhores da publicidade: contenham-se! Há gente a querer alimentar-se.  

Friday, July 10, 2020

A VIDA DOS INDÍGENAS BRASILEIROS IMPORTA



«O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, vetou um projecto legislativo que obrigava o Governo federal a fornecer água potável, higiene e camas hospitalares a indígenas, por serem considerados “grupo em extrema situação de vulnerabilidade” durante a pandemia de covid-19.»

«Bolsonaro justificou o veto de 16 alíneas do projecto legislativo argumentando serem contra o interesse público e inconstitucionais, por criarem despesa obrigatória sem demonstrar o “respectivo impacto orçamentário e financeiro”.»

GENOCIDA!

https://www.publico.pt/2020/07/09/mundo/noticia/bolsonaro-veta-lei-define-indigenas-grupo-extrema-vulnerabilidade-1923744

Imagem: https://g1.globo.com/mt/mato-grosso/noticia/2020/01/18/indios-repudiam-exploracao-de-terras-indigenas-em-carta-ao-congresso-escrita-em-reuniao-mobilizada-pelo-cacique-raoni.ghtml

Tuesday, July 07, 2020

Mon Cherry!


Huuummmmmmmmmm. Não pode crescer mais aqui, mas ainda falta ali: 4 dedos! É muito dedo ainda. Talvez em setembro esteja bem. Talvez... 

Cerejas




Mais um dia quase a terminar. Faltam ainda uns quantos relatórios, mais um avanço na correção do portefólio, um banho, e depois é cama mesmo. Ando a arrastar-me... 
Hoje, finalmente, estreei a minha máscara das cerejas. 5-line-masks Premium cherry. Foi a melhor parte do dia. Tive de ir à rua, o que é sempre perigoso, e não falo do vírus ou só do vírus. Por falar,  que bela palavra, covíboras. Imaginativa. E não fui eu que inventei! 

Friday, July 03, 2020

Wednesday, July 01, 2020

Ler para Esquecer...


A lata dos incompetentes! Deve ser muito triste para certas pessoas verem-se numa profissãozinha como esta e serem, portanto, NADA. Como são NADA e nada podem e levam nas orelhas dos outros nadas - eu vi -, andam sempre em busca de um nada da categoria nadinha ou nadinha mesmo, para poderem eles arrear também! Mas é vê-los, desfazendo-se em tutoriais e webinares, as novas pragas a par da Covid, do corona, das coironas e do novo vírus da gripe suína que se perfila, na pole position,  para nos entrar pelos orifícios faciais: ele é  as narinas, ele é o bucal, o orelhal, os poros, sei lá... um arraial de orifícios. 
Andam os profissionais da indústria da metafísica e outras metas  - só metas -  de boca cheia de digital e de mais digital e nem têm arcaboiço para fazer os mínimos. Aliás, os minimosinhos. É como as pontes. Só depois de feitas é que se fazem os acessos, de preferências quando as pontes, de velhas, já não se aguentam nas colunas. Very Typical!
E aquela coisa, credo, parece uma rede e não é de pesca. As boas redes de pesca de antanho, sendo cerzidas por agulhas de madeira à beira-mar. Hoje é aquela tristeza, aquela vozearia, aquelas fronhas, de sorriso bovino, plasmadas em múltiplas fotografias. Que bicheza, que selva. É só poluição. Estou derreada. Pudera!!
Tive de ir à Wook em busca de livros para sobreviver. E livros de papel. Quero apalpar e não é o Kindle. É papel mesmo. É agarrar-me e não é ao computador, o sítio imundo onde existem aquelas coisas. Aliás, também tenho que comprar um novo computador só com as minhas coisinhas. Um computador limpo, de máscara, com as teclas etilizadas, com software MEU só MEU. Sem as camadas de estrume virtual, digital e o diabo. 
Foda-se!!!




Friday, June 26, 2020

Sunday, June 21, 2020

Saturday, June 20, 2020

Le Silence de la Mer


Um Homem vai vivendo. Vai enfrentando a vida, como pode. Aparentemente tem sucesso. Aparentemente está feliz. Na rua, nas revistas, nas "redes", está feliz. Nas redes, toda a gente está feliz. Ou atormenta de forma soez os que estão felizes. Os obstáculos, as pequenas angústias, o pensar no futuro, o pensar como continuar a ser feliz e a ter sucesso no futuro, tudo aquilo que nos aperta um pouco, que nos sufoca, só se manifesta no palco vazio da nossa mente. Não falamos porque o nosso interlocutor mais imediato se aflige. E não queremos afligir o outro. E não temos ninguém a quem possamos contar o pequeno drama que se vai desenrolando no nosso íntimo. A depressão vai-se confundindo com uma pequena crise. A crise da meia idade. A crise das outras idades. O encurtar de tudo, de tempo, de oportunidades, de amigos. Alguns deixaram-nos devido aos nossos sucessos - pequenos sucessos -, porque não suportam que tenhamos subido um degrau. Não importa qual. Outros nunca sequer foram nossos amigos. E demonstraram-no, posto que sempre nos viraram as costas nos momentos mais frágeis. Mas nós não queríamos acreditar. Nós esperávamos que fosse só um momento, que não se repetiria. Nós não sabíamos que a nossa existência, e tudo que nela existe, era visto como uma espécie de parasitismo. Para nós termos, o outro deixou de ter. A nossa existência teve como contraponto uma série de inexistências e de raiva acumulada dirigida a nós. E nós não sabíamos. Embora saibamos que não foi assim...
E um dia um Homem olha em volta e não vê nada que valha a pena. Já ultrapassou a angústia de pensar na angústia dos outros. Já não vê nada. Já arranjou coragem para dar um fim ao psicodrama da sua mente. Só quer dirigir-se para o mar. O mar grande, onde já nadou, onde já foi feliz. É para o mar que se dirige, mais uma vez, a última, em busca de ser feliz. Pela última vez.

Descansa em paz, Pedro. Podias ter dito alguma coisa, íamos os dois. 

Imagem: Beksinski

Wednesday, June 17, 2020

A ordem


Tudo tão sossegado. As folhas deitadas, as canetas quietas. O computador aberto e silencioso. A mala transparente. O cachecol cinzento descansado, enrolado. As cadeiras afastadas das mesas,
 expectantes. A luz amarelada e triste. Os meus óculos, que mal se vêem. O frasco de álcool, que há muito é meu companheiro, aliado. Nada  - quase - dá conta de mim, algures, ao pé de algum formando. Bem menos quieta que todos os meus objectos...
Foram dias maus. Passados! 

Sunday, June 07, 2020

Obsessões: cabelos e germes



Estava tão bem aqui, o meu cabelinho. A cor estava linda, mas o raio da cabeleireira não infrequentemente enganava-se na cor! Até que me cansei e tomei o assunto nas minhas próprias mão, embora pareça que toda a gente andou a tosquiar-se durante a quarentena. É que não há como a pessoa ser original! Em abono da verdade se diga que o meu cabelo tem andado a compor-se, até já cresceu um pouquinho, embora no sítio errado: where else? Lástima é que não ceda à força da gravidade, é que anda sempre em pé ou, pior, agarra-se-me à cabeça como se temesse despenhar-se no solo. E encaracola-se! Meu Deus, tenho de comprar uma peruca para os dias em que ele está temperamental. Pela manhã, é um desfile de horrores. Hoje acordei com um redemoinho traseiro - não confundir com no traseiro - e uma aba poderosa do lado esquerdo. Tive que recorrer à força dos braços para baixar tudo. Cabelos...
E agora os germes ou melhor perdigotos. Toda a minha vida fui acometida de grande náusea à ideia de que o "ar puro" mais não é que ar reciclado após ter saído dos pulmões de alguém. Não há ar puro! É fake. O ar é um concentrado imenso de perdigotos, germes e outras coisas. Há que tempos eu já usava álcool e outros líquidos para tentar purificar-me. Em certos sítios, ia abrindo o meu caminho a borrifos de álcool misturado com essência de baunilha para disfarçar. Borrifos esses que não raro me caiam nos olhos, o que nunca é bom. Daí que eu seja, talvez, a única pessoa no mundo a gostar de máscaras. Abençoadas: a nossa boca e narizinho - ou narizão - tapadinhos e aconchegados em panos e tecidinhos suaves. Tão vooommm! Penso que encontrei o amor do resto da minha vida. As mascarinhas cirúrgicas e sociais e outras, e também as luvinhas de propi qualquer coisa Aiiiiiiii.

Friday, May 29, 2020

Coisa mais linda


Que pena só agora ter começado a pensar em mim. Já foi demasiado tarde.
E agora parece que o mundo vai acabar: crise sanitária, crise económica. Crise. Crise…

Carpe Diem



Eu resisti durante muito tempo…

Thursday, May 28, 2020

Photoshop


Adeus cabelinho médio. Foi um gosto conhecer-te, mas ultimamente andavas completamente insuportável. Recordar-te-ei sempre com muito carinho. É tudo!

The masked dance



Tenho que tornar a aparar o cabelo... Mas cabelo comprido JAMAIS!



Entrando bem depressa naquela noite escura





Black is Black


Talvez devesse ter-me penteado.


Monday, May 11, 2020

Os Anos 80 - 1980





A música dos anos 80... inesquecível. Tenho sempre a impressão de que fui feliz nos anos 80. Não fui. Fiz a Faculdade. Foi um momento bom, mas cheio de trabalho. Não podia chumbar. Eram dias de biblioteca e estudo e idas esporádicas ao Piolho. Insónias monumentais. Épicas. Eu e a E., a minha amiga das noites em claro.

Um dia, decidimos embebedar-nos, para ver se a bebedeira nos adormecia. Tomámos o que restava de uma bebida muito doce, verde, cujo nome me foge. Depois, como o "maldito" médico a que recorremos, para nos aliviar da vigília permanente que infestava as nossas noites, decidiu receitar-nos um frasco de xarope de valeriana, bebemo-lo também. Ao xarope. Todo, de golada. E não obtivemos mais que uma dor de cabeça fortíssima.

Depois, comecei a trabalhar. Muita peripécia. E dramas familiares…

Conheci também o F., e mais dramas… pesadelo! «Quem é o pai?» A lata!!!

A ida para Faro. As bestas que davam pelo nome de alunos.  LK dizia no outro dia: o professor, hoje, tem de ser psicólogo, sociólogo e, dependendo dos alunos, veterinário, também. Pois. Fui veterinária. Fui tão infeliz em Faro… Mas também conheci os alunos mais importantes da minha vida: um deles, um dia, salvou-me. O filho da mãe, se tivesse estado quieto, eu teria sido mesmo feliz nos anos 80. Verdade. E tive alunos dementes: o que vinha com uma arma debaixo do braço e começou a colocar-me as mãos nas costas, por baixo da camisa…

E, não de repente, comecei a deixar de conseguir engolir…

Mas eu lembro sempre, em síntese, que fui feliz. Não fora a análise demorada, caso a caso, e poderia reiterar: fui muito feliz nos anos de 1980.  

Sunday, May 03, 2020

A HERDADE





A Herdade, The Domain, está a passar na RTP, em episódios. E no YouTube, também. Com poucas visualizações. Que pena. Não porque eu ache que a qualidade e os livros, etc., etc. é que deveriam ser divulgados e vistos. Não. Cada um vê o que quer, aquilo de que gosta. Eu sei é que há muito mais público que gostaria. Até do Brasil. Os brasileiros que vêem as palestras de LK - e ele tem merecidamente imensos seguidores -  gostariam certamente de A Herdade.

Interessante. Os youtubers brasileiros são seguidos por portugueses, moçambicanos e também espanhóis. Os espanhóis têm seguidores brasileiros e portugueses. Há muitos brasileiros a seguir canais portugueses de YouTube. Mas não noto que haja espanhóis, a não ser em Aqui não há quem viva. Também há alguns africanos a seguir portugueses. Só conheço uma youtuber moçambicana, que é seguida maioritariamente por brasileiros e alguns portugueses. Desta gente que encontro no YouTube, inclusivamente espanhóis, muitos gostariam de ver A Herdade. Porquê?

Porque tem conteúdo, história, História, porque tem uma paisagem linda de morrer. Porque os actores são excelentíssimos e ALBANO JERÓNIMO, o protagonista, é demolidor: lindo, alto, carismático, voz belíssima. E bom actor. Claro!

Tuesday, April 28, 2020

Matching Point


Amanhã, terei de sair. Ir à farmácia. Usarei máscara! Se eu me atrevesse a colocar o meu lenço, como faço à noite. Se fosse inverno. Se os dias fossem pequenos.
Eu devia estar bem. Estou em casa.
Não encaixo em lugar nenhum...

Saturday, April 25, 2020

Friday, April 24, 2020

After Eight

Com o meu jeito para usar a tesoura - à quinta quase foi de vez - , e a bendita espuma para o cabelo, posso dizer adeus ao salão de cabeleireira para sempre. 
Alívio! 



Monday, April 20, 2020

Hair


Nos filmes, as personagens agarram numa tesoura e dão umas tesouradas no cabelo. E ficam bonitas. No outro dia, fiz o mesmo e mal pude esperar para me ver bonita no espelho, com as melenas ainda esparramadas no chão. Continuo à espera...

Thursday, April 16, 2020

R, Adele R


Só espero não assustar o entregador do Continente...

Luis Sepúlveda






Vídeos stock de Águas calmas, Filmagem de Águas calmas livres de ...
Morreu!?

Imagem: pt.depositophotos.com

Wednesday, April 15, 2020

Realidade Líquida





As notícias quase estarrecem. Quase, na medida em que nada se inscreve verdadeiramente no quotidiano grotesco do momento actual, não actual e desactual.

Muito se fala de mortos. Pedi à minha mãe que não me contasse as notícias, posto que eu me afadigo para ignora-las. Mas ela, naquele dia, estava deveras estupefacta, não só pelo número, como pelo lugar a ocupar pelos mortos. Disse que tiveram de ser colocados num ringue de patinagem no gelo. E que não havia mãos a medir nas agências funerárias. E ainda que os funerais seriam solitários. A minha mãe abismava-se, pois, como se pode ver. Depois, voltou à vaca fria, mas pouco, para dizer que no Equador havia mortos pelas ruas. Decidi então passar os olhos pelo jornal, dado que a minha curiosidade, como se sabe, é mórbida. Com efeito, o que li deixou-me algo …. como dizer… enfim… Havia mortos nas ruas, nas casas, à espera de agentes funerários, que entretanto, dada a pujança do sector, tinham fechado as respectivas agências. Havia igualmente médicos alegadamente a aprender a utilizar ventiladores. E por aí fora: todo um cenário de horror.

Entretanto, leio que num dado país, que não interessa qual, os mortos são contabilizados como recuperados. Porquê? Porque já não contagiam ninguém. Está explicada, assim, a excelência médica que por lá grassa.
Os argumentos contra e a favor do binómio morte de velhos versus economia nem vale a pena explicitar. Há, nas caixas de comentários dos jornais, material abundante, para consulta. Entretanto, outros binómios emergem: pessoas que trabalham com infectados, logo pessoas altamente patogénicas. Algures, os respeitáveis condóminos de um prédio reuniram para impedir a entrada de uma assistente de supermercado no seu apartamento, não fosse ela contaminar toda a vizinhança até à quinta geração. Por falar em vizinhança, em Espanha, uma médica deparou-se com o seu carro vandalizado com os seguintes dizeres: rata contagiosa. Ponto de exclamação.
Inquietante é ler, também, acerca de doentes que fogem dos hospitais que os acolhem; de velhos que são apedrejados quando se encontram, em cadeiras de rodas, em trânsito para outros lares; de infectados que cospem nos outros; de pessoas que lambem prateleiras de supermercado, para gerar pânico; de infectados que se passeiam placidamente, como se nada fosse, etc..

Alberto Gonçalves, numa das melhores crónicas, que escreveu por estes dias, sob a forma de diário, contava o seguinte:

Dia 18. Comecei a aprender fagote para tirar uma fotografia e publicar no Instagram. Quando isto passar tenciono perceber o que é o fagote e, talvez, adquirir um.

Dia 19. Fui à varanda bater palmas aos profissionais de saúde, aos nossos maravilhosos líderes e ao zelo da polícia. Um vizinho incentivou-me: “Cala-te, palhaço!”. Eram 5 da manhã.
https://observador.pt/opiniao/so-eu-sei-porque-fico-em-casa-diario-de-um-cidadao-consciente/

Não admira que eu cada vez menos me interesse pela ficção, encantada que ando com a realidade.

Tuesday, April 14, 2020

O Regresso


Se me tivessem batido, não estaria mais derreada. Mal consigo levantar a cabeça. Vim escrever, porque, apesar de tudo, quero deixar um registo.
É um regresso à verdadeira pandemia…
Um dia, uma colega falava das formas de silenciar os não alinhados. É uma querida colega, mas que por vezes acho que exagera. Porque eu, no fundo, não incomodo, não faço militância, não me interesso verdadeiramente pelas coisas para me deixar perturbar em demasia. Mas não vale tudo. Não. Definitivamente. Penso agora nas palavras da colega e, se as escrevesse, colocaria em frente a todas um visto: confere.
Ainda vou pensar no que vou fazer. Mas dúvidas acerca do que se passa, das estratégias, não tenho. É sempre possível que as pessoas sejam simplesmente estúpidas. Que não pensem naquilo que fazem. Mas, pessoalmente, acredito que tudo fazem seguindo as regras aplicadas às situações concretas. O que não quer dizer que não sejam estúpidas também. Não há coincidências. E mesmo que houvesse, eu, que interpreto o comportamento das pessoas como se fossem personagens num romance, não hesitaria em caracterizá-las como calculistas, manipuladoras e, sobretudo, fraudulentas. São, igualmente, frias, subservientes entre elas - lambebotistas e botadelambidas -, completamente desprovidas de escrúpulos. E de memória. Querem sobreviver a todo o custo, atropelem nesse processo quem tiverem de atropelar. Não lhes importa. Vale tudo, para percorrerem o caminho até à meta da forma menos penosa para elas. É o salve-se quem puder. No fundo, estão tão desesperadas como todas as outras pessoas, mas têm o poderzinho… É a única diferença-
O … por invalidez… Essa não perdoo!

Friday, March 27, 2020

O Natal





Como será o natal deste ano? De repente, dei por mim a ansiar pelo natal… por um tempo lá á frente, perguntando-me se farei parte dele.

Monday, March 23, 2020

Beautifuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuul



Se eu não gostar de mim..

A Vida Parada


Eu hoje tinha prometido que não lia o jornal. Mas acabei por espreitar.
No fundo, estou a fazer aquilo de que gosto. Estou em casa. Mas … não há como gostar.
Detesto a incerteza. Gosto de pisar firme.
Morrer é a menor das minhas preocupações. Mas a doença preocupa-me. Morrer é acabar. Fim. Adoecer é estar dependente. Adoecer é não ser eu, é ficar à mercê dos outros e, neste momento, pode nem sequer haver outros que tomem conta de mim.
Dou por mim uma e outra vez a pensar na eutanásia. Todas as formas de eutanásia ou de suicídio assistido ou seja o que for que lhe queiram chamar.  E se houvesse disponível nas farmácias a solução para quem não vê qualquer sentido em viver uma vida "normal", quanto mais esta…  O comprimido que a Holanda pensa, generosa e humanamente, pôr à disposição de quem está cansado de viver. Morrer porque se está cansado de viver! Nem é cansado. É não haver razão para estar vivo. É não ter valia para ninguém, especialmente para mim. No fundo, só tive sempre valor para mim, embora tenha havido um tempo em que me iludi, pensando que alguém me reconhecia como pessoa preciosa, apreciada, querida… Presunção e água benta!
Leio que algures há idosos num lar abandonado convivendo - à falta de outra expressão - com idosos que já morreram… leio que os médicos escolhem quem vai viver e quem vai morrer - leia-se: não vai beneficiar de recursos inexistentes ou escassos -  segundo a sua esperança de vida e a sua valia social. Valia social! Valor social! A esperança de vida, compreendo. O valor social, não.
Parece a história do barco em que viajam pessoas de várias profissões, tendo uma que ser atirada ao mar para que todas as outras se salvem. A de menor valor social, a que vale menos, que é menos importante, mais substituível, anónima, ninguém... salta. Os outros salvam-se.
É num barco destes que tenho sido passageira toda a minha vida. Verdade seja que ninguém me pede que salte. Pelo contrário. Saltam os outros. Eu vou seguindo a bordo sozinha...

Wednesday, March 18, 2020

Quarentena...


Same with me, Garf dear...

Monday, March 09, 2020

Vírus


De repente, parece estarmos a viver num ambiente de thriller de acção. Bem olhei em redor, hoje, a ver se descortinava o Stallone, o Bruce Willis ou até o Tom Cruise, vestidos a rigor, cheios de ideias e vigor para me, nos, resgatarem.
O que me incomoda nisto tudo é a incerteza, a agitação, o sobressalto. A realidade torna-se impossível de ignorar.
É de derrota o regresso a casa...

Friday, February 21, 2020

Vasco Pulido Valente


Ligo o computador e aparece "Morreu Vasco Pulido Valente". Corri para o Público, para me certificar. E depois para o Observador. Lá estava a notícia.

Não sei se foi através de O Independente que conheci VPV. Penso que sim. Foi quanto bastou para nunca mais deixar de "o seguir". Seguir alguém, afinal, não é um exclusivo das redes sociais. Creio ter lido tudo o que publicou nos jornais. Foi por ele que comecei a ler o Observador, e acabei assinante e depois, quando ele foi para o Público, comecei a assinar o Público online, também. As crónicas do Expresso eram-me dadas por um amigo que lê este jornal.

Lembro também uns programas de conversa na rádio. Ele, de facto, não tinha grande dom da palavra oral. Mas, mesmo assim, era de longe o meu favorito. Creio que estava também o Paulo Portas e um outro senhor, de quem não me recordo agora. Eram momentos épicos. A minha vida, sempre muito cheia de contrariedades, encontrava nestes programas momentos de pura submersão. Riso e esquecimento. Contava os dias e as horas. Depois, eram as aparições na televisão. Lembro-me bem da sua parceria com Manuela Moura Guedes no controverso Jornal das Sextas, se não estou em erro. Durou pouco, infelizmente.

A acrescentar a isto, há o romance Glória: genial!

Deixa-me levantar e procura-lo na minha biblioteca. Achei.Comprado em 13/11/2001. Começa assim:

«No dia 7 de Maio de 1870, um sábado, José Cardoso Vieira de Castro passou por casa por volta das quatro e meia da tarde.»

Assinalei a página 189, que muito me fez/faz rir: o "adorado portento", o "portentoso orador", "não sem antes se 'dilatarem muitos afectos'", "após o ágape", etc.. Vou reler.

VPV era inteligente, provocador, dizia tudo o que tinha a dizer sem poupar nas palavras. Era também muito irónico, sarcástico, impiedoso. Fazia-me rir. Às vezes tento encontrar quem escreva como ele. Vem-me à cabeça um nome ou dois, mas falta-lhes a cultura e a sabedoria que tornavam os textos de VPV únicos.

Não vai haver mais crónicas dele no Público. Acabou. Vou sentir falta. Muita.

O meu querido Vasco faz parte da "família" que eu própria construí para mim. Diz-se que a família não se escolhe. Mentira. Eu escolhi uma família. O Vasco era o meu irmão mais velho. E morreu!

Descansa Em Paz! Meu irmão.

Thursday, February 20, 2020

Mar Adentro



A eutanásia foi aprovada no Parlamento. Veremos o que se segue.
Os cartazes e os apelos de "não nos matem", sintomáticos da falta de informação DELIBERADA de quem não quer olhar para a morte, não auguram nada de muito bom. Mas, para já, os deputados da nação souberam entender os apelos daqueles que são pró-eutanásia.

Não posso deixar de fazer aqui umm parêntesis para falar da família. Muito se falou acerca de que aquilo de que os que sofrem necessitam é do apoio daqueles que os amam, a família e os amigos. A facilidade com que se toma a família como um dado adquirido. A facilidade com que se assume que todos têm quem os ame. Clamava a antiga líder do CDS_PP: «não me matem, ajudem-me!»
A facilidade com que se acredita que todos têm quem os ajude. Não é verdade! Eu conheço gente que não tem. Até conheço uma amiga assim...

LK, professor brasileiro, historiador, grande comunicador, numa das suas palestras diz o seguinte: pensemos em Adão e Eva. Viviam ambos no paraíso e só tinham de respeitar uma única regra. Pois bem, não se contiveram e infringiram-na. Como castigo, foram expulsos e condenados a viver humanamente, isto é, com dificuldades. Tiveram dois filhos. Eram, pois, uma família pequena, de quatro pessoas. E que acontece? Um irmão mata o outro. É esta a primeira família, a mais próxima de Deus. Um casal de pecadores, um homicida e um cadáver. Isto, acrescenta LK, deveria fazer-nos pensar.

Claro que faria. Mas "natural" é as famílias darem-se bem, ajudarem-se, apoiarem-se, pensam os simples e aqueles que têm a sorte de ter tais famílias.

Há quem esteja só, especialmente nos maus momentos. Há quem peça ajuda e não a obtenha. Há famílias assim.

Mas não quero gastar o meu tempo, hoje, com inevitabilidades. As coisas são como são. Quando tudo falta, há o Estado. E hoje os senhores deputados tomaram uma decisão que me faz muito feliz, porque me dá a esperança de que eu tenha a quem pedir ajuda, se dela necessitar.

Obrigada, Senhores Deputados! Deram-me alegria, felicidade e esperança.




Tuesday, February 11, 2020

Cuidados Paliativos????


E ali estava o meu pai, numa cama, já "sem vida", sem fôlego, mas com um braço descontrolado, de tal modo que teve de ser amarrado às grades da cama.
Um zumbi com um braço demasiado activo.
Em redor, mais umas quantas cama. Umas três ou quatro. Uma televisão. Todos tinham familiares em redor. Tudo triste. Eu era a familiar do meu pai. O coração soterrado sob camadas e camadas de dor. O meu pai era o único, felizmente, que não estava em si. Estava meio demente. Não conhecia as pessoas. A funcionária - obrigada minha querida senhora pela sua humanidade e dedicação - que dava apoio ao meu pai, dava-lhe algo líquido num copinho próprio para crianças, segurando-lhe a cabeça contra o seu peito, tudo fazendo para que ele não sufocasse.
E ele queria água, água, mas não a engolia…
E a odisseia para o internar na unidade de cuidados paliativos? Não vivesse eu na Covilhã e ele, o meu pai, não teria conseguido sequer ter acesso a esses cuidados. Por motivos burocráticos e de organização territorial, claro.

Não quer cuidados paliativos quem quer a EUTANÁSIA, e eu e muitos queremos esta última. Tratem dos cuidados paliativos e de todos os cuidados possíveis e imaginários, mas deixem os outros morrer em paz. Pelo menos isso, dado que a vida se tornou um carnaval contínuo de indignidade, crueldade e indiferença.

Paliativos? My ass!  

Saturday, February 08, 2020

Eutanásia, seminário e animais em vias de extinção


Os jornais, com a aproximação da data em que a eutanásia vai ser debatida no Parlamento, enchem-se de amáveis filantropos, que clamam pela inviolabilidade da vida humana e outras coisas igualmente bondosas. Há pessoas que só se lembram do seu próximo e querem preservá-lo por estas alturas. No resto do ano, comportam-se com a indiferença e, até, o desprezo costumeiros.
Hoje estive num seminário e falei sobretudo com gente que não conhecia. De resto, fiquei sozinha - e bem - ou quase durante as horas que durou a função. Só digo isto, porque aconteceu hoje e ainda não me esqueci. Aliás, eu não me costumo esquecer de NADA. Mas o desprezo dos pares, dos mais chegados, que se tornou rotina, não precisa ser lembrado, na medida em que se faz presente diariamente.

Voltando à eutanásia. Os amigos da vida humana - digamos -, como se não fosse suficientemente inquietante mais uma arremetida parlamentar à eutanásia, ainda tiveram más notícias oriundas da Holanda, aliás, Países Baixos. Este país extraordinário - digo-o do fundo do coração, sem sombra de ironia - prepara-se para permitir que cidadãos com mais de setenta anos, que estejam cansados de viver, possam suicidar-se tomando um comprimido disponível gratuitamente nas farmácias. Mais, um destes filantropos contou que até a uma mulher de cinquenta anos «perfeitamente saudável» foi permitido morrer. Dizia um deles, numa crónica dilacerante, que a esta gente que quer morrer - como eu - deve é ser dado pelo Estado amparo e solidariedade fraterna. Etc., etc.

Entretanto, acabado o dia, exausta e perplexa por motivos vários, vejo a imagem acima. Um homem está dentro de um rio a caçar cobras para preservar os orangotangos, ameaçados de extinção, quando um destes animais o vê e lhe estende a mão, para o ajudar a livrar-se de um lugar tão inóspito…

Se a solidariedade fraterna fosse um orangotango, talvez os países não tivessem que legislar a prescrição de comprimidos letais para a cura do cansaço de viver  …  mas não é. Ponto final.

Monday, February 03, 2020

... but the best ships are friendships



Olha, o Garfield tem um coraçãozinho bondoso… Gatinho lindo!!

Friday, January 31, 2020

Brexit Brexit Brexit


BREXIT  BREXIT BREXIT BREXITBREXIT BREXIT

Ooooooooooooooooooooooooooooooooooohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!

Não queria. Não queria mesmo...

Em dia de greve...



«As proclamações sobre a imensa importância de recrutar os “melhores professores” são feitas pelas mesmas pessoas que foram responsáveis por medidas objectivas que levaram a afastar dos cursos de formação de professores de aqueles que viram a carreira docente ser desqualificada publicamente e proletarizada materialmente. Publicam-se notícias sobre o facto de tais cursos serem frequentados por alunos com algumas das médias mais baixas de acesso à Universidade, mas raramente se tem a coragem de ir mais longe e fazer as perguntas certas sobre a origem desse fenómeno e de questionar se o actual modelo não está errado por outras razões que não as que são lançadas para consumo público.

Estou convicto que os responsáveis políticos não têm qualquer interesse em terem nas escolas os melhores professores, mas sim os professores que façam tudo o que lhes é exigido pelo custo mais baixo e sem especiais contestações. Entre um excelente professor no trabalho com os alunos, mas consciente do seu valor enquanto profissional qualificado e contestatário dos seus direitos e um professor razoável, mas obediente e respeitador das hierarquias, a generalidade das “lideranças” prefere o segundo. Porque se mostrará mais “flexível” para integrar o “projecto” e trabalhar “em equipa”.»
https://guinote.wordpress.com/2020/01/30/este-mes-no-jl-educacao/#comment-143324

Muito bem! Os professores que questionam se vale tudo para cumprir metas não são muito bem vistos: who cares??
Pessoalmente, embora já tenha resistido mais, tento conciliar ambas as coisas. Não me estou nas tintas para as metas. Para isso, mais valia sair da profissão, pois estaria a fazer aquilo que me dá na real gana e eu não sou a favor do caos. Mas tenho limites. O plágio, por exemplo, é um desses limites. Cópias??? Mas isso é certo? Um rotundo não. NÃO!
Quando houver uma greve para restituir a autoridade ao professor e pôr o conhecimento - não as competências -  no centro da escola, farei greve. Por condições salariais? Eu gosto de dinheiro. Aliás, adoro. Mas não é isso que me move. O que me move é o respeito (ou mesmo o respeitinho, não discrimino diminutivos), os professores darem-se ao respeito. Valer tudo para atingir números não é uma base para o respeito pela função. Pelo contrário. É um embuste.
Quantas vezes ouvimos dizer a propósito deste e daquele e daquela e disto e daquilo no mundo da política e das finanças: mas ninguém viu? Mas ninguém denunciou? Mas ninguém sabia? Mas como foi possível? Isto só foi possível com a cumplicidade de alguém. Onde estão os outros?  Etc.

Claro que ninguém vê! Não há indisciplina, não há violência, quer física, quer verbal. Não há burnout (há é pieguice). Não há facilitismo. Há, sim, rigor. Rigor e mais rigor. E há sucesso.
E claro que ninguém denuncia. Claro que cada um só vê o que quer e é completamente cego no que a si mesmo diz respeito. Claro que quem não vai na onda é posto de parte. Vai para a prateleira.

É o triunfo dos porcos! Literalmente.


Wednesday, January 08, 2020

Nove, Vinte, Vinte



Já é outro dia. Hora de ir deitar.
Espero conseguir dar com a cama, depois das celebrações…. hic


8 de Janeiro, 2020





Mais um dia 8 de Janeiro. O único dia de celebração para mim. Não pedi para nascer. Não pediria nunca! Não há no dia 7 de abril nada de memorável. Nem fiz nada para que tantos outros dias sejam de paragem e comemoração obrigatória.

Este é  o único dia que eu conscientemente preparei para atingir um objectivo. E alcancei-o. Foram quase 10 anos de estudo que valeram a pena segundo a segundo. E valeram as consequências: o afastamento de todos os que me desdenharam e falam nas minhas costas chamando-me burra. Toda essa gente não vale nada perante o meu «conseguimento».

Interessante, alguma dessa gente achava-me muito sólida nos meus conhecimentos. Mas depois mudou de ideias. A querida Francisca C sugeriu até que eu emburreci. Não foi a única, aliás.

Eu, que até aprecio Nietzsche, sinto-me muito bem sozinha, acima das massas acéfalas e politicamente correctas e igualitárias. Fiquem bem!

Fosse eu aquela personagem de HG Wells, que se viu aprisionada na terra dos cegos, e também teria preferido fazer-me às montanhas gélidas ao encontro da morte, para poder viver até ao fim a minha individualidade. A minha singularidade. Os bem pensantes abominam os títulos académicos? É porque não os têm. Não é o meu caso. Tenho, logo uso.



A Doutora.



Ah, e agora chegou a noite gentil!

Tuesday, December 31, 2019

2019



Never Mind!

PS: falta um bocadinho para acabarem as festas...

Thursday, December 26, 2019

Siiiiiiiiiiiim?


- Sou eu...
- Ah, fulano de tal...
- Conheceste-me logo!

Não foi difícil, mas ele reage como se tivesse sido algo absolutamente extraordinário. Bem, já há muito que não falávamos. Aliás, que ele não falava e eu ouvia.
Pude perceber que a curiosidade dele acerca de mim é zero. Depois da terceira frase que ele ignorou e ficou a meio, desisti. Ainda disse uma frase, no entanto, em voz tão alta que ele não teve outro remédio senão ouvir. Todo o prédio deve ter ouvido, aliás. E, como habitualmente, ele falou e falou. Política, política, algoritmo de não sei quê, creio que sobre a felicidade, ou coisa do género, educação, ensino, política educativas - foi aqui que eu berrei a frase de grande efeito, com o intuito de o tirar do delírio teórico-abstrato do costume -, poemas escritos, súbita veia poética sobre o tema do universo ou da energia do universo ou coisa que o valha. E também muito name-dropping e, acrescento, book-dropping. Einstein para aqui e o não sei das quantas para ali. Sobre nós, só as doenças. Vá lá, não se falou do tempo. E, a propósito de doenças, como não poderia deixar de ser, alertou-me para todos os perigos da medicação que ando a tomar. E perguntou também se os médicos me alertaram… Enfim!  Como se eu precisasse que me fizessem um desenho! Como se eu não soubesse ou não tivesse capacidade para me informar acerca de qualquer tema, mas qualquer tema mesmo. Nada de novo. Continua a achar-me uma idiota e a dizer-me condescendentemente que eu sou uma pessoa muito inteligente.
Faça eu o que fizer, estude eu o que estudar, nada tem retorno. Nada me é reconhecido. Passo pela vida das pessoas, e elas não vêem nem quem eu sou, nem o que eu faço a pensar nelas. Sou invisível. Não sou inócua, porém. Aborreço o meu semelhante com extrema facilidade...
Voltando ao telefonema. O meu bom amigo - que até é, verdadeiramente amigo, afinal foi com ele que contei em momentos maus da minha vida …, nos bons momentos é fácil ser bom moço... - ainda me deu alguns conselhos. Ele acha que eu ando à procura da felicidade. Meteu-se-lhe isto na cabeça! Não ando! Eu só quero que não me aborreçam. Não acredito em felicidade! Mas, como ele não tem pachorra para me ouvir, tira conclusões precipitadas e estapafúrdias. E, como se acha cheio de recursos de etiologias várias, exortou-me a fazer duas coisas: uma para me tratar dos problemas da alma e a outra para os problemas do corpo. A saber: ler o livro X sobre felicidade e ingerir diariamente 3g de salsa!
3 gramas de salsa. Para o que uma pessoa está guardada.

PS: a minha felicidade, digamos, está muito dependente dos presentes que passei a oferecer-me mensalmente. Ele criticou o liberalismo o capitalismo e o consumismo. Está bem abelha. Fosse eu capitalista e o meu consumismo seria bem mais liberal.

Wednesday, December 25, 2019

Pai Natal



Obrigada!

IMPOSSSSIBLE!



Não tenho nada para barrar na cara! Help!!

Sunday, December 22, 2019

Domínio Público, Paulo Castilho


Já não me lembrava deste livro. Recordo, agora, no entanto, que, depois de algum tédio inicial, dei boas gargalhadas quando menos esperava. Na altura, era obrigatório lê-lo. Felizmente. Digo isto porque, caso contrário, teria perdido bons momentos daqueles que só os livros nos podem proporcionar.
Vou ter de arranjar mais um projecto à séria, com pagamento de propinas e tudo, para ser obrigada a ler. Quantas coisas boas ficam por viver, pelo simples facto de nos entediarmos com um livro… ou com uma pessoa… ou com outra coisa qualquer.
Por exemplo, as pessoas que não me apreciam privam-se dos bons momentos que eu lhes poderia proporcionar. É verdade! Por muito que dê vontade de rir. Eu sou uma excelente companhia. Mais, como só tolero os outros a curtos intervalos, nem chego a maçar ninguém. Não faço visitas. E as que faço são curtas. Não me posso fazer convidada para almoços e jantares, posto que sou deficiente otorrínica. Isto é, não dou despesa. Para além disso, sou generosa e divertida - a sério -, em doses homeopáticas, o que faz com que as pessoas me "comam" e chorem por mais. Não falo em comer no sentido bíblico, obviamente. Nesse departamento deixo a desejar. Aliás, não quero nada com esse departamento. Mas, claro, como dizia Eça de Queirós, este país, e as suas gentes, acrescento, gostam de esfomear o génio. Por isso mesmo, génio que sou - é verdade -, ando com alguma fomeca. E acabo por aqui este aparte.
Volto ao livro. Que bom que é fazer notas. Assim, sei sempre como não me perder nas 402 páginas  deste romance.
Curioso, assinalei algumas frases como interessantes, e agora não lhes acho interesse nenhum! E também não me apetece rir das frases engraçadas!
Ah, espera. Está aqui uma frase que me diz alguma coisa:

«Ficaram a sorrir uma para a outra e a medir o quanto tinham ficado a detestar-se logo no primeiro encontro - pareceu-me.» (Castilho, 2011: 341)

Ter-me-ei rido da palavra "espertalhufas"?

«(…) os mais distraídos ainda não repararam que estamos no século XXI e dizem frases como: não suporto espertalhufas.» (idem, 10)

Muito boa a página 51. Percebo agora a importância que teve este livro naquela altura. Não há dúvida. Dei todos os passos que tinha que dar. Li tudo o que se impunha ler. E, com este livro na mão, quase sinto o velho entusiasmo, a excitação, o prazer de descobrir coisas e sentir que essas mesmas coisas me levariam a novas descobertas. Tinha de me conter...

A imagem dos dias frenéticos, da secretária sempre cheia de papelada e livros. Por vezes, essa visão enchia-me de terrores e calafrios. Sentia uma impotência, um cansaço. Outras vezes, com as folhas a acumularem-se, repletas de frases, sentia que poderia continuar a escrever até ao fim dos tempos. E com prazer!
  Vou dormir.

Merry Xmas!



Crime family! John.

Cacau, Rita, Adam, Nanda, Monique, Patti, Tammy, Chris, Phi, Gabriel, Jeffrey, Rui, Isamara, Verónica, Alice, Ricardo, Pedro, Miguel, Carlos, Karen, Vitória, Wesley, Luma, Gabi, Patricia, Nuno, Pedro, Vasco, Herman, Joana.
A todos os que me fizeram companhia e não me viraram as costas. Não podiam...

Missed me?



I didn't either.

Tuesday, November 26, 2019

"Boa Noite."


São quase nove horas. Saí da sala aquecida para ir à rua, ao pátio, comer chocolate e apanhar um pouco de vento. Arrefecer. Havia vozes de alunos no café ali perto, mas estava suficientemente sozinha para fazer aquilo a que me propusera. Nisto, vem um aluno, envolto na noite, passa por mim e diz boa noite. Depois, vieram quatro raparigas em grupo, e todas, uma por uma, me disseram boa noite. Não são minhas alunas. Não as conheço, mas todas me cumprimentaram. Respondi a todas, todos.
Fui a única coisa boa do dia. Estes alunos, hoje, com esta frase simples, salvaram-me o dia. A noite.

Tuesday, November 19, 2019

José Mário Branco


Na notícia do Público acerca da morte (e vida) de JMB, alguém, nos comentários, deixou uns versos deste poeta e cantor de voz suave, firme e poderosa:

"Eu quero desnascer, ir-me embora, sem ter que me ir embora. Não pode haver razão para tanto sofrimento. E se inventássemos o mar de volta, e se inventássemos partir, para regressar. Partir e aí nessa viagem ressuscitar da morte às arrecuas que me deste. Partida para ganhar, partida de acordar, abrir os olhos, numa ânsia colectiva de tudo fecundar, terra, mar, mãe..." 

Que lindo! Quantos não quereriam dizer isto… parando em desnascer.

Monday, November 04, 2019

Prós e Contras - Violência Escolar



Assisti apenas a alguns segundos. Não foram sequer cinco minutos. Ouvi o final de uma intervenção delirante e o começo de uma outra intervenção para a qual não encontro palavras. A intervenção de um lunático. Um mentiroso. Um lírico perigoso. Pior! A plateia  - marcianos, certamente - aplaude! Muitos professores merecem tudo o que de mau lhes acontece.
Professores? Sim, professores, a ridícula palavrinha é geralmente dita antecedida de "só". É só professor. Estes sóprofessores são a espécie mais nefasta à face da terra.
São a negação do Homo Sapiens. São apenas Homo. Andam erectos, sim, mas têm uma grande propensão para o acocoramento. Acocoram-se perante tudo, gostam de tudo, sentem amor por tudo, vêem-se como grandes missionários e humanistas. Querem mudar o mundo. E mudam-no: para pior. Para muito pior. Estão a dar cabo dos "meninos", dos "miúdos", a emburrece-los, a deixarem-nos à solta entregues aos seus instintos e desejos.
Pelo que vi, nestes poucos minutos, não há violência nenhuma. Está tudo bem, tudo normal e feliz. Ocorre-me dizer, a um destes primatas que tive a desdita de ouvir, o que um "menino" uma vez me disse a mim, numa aula: PONHA MAIS TABACO NAQUILO QUE ANDA A FUMAR!
Se não tivesse feito o meu doutoramento, se não tivesse este espaço imenso, que ele me abriu, e no qual me refugio, para fugir ao nojo e à raiva, não sei aonde iria buscar forças. Não sei!!!

Imagem de Beksinski

PS: nesta imagem, pode ver-se um professor - não confundir com um sóprofessor - no fim de um dia de trabalho. Aliás, no fim, no início e sobretudo durante o dia de trabalho. É isso que eu vejo.

VIOLÊNCIA ESCOLAR



https://guinote.wordpress.com/2019/11/03/valter-hugo-mae/#respond, consultado em 4 de Novembro, 2019

Wednesday, October 30, 2019