Wednesday, December 13, 2023
Monday, November 13, 2023
R.I.P.
Sunday, November 05, 2023
A casa ...
(... a tal, com que sonhei uma vez e continuo a procurar...)
Tuesday, October 17, 2023
Outubro, 2023
Wednesday, September 27, 2023
Burocratas
Os burocratas são gente que não se recomenda. É gente que privilegia a forma e não liga para o conteúdo. Desde que esteja tudo em grelhas, em tabelas, em gráficos e devidamente exarado em actas, relatórios e outras narrativas afins, tudo coisas que se possam mostrar a quem é pago para inspeccionar toda esta inesgotável papelada, não há nada a dizer. É gente que sempre adormeceu a ler as últimas do Diário da República e acorda para voltar a fuçar no referido Diário. Aliás, suponho que é gente que desgosta desta nova versão digital do já mencionado hebdomadário, posto que gostava de encavalitar o dito na mesinha de cabeceira, a cobrir-se de pó. Mas estamos nesta admirável era da Internet, fonte inesgotável de plataformas e outros sítios plenos de conteúdos vários de leitura obrigatória, pelo que, dado o manancial de dores de cabeça que vem da inefável rede, o burocrata, que é imune a cefaleias, tem muito para se locupletar.
Não se pense que todos os burocratas são iguais. Há os ciberburocratas, sempre à cata de novidades na net, para embasbacarem a restante cristandade. São uma casta sublime. Assim que encontram uma forma diferente, de preferência mais morosa e mais atreita a erro, para fazer aquilo que já se fazia com uma certa calma, ficam eufóricos. Há que reunir, para informar e formar os restantes para as agruras da novidade, o que lhe dá direito, também, a pôr a descoberta no relatório anual de autoavaliação. É um dois em um. Dois? Três ou quatro. Hoje em dia, o que importa é complicar! Depois há o burocrata assustado, aquele que o é por necessidade, já que toda a gente que é gente o é também. Este burocrata anda sempre com um ar compungido e uma arritmia latente, posto que pensa que se esqueceu, certamente, de qualquer papel. Pior: daquele papel que era absolutamente indispensável. Daí a arritmia. Há depois o burocrata absolutista simples e o burocrata absolutista complicado. O primeiro tem características de todos os outros, mas muito mais satisfação. Quem lhe tira a oportunidade de fazer um PowerPoint ou de inserir dados numa plataforma, tira-lhe tudo. E os workshops? Tão úteis! E as formações? E as folhas de Excel? Maravilha!
Quanto ao Burocrata absolutista complicado, é que a asna torce a parte traseira. Desde logo, almeja tornar-se no sumo burocrata. Aliás, há quem já tenha sido sumo e tenha regressado à base com bilhete só de ida, passando a vida a tentar encontrar o bilhete de volta. Mas não volta, porque a cristandade, escarmentada, tudo faz para o manter apeado. Torna-se então na pior espécie de burocrata: o ressabiado! Que faz o ressabiado? Protesta por tudo e por nada. Nada está bem e, se estiver, podia estar ainda melhor, se tivesse sido feito sob o seu olhar orientador. Ele é que sabe! Ele é que conhece a legislação. A ele ninguém lhe faz do alto da cabeça mesa de restaurante. É o tipo de pessoa que quer ficar na História e se não fica pelos seus feitos, fica pelas suas desfeitas. É que ele está sempre a desfazer no trabalho dos outros. É um pespego. Um fazedor de grandes tempestades em pequenos e médios copos de água.
Consta, eu não sei de nada, pois não sou pessoa que coscuvilha, que um dia destes um daqueles burocratas saiu em grande estilo, deixando atrás de si o caos: aliás, a época de reuniões já teve início. Imagino a satisfação que ele sentiu. Imagino-o a dizer para os seus botões, únicos interlocutores atentos dos seus dislates, sabido que é que os botões não têm ouvidos (e ainda bem!): «Anda que vão ver como elas lhes mordem. Agora que eu já me safei - e bem - eles que façam as coisas como deve ser, para ver se aprendem. Ainda se hão-de lembrar de mim!»
Olhe que não. Ninguém se vai lembrar de si. Muito menos ter saudades dos seus rompantes de sabichão. Quem ainda tinha algum respeito por si, perdeu-o. Quem o achava, apesar de tudo, pertinente, acha-o agora impertinente. Leia-se: sem pertinência, fútil, só porque sim.
Fico por aqui, para não falar dos "queixinhas", categoria ainda mais nociva, especialmente quando se junta o burocrata ao queixinhas. A queixa, essa instituição com barbas, em Portugal.
Imagem: https://www.deviantart.com/eolmedillo/art/The-Dark-Art-Of-Zdsislaw-Beksinski-Part-12-952605657, consultado em 27 de setembro, 2023
Sunday, September 24, 2023
Linguagem Inclusiva do Elu...
Sobre a linguagem inclusiva escreverei um dia destes. Mas a frase de Dostoiévski resume o fenómeno na perfeição.
Monday, September 11, 2023
O Regresso...
Tuesday, August 15, 2023
Normalizar o "vulto"
As novas mulheres
Horrível Mundo Novo...
Tuesday, August 01, 2023
O Reino do Pineal
Eu fui ler as últimas no canal do jornalista pela verdade, que defende com unhas e dentes o Reino. Ele fez uma reportagem e só viu maravilhas. Que as pessoas não estejam registadas, estejam em Portugal, mas é como se não estivessem, não lhe interessa. Também o inefável guru e escritor que não obedece, mas todos os dias tem dizeres - pavorosos!! - que gostaria que fossem obedecidos, acha o referido Reino um paraíso. Mais: o Estado - aliás S.I.S.T.E.M.A. - só não gosta daquela gente porque ela é autossuficiente e ao Estado, claro, não interessa gente que pensa pela própria cabeça. E deviam ver a cara (de parvo) com que o guru escritor profere estas pérolas de sapiência. Bem, dizia eu, fui ver as últimas notícias e não fiquei desiludida. Os comentários dos seguidores do jornalista pela verdade são o divertimento de que eu necessitava neste dia em que fiquei até às 5 da tarde à espera dos CTT: lesmas!!! Todos são a favor do Reino e do rei. Mas apareceram uns dissidentes a estragar a narrativa. A chamar a atenção que não se pode estar assim num país estrangeiro AKA república das bananas, sem estar identificado e obedecendo às leis do país. Etc., etc. Entretanto, alguém traz a questão de que no Reino acreditam que a terra é plana e que o homem não foi à lua. A discussão aquece, escusado será dizer. Alguém, de imediato, escreve um arrazoado defendendo que sim, que é plana. E pergunta: porque é que se diz planeta? Não se diz boleta. Não se diz esfereta. Não se diz redondeta. E porque será, continua, que NASA ao contrário quer dizer engano em hebraico, se não estou em erro. E continua falando da guerra entre aspas na Ucrânia, porque também é uma invenção, como invenção foi a covid. Esta exposição colheu muitos likes e corações dos seus apoiantes. E é quando um indivíduo, já farto de tanta teoria esdrúxula, deixa esta verdade que eu subscrevo na íntegra:
Wednesday, July 26, 2023
Gone...
Thursday, June 29, 2023
Hellooooooo
Thursday, May 25, 2023
Milan Kundera
O livro do Riso e do Esquecimento.
Não há motivos para riso. Só esquecimento. Dia estranho: A, B, C, D, etc. Personagens sinistras. Nem sempre consigo evitá-las. E depois as palavras, as frases ditas: tudo o que queremos não lembrar. Esquecer. E depois a realidade imediata. Estou aqui sentada, sem ânimo para me levantar, mas quero deitar-me com urgência. Quero ir para a minha cama. Embrulhar-me nas mantas, aconchegar-me nas almofadas, ligar alguém que me conte histórias directamente da Internet. Preciso de confortar-me, de que me confortem. Preciso de atravessar a noite muito devagar. O dia de amanhã será certamente eterno...
https://steemit.com/art/@dr-frankenstein/the-wierd-and-dark-art-of-zdzislaw-beksinski
Thursday, May 18, 2023
Friday, May 05, 2023
Certainly ME!
Wednesday, April 12, 2023
Thursday, April 06, 2023
AI Chat GPT
Saturday, March 18, 2023
A alegria dos outros
Friday, February 10, 2023
Ganhar o dia
Ontem, saí derrotada do trabalho. Acontece muito perguntar-me: «o que é que estou a fazer no meio destes apedeutas empedernidos?» Pior: é aquele tipo de ignorância longamente cultivada e apaparicada, não vá ela ressentir-se e desertar aquelas cabeças ocas. As coisas que se ouvem no recinto da acção, digamos, para disfarçar. E que se vêem fazer. Agora, há um que, quando menos se espera, descalça os sapatos e as meias, para que eu lhe aprecie os calos nas solas dos pés!! Bem eu lhe posso implorar: «ó menino, mantenha-se calçado!» Em vão. Ele quer mostrar os pés, e mostra. É a chamada escola centrada nos interesses dos alunos, muito do gosto da pedagogia eduquesa, que está completamente desfasada em relação ao verdadeiro interesse dos alunos. Os colegas também o instam a que tenha maneiras, mas ele logo se apresta a descansar os presentes, dissertando sobre maus odores corporais, que é coisa que o seu corpo desconhece por completo, posto que é inodoro.
Esta figura, quando se trata de actividades avaliativas, é acometida de doenças várias. A última foi uma conjuntivite fulminante. Mal lhe pus a folha à frente, ficou mal de um olho. Pediu para ir aos serviços de enfermagem, de onde veio munido de gotas. Ainda olhou na minha direção, para sondar se eu estaria interessada em medicá-lo, mas viu logo pelo meu semblante de poucos amigos, que tinha de procurar outra pessoa. Nisto, um colega, depois de rabujar, suspendeu a actividade avaliativa para lhe pôr as gotas. Muito dado às artes dramáticas, o bicho fez tal espalhafato, que parecia que lhe estavam a extrair os dentes sem anestesia. Posto isto, retirou-se para lavar os olhos, mas voltou à base para buscar algo para se limpar. Olhei para o percurso que ele estava a fazer, e vi dois rolos de papel higiénico perfilados sobre o armário, onde se guarda toda a papelada e dossiês. Enfim, todo o entulho típico desta extraordinária era digital. Lavado e limpo, informou-me que estava incapacitado para fazer a sua obrigação de aprendente, pois mal conseguia ver. Eu acenei com a cabeça e ele sentou-se, fechando os olhos.
Mas o que é que me fez ganhar o dia hoje? Quando me desloquei de uma sala para a outra, um aprendente diz-me: «Ah, já aí vem. Foi o que lhe valeu, porque eu já me preparava para a ir buscar, à outra sala, por uma orelha.» Acenei com a cabeça.
Acenar com o bestunto é, aliás, uma das minhas últimas técnicas em termos de boas práticas pedagógicas.
Friday, February 03, 2023
Wednesday, January 25, 2023
Monday, January 23, 2023
What !?
Sunday, January 08, 2023
8 de Janeiro 2023
Parabéns, minha querida Doutora Adélia Rocha: I love you!
Saturday, December 31, 2022
Friday, December 30, 2022
Sem perdão!!!
Fernando Santos não podia deixar Ronaldo sentado. No banco. Fernando Santos contribuiu para destruir a carreira de Ronaldo. FS mostrou não ser um líder, mas apenas um chefe. Mais um. E seguiu-se uma onda de ódio de, na maioria, portugueses. Há desprezo. Há escárnio. Há gozo. Uma verdadeira orgia de desamor. Um apedrejamento feroz. Sanguinário. A expressão "passar de bestial a besta" não descreve minimamente o que se passou, ou melhor, está a passar-se.
Fico sempre extasiada perante estas mudanças. Diárias. Vindas de diferentes pessoas e nas mais variadas formas. Mas surpreende-me sempre. O que leva os outros a entregarem-se a estas manifestações de ódio? O que os leva a esquecerem tudo o que Ronaldo significou/significa para o futebol?
Para além do mais, Fernando Santos foi particularmente cruel: escolheu o momento certo para dar o seu golpe. Quando é muito provável que Ronaldo não possa disputar um outro mundial. FS foi cobarde e prepotente. A prepotência é, aliás, um traço característico dos cobardes.
Para mim, FS representa aquilo que de mais ignóbil existe no ser humano. Foi baixo. Rasteiro. Absolutamente SEM PERDÃO!!!
Ah! Subscrevo em absoluto aquilo que foi dito por César Mourão: preferia ver Portugal perder o jogo, do que ver Ronaldo no banco. Penso o mesmo. E compreendo muito bem o que César Mourão quis dizer.
Natal 2022
Friday, December 09, 2022
Monday, December 05, 2022
Companhia!
Saturday, November 26, 2022
Círculos
Wednesday, November 16, 2022
Waiting for Godot
Desde as 14:00 aqui... e ainda nem comecei. Acabo às 22. Talvez.
https://www.theartistation.com/2015/07/zdzislaw-beksinski-collection-surreal-paintings/
Saturday, November 12, 2022
Robert Smith: I don't belong here any more...
Eu continuo a gostar de ti, das tuas músicas. No matter what... I myself got old and pathetic as well.
https://aminoapps.com/c/m-lets-rock-m/page/item/robert-smith/z6qB_KBwTwIBJjZnLrZkBowraXXnPLrDrEa
https://www.facebook.com/176481845761539/posts/happy-bday-robert-smithhappy-61st-birthday-the-cure/2933315403411489/
I'm outside in the dark, wondering how I got so old
Sunday, November 06, 2022
Leitura para acordar, diz ele...
Pessoalmente, distanciamento social? Adoro: a d o r o. Ficar em casa? Adoro. Não ir a festas, não passar o Natal com a família? Adoro. Usar máscara? Adoro. Onde estavam as máscaras quando eu passando por certos ajuntamentos continha a respiração? Onde estava a máscara quando eu, nos anos 90 do século passado, tinha de me dirigir a uma repartição pública pagar contas disto e daquilo, ao fim da tarde, numa sala com ar condicionado a ferver e um cheiro nauseabundo de corpos transpirados e hálitos pouco frescos? E onde estava a máscara, quando eu dava aulas numa certa escola, cujos alunos na sua maioria não tinham descoberto as maravilhas da água e do sabão? Havia queixas de certos pais, que não queriam os filhos junto de fulano e sicrano, porque não aguentavam o fedor! Ou seja, descobri a máscara, esse acessório que me acompanhará para sempre em certas ocasiões, enquanto eu for viva. Claro, depois de morta, já não há necessidade.
Mas há quem não acredite na pandemia. E encha a barriga de nomes aos covideiros: medricas, obedientes, gente sem capacidade crítica, que obedece à voz do dono, incapaz de ver que é tudo uma fraude para os senhores do mundo, através do medo, nos manipularem e nos espetarem com o "globalismo", a nova ordem mundial. (Um momento, para me rir.) Ah! Já me esquecia e o grande reset! Etc. Tudo isto, claro, em virtude de certas pessoas terem ficado perturbadas mentalmente devido ao trauma de lidarem com uma pandemia. É assim que eu interpreto.
E depois existe este escritor que se gaba de eructar postas de pescada. Que desagradável! Escritor de romances espirituais e obras de - imaginem! - "desenvolvimento pessoal". E agora, para tentar despertar os covideiros assustados, publicou este livro que afirma ser imprescindível para libertar os medrosos, os que não são livres, os que não se amam, etc., etc., resumindo, para nos salvar do/da terrível, e cito, « C.H.O.N.É.: Conversão de Humanos em Ovelhas de Nádegas Escancaradas". E esta, hein? Como dizia o Fernando Peça.
O livro já esteve no n.º 1 do Top e agora está no n.º 3, mas há quem tente boicotar!!!! Claro, há que silenciar as "verdades", o que incomoda, o que contraria a narrativa dos globalistas. Francamente, não se faz isto com uma obra de tão elevada craveira!
Se alguém me oferecesse este livro no Natal, eu até o lia, por motivos de... bem... quer dizer... enfim... hum... ainda me há-de ocorrer alguma coisa... Agora pagar o livro??? É preferível gastar tudo em vinho.
https://www.facebook.com/gustavosantosescritor
Sunday, October 30, 2022
Wednesday, October 19, 2022
Tragam-me o livro de reclamações!!!
Acordei
arrelampada. Estava a tentar falar com o chefe da estação de caminho de ferro.
Aliás, levei metade da noite a tentar contactar o chefe da estação. A outra
metade foi passada a correr atrás da funcionária da estação, aos berros, dizendo-lhe:
«Quero o livro de reclamações!» E ela, que não tinha o livro. E eu: «o livro,
já! Quero o livro!» Já me faltava a voz. E à funcionária estava a faltar o ar,
com medo. De mim! «Quero o livro de reclamações!!». Ela, com ar esgazeado, saiu
então do cubículo, onde a minha bagagem jazia aberta e retida, posto que a
funcionária não me autorizava a seguir viagem, sem eu arrumar todos os meus
pertences devidamente. Teve, pois, a dita cuja, a lata de censurar a forma como
emalei a minha trouxa. Saiu do cubículo, dizia eu, calada como um rato, porque
já não aguentava a minha berraria: «o livro! Quero o livro! O livro de
reclamações!» E, como ela saiu, eu saí também, da zona do cubículo, atrás dela,
que, ao pressentir-me, desatou em grande correria por um caminho agreste. De
noite, claro. É sempre de noite que as aventuras acontecem. Paisagem estranha.
Caminhos estreitos. Vegetação cinzenta e com muitos espinhos. E a funcionária a
correr à minha frente e eu, furibunda, atrás dela: «o livro! O livro de reclamações!
O livro! O livro!» Nisto, a fulana caiu. E eu contente. Fui por cima dela – não
confundir com em cima dela – e berrei-lhe diretamente no ouvido que não estava
esborrachado no chão de arbustos cinzentos: «o livro! O livro!» Mas como a
funcionária da estação de caminho-de-ferro parecia ter gostado da cama onde se
estatelou, depois de um senhor tropeção num arbusto cinzento, visto que não
dava mostra de se querer erguer do chão, vi que tinha de mudar de estratégia e
de berro: «o chefe da estação! O chefe! Onde está o chefe da estação?» E
dirigi-me para a estação. Luz amarelada. Bar. Resmas e resmas de prateleiras
com rebuçados e bolos e revistas. Bancos onde ninguém estava sentado. Vazios.
Uma gentinha miúda, quase invisível, a rodopiar expectante. E uma série de
portas. Fechadas. A bilheteira. O caminho-de-ferro. As linhas de aço. Nenhum
comboio. Numa porta estava escrito: chefe da estação. Fiquei em pulgas: «onde
está o chefe? Senhor chefe! O chefe, se faz favor!» Abriu-se a porta, devido ao
meu alarido, e começaram a sair dela vários chefes. Todos vestidos de amarelo.
«Senhor chefe?» Que não. O chefe da estação estava no primeiro andar.
Dirigi-me, então, para o primeiro andar, mas não havia escadas em parte
nenhuma. Foi quando vi um ajuntamento à espera de ser ejectado para o primeiro
andar, através de um conjunto de molas gigantes, onde tinha de se equilibrar.
Mais estranho ainda: estavam todos de calção. Pesadelo. Isto não podia estar a
acontecer. Eu não quero ser ejectada por uma mola para o primeiro andar. Mas
não havia outra maneira. Nisto, vejo uma cara conhecida. Estava na bicha para o
primeiro andar. Diz-me ela: «vamos vestir os calções.» E eu: «mas isto é
aviltante, não estou depilada.» E foi quando reparei que as molas ejectoras não
estavam fixas. Tínhamos que nos equilibrar sobre elas, fazer balanço e esperar
cair num sítio mole. Mais: tínhamos também que, primeiro, montar as molas, que
jaziam em destroços metálicos, depois de cada carrada de gente ter sido
arremessada para o primeiro andar. E pensei: vou antes chagar a funcionária da
estação, que ainda deve estar esparramada na paisagem. E logo me saiu um berro:
«o livro!» E a cara conhecida: «qual? Onde?» E eu: «não ligues, vamos montar as
molas.» E eis que se ouve um baque enorme, com ranger de ossos, ais, uis e um
enorme som de oco, causado por aqueles que tiveram o azar de aterrar de cabeça,
no primeiro andar. Pus-me logo em retirada, a andar de costas, para não
suscitar questões à cara conhecida, que se afadigava a ajeitar as molas, mortinha
por se fazer ejectar. Sempre de arrecuas, quando cheguei à porta do bar da
estação, voltei-me, finalmente, para andar de frente, e acelerei o passo. Tudo
vazio. Ou não. Vi uma sombra a esgueirar-se veloz, para a zona de embarque, com
a pressa de quem quer fugir para a frente, sempre para a frente e deixar o
passado para trás. Numa mesa, poisava uma chávena de café preto, cheia, com o
fumo a pairar de forma ténue. «Anda vai, sombra dum raio!» Eu estava berrante,
frenética, revoltada. Eu queria sangue: o da funcionária. Eu queria mais
sangue: o do chefe da estação refastelado no primeiro andar. E mais ainda: o
sangue da mola ejectora e trapalhona. Sangue! E saí da estação de comboios.
Lembrei-me então
da minha mala. A minha querida malinha, com os meus haveres caoticamente
colocados nela. «A minha mala…» Murmurei. «A mala...», tornei a murmurar. E corri,
corri, com as mãos na cabeça, desvairada, na direção do cubículo. Em vão. Tudo
era um deserto. Não havia rasto de estação, de cubículo, de mola, de cara conhecida,
de sombra, de funcionária, de chávena de café preto, de primeiro andar. Nem da
minha malinha. Nem dos meus haveres. Só restava eu na noite, na paisagem
cinzenta.
Saturday, October 08, 2022
Cápsula do Tempo: Maria Vieira Ama Putin - Extremamente Desagradável
"As redes sociais dão o direito de falar a uma legião de idiotas que antes só falavam em um bar depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a humanidade. Então, eram rapidamente silenciados, mas, agora, têm o mesmo direito de falar que um prêmio Nobel. É a invasão dos imbecis" - ao jornalLa Stampa.
Tuesday, October 04, 2022
Realidade Líquida
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança:
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía.
Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"
https://www.zbrushcentral.com/t/zdislav-beksinski-couple/206207
https://www.citador.pt/poemas/mudamse-os-tempos-mudamse-as-vontades-luis-vaz-de-camoes
Sunday, October 02, 2022
Deserto...
Serviços mínimos. O mínimo possível... Estou na fase minimalista. Pouco, muito pouco, nada...
https://wooarts.com/zdzislaw-beksinski-gallery/
Monday, September 19, 2022
Esperar silenciosamente
https://br.pinterest.com/pin/847169379887518589/?nic_v3=1a2JU1DAN
Monday, September 12, 2022
Prof. Doutor Vítor de Aguiar e Silva
Morreu um dos maiores especialistas de Teoria Literária em Portugal e não só. Um homem de Letras dos verdadeiros. Um sábio. Um erudito. Quando o encontrei em Coimbra, na defesa de tese de Doutoramento de Carlos Reis, achei-o assustador. Mas foram as obras dele, a par das dos grandes especialistas franceses em Paraliteratura, que me permitiram fazer a minha própria tese de Doutoramento. Saber que, ao contrário de Arnaldo Saraiva, ele via no termo Paraliteratura uma mais-valia relativamente à Literatura que não ocupa o centro da Literatura, deu-me respaldo para afirmar, também, esse termo como o mais apropriado. Aguiar e Silva acompanhou-me do liceu ao Doutoramento. Isto é, esteve ao meu lado nos momentos mais marcantes da minha vida. E eu agradece-lho por isso: obrigada, Sr. Professor! Descanse em paz.
https://www.msn.com/pt-pt/noticias/sociedade/professor-universit%C3%A1rio-v%C3%ADtor-aguiar-e-silva-morre-aos-82-anos/ar-AA11JbRi?ocid=msedgntp&cvid=76f08ab7e1a442afb1535862617f23b8
Saturday, September 10, 2022
Thursday, September 08, 2022
Gone!
And just like that...
Um exemplo de elegância, discrição, sobriedade.
Rest In Peace, Your Majesty!
https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2022/09/rainha-da-inglaterra-e-colocada-sob-supervisao-medica.ghtml




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