Wednesday, December 13, 2023

I'm alive...

 


... and surrounded by idiots!

Monday, November 13, 2023

R.I.P.

 


Estava novamente naquela sala de aulas enorme e caótica. Uma sala, aliás, que se vai tornando maior à medida que regresso a ela. Ontem estava gigantesca. Os alunos, que eu conheço mas só daquele espaço, sem nunca os ter visto, uma espécie de figurantes dos meus sonhos, estão irrequietos. Alguns esperam que eu fale, que eu dê a aula. E eu estou na minha secretária, que é muito comprida, e estou em cima de um estrado. Tenho também um quadro atrás de mim e fios, microfones, enfim, equipamento para vencer a grandeza do espaço. Estou também frenética. Quero impressionar todos com o que vou dizer. Levanto-me, vou para o meio da sala, depois regresso à minha mesa comprida. Mas a minha voz sai sempre baixa. Por vezes nem baixa sai. Quero falar e falta-me a voz. Gesticulo imenso, tento escrever no quadro e movimentar-me, para dar a ilusão que há coisas a acontecer. De repente, vejo que chove dentro daquele espaço a perder de vista e vou sala adentro, para ver se os alunos estão molhados. Não estão. Alguns olham para mim sem interesse, outros tentam parecer simpáticos, mas não têm verdadeira simpatia. E eu volto para a secretária, posto que só chove em cima de mim. Nisto, entra porta dentro um aluno mesmo, que eu conheço, com quem convivi dois anos. Entra tal e qual como é, ou como se tornou, depois de ter ficado doente. Olhou para mim e eu, dada a distância, dirigi-me para ele, para o cumprimentar como sempre: um toque com a mão fechada. Mas ele saiu entretanto e eu pensei que já nem ele tinha simpatia por mim...
Quando acordei, tive um pressentimento, e se ele saiu da vida, como saiu da minha sala?
Depois vim a saber que tinha, de facto, saído. Saiu na sexta-feira. RIP!


Sunday, November 05, 2023

A casa ...

 (... a tal, com que sonhei uma vez e continuo a procurar...)



TalkAI Gerador de imagens.

Instruções: É de noite. Uma floresta. No meio, um lago escuro. No meio do lago, uma casa abandonada, de cor amarela. As janelas abertas. De uma das janelas, sai uma cortina rasgada. Ao estilo de Zdzisław Beksiński.

Comentário: O TalkAI não conhece Beksinski. 

Tuesday, October 17, 2023

Outubro, 2023

 


Choveu imenso. A estrada parecia um rio. Só vim a pé porque gosto de chuva. E agora, a caminho da meia-noite, parece que oiço o aproximar de trovões...  

Wednesday, September 27, 2023

Burocratas

 


Os burocratas são gente que não se recomenda. É gente que privilegia a forma e não liga para o conteúdo. Desde que esteja tudo em grelhas, em tabelas, em gráficos e devidamente exarado em actas, relatórios e outras narrativas afins, tudo coisas que se possam mostrar a quem é pago para inspeccionar toda esta inesgotável papelada, não há nada a dizer. É gente que sempre adormeceu a ler as últimas do Diário da República e acorda para voltar a fuçar no referido Diário. Aliás, suponho que é gente que desgosta desta nova versão digital do já mencionado hebdomadário, posto que gostava de encavalitar o dito na mesinha de cabeceira, a cobrir-se de pó. Mas estamos nesta admirável era da Internet, fonte inesgotável de plataformas e outros sítios plenos de conteúdos vários de leitura obrigatória, pelo que, dado o manancial de dores de cabeça que vem da inefável rede, o burocrata, que é imune a cefaleias, tem muito para se locupletar. 

Não se pense que todos os burocratas são iguais. Há os ciberburocratas, sempre à cata de novidades na net, para embasbacarem a restante cristandade. São uma casta sublime. Assim que encontram uma forma diferente, de preferência mais morosa e mais atreita a erro, para fazer aquilo que já se fazia com uma certa calma, ficam eufóricos. Há que reunir, para informar e formar os restantes para as agruras da novidade, o que lhe dá direito, também, a pôr a descoberta no relatório anual de autoavaliação. É um dois em um. Dois? Três ou quatro. Hoje em dia, o que importa é complicar! Depois há o burocrata assustado, aquele que o é por necessidade, já que toda a gente que é gente o é também. Este burocrata anda sempre com um ar compungido e uma arritmia latente, posto que pensa que se esqueceu, certamente, de qualquer papel. Pior: daquele papel que era absolutamente indispensável. Daí a arritmia. Há depois o burocrata absolutista simples e o burocrata absolutista complicado. O primeiro tem características de todos os outros, mas muito mais satisfação. Quem lhe tira a oportunidade de fazer um PowerPoint ou de inserir dados numa plataforma, tira-lhe tudo. E os workshops? Tão úteis! E as formações? E as folhas de Excel? Maravilha! 

Quanto ao Burocrata absolutista complicado, é que a asna torce a parte traseira. Desde logo, almeja tornar-se no sumo burocrata. Aliás, há quem já tenha sido sumo e tenha regressado à base com bilhete só de ida, passando a vida a tentar encontrar o bilhete de volta. Mas não volta, porque a cristandade, escarmentada, tudo faz para o manter apeado. Torna-se então na pior espécie de burocrata: o ressabiado! Que faz o ressabiado? Protesta por tudo e por nada. Nada está bem e, se estiver, podia estar ainda melhor, se tivesse sido feito sob o seu olhar orientador. Ele é que sabe! Ele é que conhece a legislação. A ele ninguém lhe faz do alto da cabeça mesa de restaurante. É o tipo de pessoa que quer ficar na História e se não fica pelos seus feitos, fica pelas suas desfeitas. É que ele está sempre a desfazer no trabalho dos outros. É um pespego. Um fazedor de grandes tempestades em pequenos e médios copos de água. 

Consta, eu não sei de nada, pois não sou pessoa que coscuvilha, que um dia destes um daqueles burocratas saiu em grande estilo, deixando atrás de si o caos: aliás, a época de reuniões já teve início. Imagino a satisfação que ele sentiu. Imagino-o a dizer para os seus botões, únicos interlocutores atentos dos seus dislates, sabido que é que os botões não têm ouvidos (e ainda bem!): «Anda que vão ver como elas lhes mordem. Agora que eu já me safei - e bem - eles que façam as coisas como deve ser, para ver se aprendem. Ainda se hão-de lembrar de mim!»

Olhe que não. Ninguém se vai lembrar de si. Muito menos ter saudades dos seus rompantes de sabichão. Quem ainda tinha algum respeito por si, perdeu-o. Quem o achava, apesar de tudo, pertinente, acha-o agora impertinente. Leia-se: sem pertinência, fútil, só porque sim. 

Fico por aqui, para não falar dos "queixinhas", categoria ainda mais nociva, especialmente quando se junta o burocrata ao queixinhas. A queixa, essa instituição com barbas, em Portugal.  

Imagem: https://www.deviantart.com/eolmedillo/art/The-Dark-Art-Of-Zdsislaw-Beksinski-Part-12-952605657, consultado em 27 de setembro, 2023

Sunday, September 24, 2023

Linguagem Inclusiva do Elu...

 


Sobre a linguagem inclusiva escreverei um dia destes. Mas a frase de Dostoiévski resume o fenómeno na perfeição.

Monday, September 11, 2023

O Regresso...

 

Acabou o tempo de deambular entre a cozinha e o quarto... as manhãs, as tardes, as noites na cama. Pelo meio, pintar uma parede... trabalho imenso e sempre adiado. Cansaço...
E aprendi... aprendi, há muito tempo, que sou um recurso... alguém que está sempre à mão, para quando é necessário... o que não quer dizer que eu seja necessária...

Tuesday, August 15, 2023

Normalizar o "vulto"


 As novas mulheres têm vultos entre as pernas... Vamos normalizar o vulto.

Estou a sonhar? Isto é uma piada? Isto é a realidade: o novo normal.

As novas mulheres



Muito bem, minhas senhoras, mas mantenham-se longe das casas de banho para mulheres.

Horrível Mundo Novo...

 






Vivemos, de facto, numa sociedade que tem horror ao saber, à cultura, à ciência. Como diz a Dra. Anna Lofti, vivemos uma sociedade que é "anti-intelectual". Vale tudo. As opiniões, as intuições de cada um são tão válidas como o Conhecimento, isto é, o verdadeiro conhecimento, aquele que se aprende nos "bancos da escola", nos livros, enfim, nos locais onde se encontram as pessoas que gostam de estudar, de investigar, de divulgar conhecimento. Este não se compadece de opiniões. 
O conhecimento hoje não cabe na metáfora de "anões nos ombros de gigantes". Ou seja, o cientista hoje, em sentido lato, não se vê como alguém que vai acrescentar àquilo que já existe. Não. O novo cientista, o novo académico, parte do zero. De forma impressionista, deita o seu olhar em redor e foca-se no registo das suas intuições. À tradição vai buscar apenas aquilo que lhe permite validar as suas elucubrações. Em alternativa, limita-se a desconstruir a tradição, o cânone, digamos ou, pior, a destrui-la. A razão morreu, abrindo as portas à emoção.
 É a emoção que pontifica na sensibilidade à flor da pele da cultura "woke". No centro do "wokismo", só há vítimas: de racismo, de xenofobia, de homofobia, de transfobia, etc. Na sua periferia, estão os defensores dessas vítimas: ativistas disto e daquilo, corporações, políticos e académicos! Contudo, vítimas mesmo são as crianças em idade escolar, entregues nas mãos de professores que se preocupam com tudo, excepto com aquilo de que deveriam ocupar-se: o conhecimento! Anna Lofti está justamente a liderar um "movimento" que vai processar o governo do Reino Unido devido àquilo que está a ser ensinado a crianças da primária em matéria de transsexualidade. Aliás, de sexo e género em geral. O sexo tornou-se matéria incontornável em muitas escolas do Reino Unido, EUA e Canadá. Tenho lido e assistido a programas, debates e declarações de estarrecer.  Deixo umas frases que cito de memória:

- As mulheres podem ter pénis?
- Claro que sim. (político britânico)

- Quero ser a primeira mulher transgénero a fazer um transplante de útero, para engravidar e poder abortar. 

- As mulheres trans são muito melhores que as mulheres cis: podem fazer sexo sem engravidar.

- O que é uma mulher?
- ...

- O que é uma mulher?
- É alguém que se sente mulher. 

- Pai, acho que estou a começar a gostar de mulheres. (mulher trans, anteriormente homem homossexual)
- Que bom. Gostava que engravidasses uma mulher.
- Não. Eu é que vou engravidar!

- Mulheres biológicas? Isso das mulheres biológicas é só uma maneira de falar para diminuir as mulheres transexuais. Não há mulheres biológicas. Há mulheres!! (mulher trans)

- Fui expulsa da casa de banho das mulheres!!!!! (mulher trans, com barba e cabelo no peito)

- A barba não é uma característica masculina!!! (mulher trans)

- Fui expulsa da casa de banho por uma mulher e não posso fazer queixa dela, porque ela é de cor e eu sou branca. Se fizer queixa, com esta coisa da supremacia branca, ainda me meto em sarilhos. (mulher trans com barba e uma enorme maçã de adão).

- Mulher trans: quais são os seus pronomes?
- Mulher: Desculpe? Não é óbvio? Eu não direi jamais os meus pronomes.

Nem eu! Uma coisa me custa imenso nisto tudo. Sempre fui respeitadora da maneira de ser dos outros. Aliás, é importante sê-lo na minha profissão. Respeito uma pessoa com disforia de género e que faz mudança de sexo, mas não tenho paciência nenhuma, nem respeito, em relação a "mulheres" com barba, cabelo no peito e pénis entre as pernas, que dizem ser mulheres, querem ser tratadas como mulheres, usar as casas de banho das mulheres e participar em equipas desportivas femininas.   











Tuesday, August 01, 2023

O Reino do Pineal

 

Eu fui ler as últimas no canal do jornalista pela verdade, que defende com unhas e dentes o Reino. Ele fez uma reportagem e só viu maravilhas. Que as pessoas não estejam registadas, estejam em Portugal, mas é como se não estivessem, não lhe interessa. Também o inefável guru e escritor que não obedece, mas todos os dias tem dizeres - pavorosos!! - que gostaria que fossem obedecidos, acha o referido Reino um paraíso. Mais: o Estado - aliás S.I.S.T.E.M.A. - só não gosta daquela gente porque ela é autossuficiente e ao Estado, claro, não interessa gente que pensa pela própria cabeça. E deviam ver a cara (de parvo) com que o guru escritor profere estas pérolas de sapiência. Bem, dizia eu, fui ver as últimas notícias e não fiquei desiludida. Os comentários dos seguidores do jornalista pela verdade são o divertimento de que eu necessitava neste dia em que fiquei até às 5 da tarde à espera dos CTT: lesmas!!! Todos são a favor do Reino e do rei. Mas apareceram uns dissidentes a estragar a narrativa. A chamar a atenção que não se pode estar assim num país estrangeiro AKA república das bananas, sem estar identificado e obedecendo às leis do país. Etc., etc. Entretanto, alguém traz a questão de que no Reino acreditam que a terra é plana e que o homem não foi à lua. A discussão aquece, escusado será dizer. Alguém, de imediato, escreve um arrazoado defendendo que sim, que é plana. E pergunta: porque é que se diz planeta? Não se diz boleta. Não se diz esfereta. Não se diz redondeta. E porque será, continua, que NASA ao contrário quer dizer engano em hebraico, se não estou em erro. E continua falando da guerra entre aspas na Ucrânia, porque também é uma invenção, como invenção foi a covid. Esta exposição colheu muitos likes e corações dos seus apoiantes. E é quando um indivíduo, já farto de tanta teoria esdrúxula, deixa esta verdade que eu subscrevo na íntegra: 

A Terra não é nada plana. A Terra é um cubo, um cubo mágico, com 5 faces planas e uma curva, em abóboda. Gira em redor dela um charuto, sempre aceso, a que chamam de Sol. A Lua é um tamanco, só não consigo prová-lo porque não chego lá com o banco.
Vivam os charros.




Wednesday, July 26, 2023

Gone...


Voz linda. Das mais lindas. Presença. Letra ancorada na fragilidade humana. A vida. As mudanças. O suicídio do filho aos 17 anos... 
Também morreu Milan Kundera. O Intelectual. Com I maiúsculo.
E hoje morreu Eduardo Pitta, o escritor.

Vão morrendo as pessoas que são verdadeiramente reais - materiais - na nossa vida. Os outros, aqueles com quem nos cruzamos ou não, no dia-a-dia, são hologramas. Sombras. Imateriais. 

Thursday, June 29, 2023

Hellooooooo


Quem andará por aqui nos últimos dias? Há um movimento inusitado...

E são horas de dormir. Acabei de fechar o expediente.


https://www.wikiart.org/en/zdzislaw-beksinski/untitled-1973-0, consultado em 28 de junho, 2023

 

Thursday, May 25, 2023

Milan Kundera


 O livro do Riso e do Esquecimento.

Não há motivos para riso. Só esquecimento. Dia estranho: A, B, C, D, etc. Personagens sinistras. Nem sempre consigo evitá-las. E depois as palavras, as frases ditas: tudo o que queremos não lembrar. Esquecer. E depois a realidade imediata. Estou aqui sentada, sem ânimo para me levantar, mas quero deitar-me com urgência. Quero ir para a minha cama. Embrulhar-me nas mantas, aconchegar-me nas almofadas, ligar alguém que me conte histórias directamente da Internet. Preciso de confortar-me, de que me confortem. Preciso de atravessar a noite muito devagar. O dia de amanhã será certamente eterno...  

https://steemit.com/art/@dr-frankenstein/the-wierd-and-dark-art-of-zdzislaw-beksinski 

Thursday, May 18, 2023

Circo

 


A doninha fedorenta também tem características de caracol. Não me surpreende...

Friday, May 05, 2023

Certainly ME!



If the night turned cold And the stars looked down And you hug yourself On the cold, cold ground You wake the morning In a stranger's coat No one would you see Ask yourself, 'Who'd watch for me? 'My only friend, who could it be?' It's hard to say it I hate to say it But it's probably me When your belly's empty And the hunger's so real And you're too proud to beg And too dumb to steal You search the city For your only friend No-one would you see You ask yourself, 'Who could it be? 'A solitary voice to speak out and set me free' I hate to say it I hate to say it But it's probably me You're not the easiest person that I ever got to know And it's hard for us both to let our feelings show Some would say I should let you go your way You'll only make me cry But if there's one guy, just one guy Who'd lay down his life for you and die It's hard to say it I hate to say it But it's probably me When the world's gone crazy, and it makes no sense And there's only one voice that comes to your defence And the jury's out And your eyes search the room One friendly face is all you need to see And if there's one guy, just one guy Who'd lay down his life for you and die It's hard to say it I hate to say it But it's probably me I hate to say it I hate to say But it's probably me I hate to say it I hate to say But it's probably me I hate to say it I hate to say But it's probably me

Wednesday, April 12, 2023

Óculos 2023, Abril


Os anos passam e eu já nem me reconheço... 

 

Thursday, April 06, 2023

AI Chat GPT

 


Oh!! A Inteligência Artificial!!!!!



Esta sou eu: tão velha e tão contente!!! E com o cabelo de quem viu uma bruxa...

Saturday, March 18, 2023

A alegria dos outros


                           

A senhora está esfusiante. Passeou, viu, contactou. Recebeu muitos telefonemas. Eu tento contribuir para o espírito da coisa. Mas não estou num dia bom para fingir. Não por falta de prática. O meu estado normal consiste em fingir, omitir ou inventar. Também minto não raras vezes... 
Mas a senhora também não facilita. Já deveria ter compreendido que falar da alegria de A e de B só contribui para que eu me sinta uma intrusa. Todos tão unidos! Tão lindo. Sublime, até! Mas eu podia ser poupada às histórias da alegria alheia. Eu já tive um papel naquele grupo. Tinha uma função. Uma utilidade. Mas fui-me tornando irrelevante. Fui sendo um incómodo. Um estorvo. Alguém que irrita por isto e por aquilo. Um bode expiatório também... Alguém desagradável que há que ignorar, esquecer, deixar no meu canto. 
Todos tão amigos. Esquecidas as violências passadas. As humilhações, o desamparo, o abandono. Acabou o que teve que acabar, mas, como pessoas civilizadas, mantêm-se laços. Eu é que não há civilização que me salve. Tornei-me demasiado insuportável. 
A coisa vai funcionando em círculos. Tão unidos que já fomos. Não tínhamos outro remédio. O grupo da praia da claridade: será que ainda estão todos vivos? Não que alguém se interesse. Depois o outro grupo. Depois eu, atrelada, como sempre, pelo dever...
Lá tive que mudar de assunto. Para variar. Será que o bolo - «tão bom!» - tinha uma vela?  Será que cantaram em coro? De qualquer modo, eu não poderia estar nesses festejos. Por todas as razões. Há muitos anos que não posso participar de quaisquer festejos. Ainda bem... Não que alguém me queira convidar, claro!

https://www.artmajeur.com/soniademangel/es/artworks/4824742/soledad, consultado em 23 de Janeiro, 2023

Friday, February 10, 2023

Ganhar o dia


Ontem, saí derrotada do trabalho. Acontece muito perguntar-me: «o que é que estou a fazer no meio destes apedeutas empedernidos?» Pior: é aquele tipo de ignorância longamente cultivada e  apaparicada, não vá ela ressentir-se e desertar aquelas cabeças ocas. As coisas que se ouvem no recinto da acção, digamos, para disfarçar. E que se vêem fazer. Agora, há um que, quando menos se espera, descalça os sapatos e as meias, para que eu lhe aprecie os calos nas solas dos pés!! Bem eu lhe posso implorar: «ó menino, mantenha-se calçado!» Em vão. Ele quer mostrar os pés, e mostra. É a chamada escola centrada nos interesses dos alunos, muito do gosto da pedagogia eduquesa, que está completamente desfasada em relação ao verdadeiro interesse dos alunos. Os colegas também o instam a que tenha maneiras, mas ele logo se apresta a descansar os presentes, dissertando sobre maus odores corporais, que é coisa que o seu corpo desconhece por completo, posto que é inodoro. 

Esta figura, quando se trata de actividades avaliativas, é acometida de doenças várias. A última foi uma conjuntivite fulminante. Mal lhe pus a folha à frente, ficou mal de um olho. Pediu para ir aos serviços de enfermagem, de onde veio munido de gotas. Ainda olhou na minha direção, para sondar se eu estaria interessada em medicá-lo, mas viu logo pelo meu semblante de poucos amigos, que tinha de procurar outra pessoa. Nisto, um colega, depois de rabujar, suspendeu a actividade avaliativa para lhe pôr as gotas. Muito dado às artes dramáticas, o bicho fez tal espalhafato, que parecia que lhe estavam a extrair os dentes sem anestesia. Posto isto, retirou-se para lavar os olhos, mas voltou à base para buscar algo para se limpar. Olhei para o percurso que ele estava a fazer, e vi dois rolos de papel higiénico perfilados sobre o armário, onde se guarda toda a papelada e dossiês. Enfim, todo o entulho típico desta extraordinária era digital. Lavado e limpo, informou-me que estava incapacitado para fazer a sua obrigação de aprendente, pois mal conseguia ver. Eu acenei com a cabeça e ele sentou-se, fechando os olhos. 

Mas o que é que me fez ganhar o dia hoje? Quando me desloquei de uma sala para a outra, um aprendente diz-me: «Ah, já aí vem. Foi o que lhe valeu, porque eu já me preparava para a ir buscar, à outra sala, por uma orelha.» Acenei com a cabeça. 

Acenar com o bestunto é, aliás, uma das minhas últimas técnicas em termos de boas práticas pedagógicas.

Friday, February 03, 2023

Wednesday, January 25, 2023

Monday, January 23, 2023

What !?

 


Fim de semana muito estranho. Qual é o mal de "trabalho é trabalho e conhaque é conhaque?" Por que motivo é que as pessoas pensam que estar sozinho é estar mal, estar solitário, necessitar de mudar? Por que motivo é que se pensa que o que é bom para alguém é bom para o resto da humanidade? Eu não vou insistir com ninguém para fazer como eu durante as férias "grandes": só sair à noite, três vezes ao todo durante o mês, depois da meia-noite, para colocar o malfadado lixo no contentor. Outra coisa, não é suposto que as mulheres sejam invisíveis depois dos 40?? 

Sunday, January 08, 2023

8 de Janeiro 2023

 


A única data que vale a pena comemorar: o dia da conclusão do meu doutoramento!! Não bebi nada... Ainda!

Parabéns, minha querida Doutora Adélia Rocha: I love you!



Saturday, December 31, 2022

Alívio: acabaram as festas!


Para desanuviar. Isto se não tirarem o vídeo. Foi o que me valeu...

Friday, December 30, 2022

Sem perdão!!!

 


Fernando Santos não podia deixar Ronaldo sentado. No banco. Fernando Santos contribuiu para destruir a carreira de Ronaldo. FS mostrou não ser um líder, mas apenas um chefe. Mais um. E seguiu-se uma onda de ódio de, na maioria, portugueses. Há desprezo. Há escárnio. Há gozo. Uma verdadeira orgia de desamor. Um apedrejamento feroz. Sanguinário. A expressão "passar de bestial a besta" não descreve minimamente o que se passou, ou melhor,  está a passar-se. 

Fico sempre extasiada perante estas mudanças. Diárias. Vindas de diferentes pessoas e nas mais variadas formas. Mas surpreende-me sempre. O que leva os outros a entregarem-se a estas manifestações de ódio? O que os leva a esquecerem tudo o que Ronaldo significou/significa para o futebol? 

Para além do mais, Fernando Santos foi particularmente cruel: escolheu o momento certo para dar o seu golpe. Quando é muito provável que Ronaldo não possa disputar um outro mundial. FS foi cobarde e prepotente. A prepotência é, aliás, um traço característico dos cobardes. 

Para mim, FS representa aquilo que de mais ignóbil existe no ser humano. Foi baixo. Rasteiro. Absolutamente SEM PERDÃO!!!

Ah! Subscrevo em absoluto aquilo que foi dito por César Mourão: preferia ver Portugal perder o jogo, do que ver Ronaldo no banco. Penso o mesmo. E compreendo muito bem o que César Mourão quis dizer. 


Natal 2022

 

Prepara-se a "festa". Depois limpa-se o que restou da "festa". E limpa-se e limpa-se. Cumpre-se o dever, com a sensação de que não passa do cumprimento do dever. 

E eu só quero descansar... 

https://www.redbubble.com/i/art-board-print/Zdzis%C5%82aw-Beksi%C5%84ski-by-For-Evere05/95525169.NVL2T 




Friday, December 09, 2022

Monday, December 05, 2022

Companhia!



O Nuno Markl é a minha companhia diária. E o René e o Blackadder e os outros, que diariamente oiço, ano após ano, para ter a noção de que há algo na minha vida que permanece.

Saturday, November 26, 2022

Círculos


Claro, escuro, desolado. Belo. 

Telefonema: ira. Desolação. Eu, desolação. Mas sem esta música de fundo. De fundo, o eco de telefonemas passados. O meu destinos é aturar e arrostar com esta gente que só me me leva para baixo, para o fundo? Se a pessoa não tem nada para dizer por que motivo telefona? Se a pessoa não lhe apetece ouvir, por que motivo atende? E porque sou sempre eu do outro lado da linha? Um dia destes desligo os telefones todos de vez. Não atendo ninguém!! Se sou uma empata, porque é que não me deixam em paz?  

Wednesday, November 16, 2022

Waiting for Godot


Desde as 14:00 aqui... e ainda nem comecei. Acabo às 22.  Talvez. 

https://www.theartistation.com/2015/07/zdzislaw-beksinski-collection-surreal-paintings/ 


Saturday, November 12, 2022

Robert Smith: I don't belong here any more...



Crueldade...

Eu continuo a gostar de ti, das tuas músicas. No matter what... I myself got old and pathetic as well.


https://aminoapps.com/c/m-lets-rock-m/page/item/robert-smith/z6qB_KBwTwIBJjZnLrZkBowraXXnPLrDrEa

https://www.facebook.com/176481845761539/posts/happy-bday-robert-smithhappy-61st-birthday-the-cure/2933315403411489/

I'm outside in the dark, wondering how I got so old



And I'm outside in the dark
Staring at the blood red moon
Remembering the hopes and dreams I had
And all I had to do 
And wondering what became of that boy  
And the world he called his own...
I'm outside in the dark
Wondering how I got so old 

It's all gone 
It's all gone
Nothing left of all I loved
It all feels wrong 
It's all gone 
It's all gone 
It's all gone
No hopes no dreams no world
No… I don't belong
No… I don't belong here any more

It's all gone
It's all gone
I will lose myself in time
It won't be long
It's all gone
It's all gone
It's all gone

Left alone with nothing
The end of every song
Left alone with nothing
The end of every song
Left alone with nothing
Nothing
Nothing
Nothing

https://www.youtube.com/watch?v=RXxiLwwmx4M

Sunday, November 06, 2022

Leitura para acordar, diz ele...

 


Muito se tem falado sobre os efeitos da pandemia na saúde mental dos portugueses. Confesso que não tenho muita paciência para esta ideia de que o ser humano por qualquer coisa se vai logo abaixo das canetas mentais. Claro que uma pandemia é um assunto muito sério, trouxe muito sofrimento, morte, desemprego, etc., etc. Claro que provoca ansiedade e alguma insegurança, mas o mundo sempre assim foi. É como se estivéssemos muito bem e, de repente, foi tudo por água abaixo. Não estávamos todos muito bem. Alguns estavam, e continuaram a estar. Mas para muitos a vida é um acumular de maus momentos. A felicidade é sempre muito breve. E, de repente, há uma outra doença que se pode tornar pandémica e tornou. Ao contrário da gripe das aves e da gripe dos porcos, se não estou em erro, que foram apenas endémicas. Foi mais um susto como, deixa-me lembrar, a SIDA e a doença das vacas loucas, que acabaram por ficar mais ou menos circunscritas a certos grupos de risco e não assumiram proporções equiparáveis a este último vírus. Mas poderia ter sido um terramoto, sei lá... Eu sou pessimista, bem sei, mas ainda assim, há que ter em conta que há sempre um qualquer fantasma no horizonte para nos assombrar. Logo, o ser humano já devia estar vacinado, ou melhor, calejado. A pandemia veio, houve necessidade de mudar hábitos e continuar a viver sob essa nova circunstância.

Pessoalmente, distanciamento social? Adoro: a d o r o. Ficar em casa? Adoro. Não ir a festas, não passar o Natal com a família? Adoro. Usar máscara? Adoro. Onde estavam as máscaras quando eu passando por certos ajuntamentos continha a respiração? Onde estava a máscara quando eu, nos anos 90 do século passado, tinha de me dirigir a uma repartição pública pagar contas disto e daquilo, ao fim da tarde, numa sala com ar condicionado a ferver e um cheiro nauseabundo de corpos transpirados e hálitos pouco frescos? E onde estava a máscara, quando eu dava aulas numa certa escola, cujos alunos na sua maioria não tinham descoberto as maravilhas da água e do sabão? Havia queixas de certos pais, que não queriam os filhos junto de fulano e sicrano, porque não aguentavam o fedor! Ou seja, descobri a máscara, esse acessório que me acompanhará para sempre em certas ocasiões, enquanto eu for viva. Claro, depois de morta, já não há necessidade. 

Mas há quem não acredite na pandemia. E encha a barriga de nomes aos covideiros: medricas, obedientes, gente sem capacidade crítica, que obedece à voz do dono, incapaz de ver que é tudo uma fraude para os senhores do mundo, através do medo, nos manipularem e nos espetarem com o "globalismo", a nova ordem mundial. (Um momento, para me rir.) Ah! Já me esquecia e o grande reset! Etc. Tudo isto, claro, em virtude de certas pessoas terem ficado perturbadas mentalmente devido ao trauma de lidarem com uma pandemia. É assim que eu interpreto. 

E depois existe este escritor que se gaba de eructar postas de pescada. Que desagradável! Escritor de romances espirituais e obras de - imaginem! - "desenvolvimento pessoal". E agora, para tentar despertar os covideiros assustados, publicou este livro que afirma ser imprescindível para libertar os medrosos, os que não são livres, os que não se amam, etc., etc., resumindo, para nos salvar do/da terrível, e cito,  « C.H.O.N.É.: Conversão de Humanos em Ovelhas de Nádegas Escancaradas". E esta, hein? Como dizia o Fernando Peça.

O livro já esteve no n.º 1 do Top e agora está no n.º 3, mas há quem tente boicotar!!!! Claro, há que silenciar as "verdades", o que incomoda, o que contraria a narrativa dos globalistas. Francamente, não se faz isto com uma obra de tão elevada craveira! 

Se alguém me oferecesse este livro no Natal, eu até o lia, por motivos de... bem... quer dizer... enfim... hum... ainda me há-de ocorrer alguma coisa... Agora pagar o livro??? É preferível gastar tudo em vinho.


https://www.facebook.com/gustavosantosescritor  

Sunday, October 30, 2022

Ao menos isto...


Só de ver a alegria do professor Marco António Villa, já fico feliz. 

Wednesday, October 19, 2022

Tragam-me o livro de reclamações!!!

 


Acordei arrelampada. Estava a tentar falar com o chefe da estação de caminho de ferro. Aliás, levei metade da noite a tentar contactar o chefe da estação. A outra metade foi passada a correr atrás da funcionária da estação, aos berros, dizendo-lhe: «Quero o livro de reclamações!» E ela, que não tinha o livro. E eu: «o livro, já! Quero o livro!» Já me faltava a voz. E à funcionária estava a faltar o ar, com medo. De mim! «Quero o livro de reclamações!!». Ela, com ar esgazeado, saiu então do cubículo, onde a minha bagagem jazia aberta e retida, posto que a funcionária não me autorizava a seguir viagem, sem eu arrumar todos os meus pertences devidamente. Teve, pois, a dita cuja, a lata de censurar a forma como emalei a minha trouxa. Saiu do cubículo, dizia eu, calada como um rato, porque já não aguentava a minha berraria: «o livro! Quero o livro! O livro de reclamações!» E, como ela saiu, eu saí também, da zona do cubículo, atrás dela, que, ao pressentir-me, desatou em grande correria por um caminho agreste. De noite, claro. É sempre de noite que as aventuras acontecem. Paisagem estranha. Caminhos estreitos. Vegetação cinzenta e com muitos espinhos. E a funcionária a correr à minha frente e eu, furibunda, atrás dela: «o livro! O livro de reclamações! O livro! O livro!» Nisto, a fulana caiu. E eu contente. Fui por cima dela – não confundir com em cima dela – e berrei-lhe diretamente no ouvido que não estava esborrachado no chão de arbustos cinzentos: «o livro! O livro!» Mas como a funcionária da estação de caminho-de-ferro parecia ter gostado da cama onde se estatelou, depois de um senhor tropeção num arbusto cinzento, visto que não dava mostra de se querer erguer do chão, vi que tinha de mudar de estratégia e de berro: «o chefe da estação! O chefe! Onde está o chefe da estação?» E dirigi-me para a estação. Luz amarelada. Bar. Resmas e resmas de prateleiras com rebuçados e bolos e revistas. Bancos onde ninguém estava sentado. Vazios. Uma gentinha miúda, quase invisível, a rodopiar expectante. E uma série de portas. Fechadas. A bilheteira. O caminho-de-ferro. As linhas de aço. Nenhum comboio. Numa porta estava escrito: chefe da estação. Fiquei em pulgas: «onde está o chefe? Senhor chefe! O chefe, se faz favor!» Abriu-se a porta, devido ao meu alarido, e começaram a sair dela vários chefes. Todos vestidos de amarelo. «Senhor chefe?» Que não. O chefe da estação estava no primeiro andar. Dirigi-me, então, para o primeiro andar, mas não havia escadas em parte nenhuma. Foi quando vi um ajuntamento à espera de ser ejectado para o primeiro andar, através de um conjunto de molas gigantes, onde tinha de se equilibrar. Mais estranho ainda: estavam todos de calção. Pesadelo. Isto não podia estar a acontecer. Eu não quero ser ejectada por uma mola para o primeiro andar. Mas não havia outra maneira. Nisto, vejo uma cara conhecida. Estava na bicha para o primeiro andar. Diz-me ela: «vamos vestir os calções.» E eu: «mas isto é aviltante, não estou depilada.» E foi quando reparei que as molas ejectoras não estavam fixas. Tínhamos que nos equilibrar sobre elas, fazer balanço e esperar cair num sítio mole. Mais: tínhamos também que, primeiro, montar as molas, que jaziam em destroços metálicos, depois de cada carrada de gente ter sido arremessada para o primeiro andar. E pensei: vou antes chagar a funcionária da estação, que ainda deve estar esparramada na paisagem. E logo me saiu um berro: «o livro!» E a cara conhecida: «qual? Onde?» E eu: «não ligues, vamos montar as molas.» E eis que se ouve um baque enorme, com ranger de ossos, ais, uis e um enorme som de oco, causado por aqueles que tiveram o azar de aterrar de cabeça, no primeiro andar. Pus-me logo em retirada, a andar de costas, para não suscitar questões à cara conhecida, que se afadigava a ajeitar as molas, mortinha por se fazer ejectar. Sempre de arrecuas, quando cheguei à porta do bar da estação, voltei-me, finalmente, para andar de frente, e acelerei o passo. Tudo vazio. Ou não. Vi uma sombra a esgueirar-se veloz, para a zona de embarque, com a pressa de quem quer fugir para a frente, sempre para a frente e deixar o passado para trás. Numa mesa, poisava uma chávena de café preto, cheia, com o fumo a pairar de forma ténue. «Anda vai, sombra dum raio!» Eu estava berrante, frenética, revoltada. Eu queria sangue: o da funcionária. Eu queria mais sangue: o do chefe da estação refastelado no primeiro andar. E mais ainda: o sangue da mola ejectora e trapalhona. Sangue! E saí da estação de comboios.

Lembrei-me então da minha mala. A minha querida malinha, com os meus haveres caoticamente colocados nela. «A minha mala…» Murmurei. «A mala...», tornei a murmurar. E corri, corri, com as mãos na cabeça, desvairada, na direção do cubículo. Em vão. Tudo era um deserto. Não havia rasto de estação, de cubículo, de mola, de cara conhecida, de sombra, de funcionária, de chávena de café preto, de primeiro andar. Nem da minha malinha. Nem dos meus haveres. Só restava eu na noite, na paisagem cinzenta.

 

imagem: https://www.gazette-drouot.com/en/article/beksinski-warhol-and-soulages/37070 

Saturday, October 08, 2022

Cápsula do Tempo: Maria Vieira Ama Putin - Extremamente Desagradável


Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=JuQW7RwvWd4 


"As redes sociais dão o direito de falar a uma legião de idiotas que antes só falavam em um bar depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a humanidade. Então, eram rapidamente silenciados, mas, agora, têm o mesmo direito de falar que um prêmio Nobel. É a invasão dos imbecis" - ao jornalLa Stampa.

https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/02/160220_frases_umberto_eco_rb 

PS: Os idiotas não são as humoristas. Faço este esclarecimento, porque os humoristas estão sob ataque constante. Num mundo cada vez mais idiota, estes levam-se muito a sério e não admitem que se faça humor com eles.

Tuesday, October 04, 2022

Realidade Líquida

 


Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança:
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía.

Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"

https://www.zbrushcentral.com/t/zdislav-beksinski-couple/206207

https://www.citador.pt/poemas/mudamse-os-tempos-mudamse-as-vontades-luis-vaz-de-camoes

Sunday, October 02, 2022

Deserto...

 

Serviços mínimos. O mínimo possível... Estou na fase minimalista. Pouco, muito pouco, nada...

https://wooarts.com/zdzislaw-beksinski-gallery/ 

Monday, September 19, 2022

Esperar silenciosamente

 


Eu estava a preparar aulas, à procura de textos e...

https://br.pinterest.com/pin/847169379887518589/?nic_v3=1a2JU1DAN

Monday, September 12, 2022

Prof. Doutor Vítor de Aguiar e Silva

 


Morreu um dos maiores especialistas de Teoria Literária em Portugal e não só. Um homem de Letras dos verdadeiros. Um sábio. Um erudito. Quando o encontrei em Coimbra, na defesa de tese de Doutoramento de Carlos Reis, achei-o assustador. Mas foram as obras dele, a par das dos grandes especialistas franceses em Paraliteratura, que me permitiram fazer a minha própria tese de Doutoramento. Saber que, ao contrário de Arnaldo Saraiva, ele via no termo Paraliteratura uma mais-valia relativamente à Literatura que não ocupa o centro da Literatura, deu-me respaldo para afirmar, também, esse termo como o mais apropriado. Aguiar e Silva acompanhou-me do liceu ao Doutoramento. Isto é, esteve ao meu lado nos momentos mais marcantes da minha vida. E eu agradece-lho por isso: obrigada, Sr. Professor! Descanse em paz.

https://www.msn.com/pt-pt/noticias/sociedade/professor-universit%C3%A1rio-v%C3%ADtor-aguiar-e-silva-morre-aos-82-anos/ar-AA11JbRi?ocid=msedgntp&cvid=76f08ab7e1a442afb1535862617f23b8 

Saturday, September 10, 2022

Thursday, September 08, 2022

Queen Elizabeth II


Única. Serena, num mundo caótico. Com sentido de humor. 
Insubstituível! 

Gone!

 


And just like that... 

Um exemplo de elegância, discrição, sobriedade. 

Rest In Peace, Your Majesty!

https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2022/09/rainha-da-inglaterra-e-colocada-sob-supervisao-medica.ghtml 

Saturday, September 03, 2022

Sábado à Noite


Começou o ano. O Sábado é o único dia de paz. De sossego. E a noite, principalmente. Ou melhor, a madrugada de Domingo. O único dia  - o Sábado - cujo tempo posso gerir sem o sobressalto das obrigações, da berraria, das caras que se vão tornando cada vez mais desconhecidas, das tarefas absurdas e desprovidas de sentido. O espaço é hostil. Os espaços e as pessoas, também. Cada qual desloca-se tentando exibir a maior indiferença possível pelos demais. É como se todos estivessem ali por obrigação e não reconhecessem nos outros um módico de humanidade que lhes mereça qualquer respeito. Por isso passam de cara fechada. Só os que têm algum poder ou dobram demasiado a coluna ou são "muito acessíveis e simpáticos" merecem alguma ou até demasiada atenção. Não me integro em nenhum daqueles grupos. À minha volta, há sempre essencialmente estátuas ou pessoas que me vão suportando ou, ainda, aqueles que condescendem. Tipo: coitada, não é ninguém, mas vamos fazer de conta que é. Da minha parte, com raríssimas excepções, tenho para a troca, apenas, desprezo. Um desprezo calado. Silencioso. Intenso. Espero o dia em que possa voltar as costas àquela engrenagem, com a atitude da personagem de um conto de Kafka, o polícia, que, quando inquirido por um homem aflito à procura de respostas, se virou muito de repente, "como aquelas pessoas que gostam de ficar sozinhas com o seu sorriso".