Wednesday, March 18, 2015

Dormir antes de morrer


«Os doentes em estado “grave e incurável” vão poder pedir em França uma “sedação profunda e contínua” que se prolongue até à morte. A lei que o prevê foi esta terça-feira aprovada por larga maioria, pela Assembleia Nacional. É uma forma de responder ao desejo de muitos pacientes em fim de vida, contornando o sensível debate sobre a eutanásia.

A nova lei abre a porta à inédita possibilidade de “dormir antes de morrer para não sofrer” – nas palavras de um dos autores da lei, Jean Leonetti, médico e deputado da UMP, oposição de direita. O outro, o socialista Alain Claeys, destaca a vantagem de permitir aos doentes um fim de vida “tranquilo e sem dor”.»
Público, 18-03-2015
O medo de morrer e a vida como missão sagrada são o inferno terreno! Tenho que "viver até morrer?" Porque os outros querem??
Na cidade das luzes vai-se fazendo luz! Mais uma vez.
Vive la France!!!
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Thursday, March 05, 2015

... a olhar para um palácio


Georges Lemaître para explicar que o Universo teve um início: «Houve um dia em que não houve ontem.»
No Público, que hoje faz 25 anos: parabéns!

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Tuesday, February 24, 2015

O triunfo dos suínos


Insone e irritadíssima, incapaz de tirar da minha mente o cavaleiro (aliás, burreiro) da triste figura, tenho que vir ventilar a fúria para o grande nada! Discutem-se estratégias (!!!) e o belzeburro mal consegue erguer as pestanas. Discutem-se assuntos sérios (mais ou menos) e o cabisbruto, de beiça descaída e olho revirante, luta (mas pouco) para fazer de conta que não está a dormir. Finalmente, dorme mesmo, à mesa de trabalho (na "runião"), enquanto a discussão seríssima continua. Bem se berra, mas o destrambelhado está ferrado no sono e não há nada que o acorde. Ali fica, em torno da mesa redonda (quadrada, aliás), vermelhusco, beiçudo e de tromba descaída!!! Pudera, com a soneira que tem nos cornos! E assim passa o tempo, o tarata: come (atafulha-se de comida, melhor dizendo), devora bananas para armazenar potássio (muito se preocupa com as "juntas" das pernas), faz jogos no computador, vai ao "face" (dizer facebook é um esforço que está para além da sua debilitada língua!) e fala com quem calha, atroando tudo num raio de uns 500 km (sem exagero!). O fuinha só tem força na voz...quando está acordado, claro! Não se pense, contudo, que ele não acorda aí umas três vezes ao dia (as necessárias para se empanturrar). Entro e saio, saio e entro, passam os dias, as semanas e até os meses, e ele para ali está indolente, ocioso, embrutecido, enfim: esparramorto!

Este desabafo teve o gentil patrocínio de Mia Couto (embora ele não o saiba).
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Friday, February 06, 2015

A igreja estava toda iluminada




Tive, ontem, uma noite de agitadíssimas aventuras! Não foi por falta de merecimento, posto que aqui há noites sofri um atrocíssimo revés, quando me aterrou em pleno sonho uma criatura medonha vinda directamente da realidade. E em figura de gente (triste figura, claro), com a sua própria tromba e corpo. Até a roupa. Não tivesse eu fugido esbaforida de tal estafermo e poderia sentir, até, o seu cheiro característico: um ranço nojentíssimo, misto de sudorese e mau hálito. 

Bem, mas ontem foi uma maravilha. Tive uma noite prodigiosa. Atentem! Andava eu deambulando por uma rua ladeada de moradias lindíssimas, quando avisto uma em que já estive e à qual desejo voltar. Fico, então, junto à porta, na tentativa de me lembrar de uma desculpa suficientemente boa para que a dona me deixe lá entrar. Mas nada! Claro que ainda espero que a porta se abra, como é suposto as portas fazerem nos sonhos, para que eu possa simplesmente entrar. Mas esta é uma porta surda, que não liga nada à minha agitação ansiosa. Nisto, vejo um homem muito pálido, com ar de quem não está nada bem e vejo, também, uma cadeira de rodas. Não hesitei. Coloquei o homem na cadeira e fui em correria, com o homem aos guinchos, bater à porta da casa linda e hipnótica, implorando que me deixassem entrar para acolher aquela pobre alma em sofrimento, nosso irmão na fé. A senhora, muito aristocrática e de nariz franzido disse que não acolhia enfermos, que me dirigisse ao hospital. «Mas» disse eu, vislumbrando o corredor magnífico, «somos todos filhos de Deus, etc.». Ao que ela respondeu, peremptória: «o meu pai é o Sr. Nogueira». E bateu com a porta.  

Ora, de um momento para o outro, não só me vejo impedida de fazer o que queria, como me vejo a braços com um enfermo, cada vez mais pálido, amarelo até e, já agora, esverdeado em certas partes, que não interessa aqui mencionar. «Esta não será uma noite de visitação de casas», pensei, «vejamos o que me espera». E decidi passear o achacado, na esperança de que o ar fresco lhe fizesse bem. Porém, vendo-o com a cabeça muito inclinada, temi o pior e estava certa: o homem tinha falecido. Dirigi-me em correria, de cadeira de rodas em punho, para a casa, esperando que a dona não negasse a entrada a um defunto. Em vão. A senhora, nada caridosa, nem uma palavra me disse. Fiquei, claro, muito abatida e sem saber o que fazer. É então que passa um carro da polícia anunciando fazer coisas terríveis ao defunto, caso este não se casasse de imediato. Eu ainda gritei para o carro, «mas ele faleceu, espero que esteja perdoado». E responde a polícia, ao longe, mas de forma vigorosa, «só o casamento o livra». «Ele há coisas» pensei, «que mundo é este que não dá sequer paz a quem já partiu?» Dirigi-me então a uma igreja em forma de carro, com guiador e tudo, e contraí núpcias com o jazente. O padre, comovido com a minha atitude, disse-me de forma solene: «já o podes enterrar, irmã». Pois que mais podia eu fazer? E dirigi-me para o banco da frente, posto que nos tínhamos casado no banco de trás, para me dirigir a uma funerária. Nisto, passa o carro da polícia e eu gritei-lhes: «casado e bem casado!» E eles foram para outra freguesia. Com ternura súbita, deitei um olhar meigo ao meu defunto marido, estirado no banco traseiro, e vi como eram azuis e espantados e aterrorizados e cada vez mais abertos os seus olhos. «Quem és tu?», ouvi incrédula. «Sou a tua legítima esposa». «Esposa???». «Sim, esposa. Honrei-te e livrei-te de veres o sol aos quadradinhos, fica sabendo.», «Mas eu não te amo!», «Ora essa, és muito esquisito, para quem já está morto… e azulado!», «Morto? Desde quando é que os mortos falam?», «Isso te pergunto eu, ingrato!», «Ingrato? Fora eu ingrato e uma mulher como tu não poderia gabar-se de ter um marido como eu!», «Uma mulher como eu? Como te atreves?», «Atrevendo-me… antes a morte que tal sorte!». E expirou ruidosamente, mas com alívio. Nunca me senti tão humilhada na minha vida: ser esnobada, como dizem os brasileiros, por um moribundo! Conduzi, então, o carro igreja rapidamente para a mortuária, onde deixei o ingrato defunto para ir a enterrar. Não iria acompanhá-lo, pensei, nem me vestiria de preto. Foi então, enquanto encomendava uma urna de pinho, do mais barato, que tive uma ideia brilhante. Iria novamente bater à porta daquela casa. Agora, como viúva, em sofrimento. Aliás, com o marido morto logo depois da cerimónia. Aliás, antes mesmo da cerimónia. Quem negaria uma palavra de conforto e um chá, uma cama, uma estadia de uma semana (ou mais), a uma mulher assim, como eu?  «Pinho, mas do mais caro, se faz favor, e um raminho de crisântemos amarelos». E chorei um bocadinho. A alegria antecipada da permanência na casa tornou-me generosa. E, de negro, acompanhei, até ao fim, as exequiazinhas. RIP  
Imagem:IngeSchuster, https://x.com/literatura_rte/status/1756245188165414963?lang=ar, consultado em 24 de Abril, 2024
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Friday, January 23, 2015

The Walking Dead - Main Title Theme Song





Voltam em Fevereiro! Mal posso esperar...

Música linda! História... não interessa a história! Interessa o corte com a realidade imediata. A fuga que possibilita.  No YouTube discute-se a falta de coerência das histórias, etc. Pobres tontos. Arrastam-se incoerentes pela vida, mas querem coerência na ficção, querem encontrar a lógica num produto de entretenimento. Pessoalmente, só quero que Daryl não morra, que a série não termine, que todas as semanas me seja concedido o privilégio de ter esta gente toda, mortos e vivos, em correria pelo escuro do meu quarto.

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Monday, January 19, 2015

Gavin Bryars - Jesus' blood never failed me yet






Público 19- 01-2015




«“Se é mulher e não procura a felicidade, nem amorosa, sexo ou esperança, se apenas deseja morrer, mas não em solidão, ligue-me.” O anúncio vinha num jornal e saltou à vista do sociólogo José Machado Pais. O professor universitário levou um dos seus temas de eleição, a solidão, à iniciativa Escutar a Cidade, que arrancou na quinta-feira em Lisboa e se prolonga até Junho. A ideia é que não crentes digam o que esperam da comunidade cristã. José Machado Pais falou da sua solidão, da dos outros e recuperou a história da amizade que fez com um sem-abrigo. “Não se deixa um amigo na rua”, contou.

A música Jesus' Blood Never Failed Me Yet, no começo, enche a sala, a pedido do antropólogo, teólogo e compositor Alfredo Teixeira. Uma peça musical criada pelo contrabaixista Gavin Bryars, que fez um arranjo a partir da voz de um sem-abrigo. Na versão que se ouve no encontro junta-se a de Tom Waits.
“A voz não vem de um concurso de talentos, não corresponde aos estereótipos comerciais nem aos padrões de beleza mais reconhecidos. O paradoxo de uma voz banal, frágil, que transporta uma narrativa cristã de confiança”, diz Alfredo Teixeira acerca deste “canto que vem da rua, mantido na sua crueza”. Uma voz anónima que não chegou a ouvir a música criada. Quando Gavin Bryars procurou aquele homem, já tinha morrido.»







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Friday, January 02, 2015

2015



 
O medo vai ter tudo

pernas

ambulâncias

e o luxo blindado

de alguns automóveis

Vai ter olhos onde ninguém o veja

mãozinhas cautelosas

enredos quase inocentes

ouvidos não só nas paredes

mas também no chão

no tecto

no murmúrio dos esgotos

e talvez até (cautela!)

ouvidos nos teus ouvidos

 

O medo vai ter tudo

fantasmas na ópera

sessões contínuas de espiritismo

milagres

cortejos

frases corajosas

meninas exemplares

seguras casas de penhor

maliciosas casas de passe

conferências várias

congressos muitos

óptimos empregos

poemas originais

e poemas como este

projectos altamente porcos

heróis

(o medo vai ter heróis!)

costureiras reais e irreais

operários

(assim assim)

escriturários

(muitos)

intelectuais

(o que se sabe)

a tua voz talvez

talvez a minha

com a certeza a deles

 

Vai ter capitais

países

suspeitas como toda a gente

muitíssimos amigos

beijos

namorados esverdeados

amantes silenciosos

ardentes

e angustiados

 

Ah o medo vai ter tudo

tudo

(Penso no que o medo vai ter

e tenho medo

que é justamente

o que o medo quer)

 

O medo vai ter tudo

quase tudo

e cada um por seu caminho

havemos todos de chegar

quase todos

a ratos

 

Alexandre O'Neill
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Wednesday, December 24, 2014

Happy Xmas



Para quem tiver saudades minhas, deixo a minha foto a preto e branco (que me favorece tanto, nesta altura avelhentada da minha vida. Ser velha até não é mau, não fossem, claro, o duplo queixo e as rugas!)
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Ortodoxia russa


São padres ortodoxos russos. Aqueles que pensam que eu dei em ver homens lindos em poses sugestivas, para mais na época natalícia, desenganem-se. Eu sou uma mocinha incapaz de olhar para um homem - ou até dois - lindo (s)!
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Friday, November 28, 2014

...com amizade


Abro os jornais e recebo a notícia de dois conhecidos que morreram.
O Eng. Sousa Veloso, uma memória da infância, não totalmente agradável. Recordo que antes da tarde de cinema, tínhamos de ver o TV Rural e um outro programa de ranchos. Enfim, uma tortura para uma criança, que queria ver filmes e desenhos animados. Mas recordo o sorriso do engenheiro, a cara simpática, que se despedia sempre com amizade. Devolvo a amizade que sinto por si, agora que se despediu, para sempre, de todos os que o admiram.
Morreu também, aos 94 anos, a escritora de policiais P. D. James. O último livro que li dela foi Morte Em Pemberley. Eu não poderia perder a oportunidade de reencontrar Mr. Darcy - e pensar no Colin Firth - neste seu romance. Voltar ao universo de Jane Austen é um privilégio que não se pode perder NUNCA. Porém, para mim, PD James é a escritora genial de "O Cadáver sem Mãos". Porque é que o cadáver não tinha mãos? Quem lhe as cortou e porquê? Não interessa. Interessa é o universo claustrofóbico criado, a hora do chá tomado com fleuma britânica na casa dos habitantes daquele lugar. Interessa é sentir que, quando abrimos o romance, somos também personagens daquela história fantástica. Quase me vejo a deambular pela costa agreste daquela aldeia, junto às campas de náufragos desconhecidos. Quase sinto o salitre do mar e oiço o estampido agreste das ondas e o seu estilhaçar na areia. Se eu pudesse entrar num livro e ficar fechada nas suas páginas, como o outro que entrou num quadro e ficou lá...
Vão partindo aqueles que acrescentaram felicidade aos meus dias. Deles fica a saudade imensa.  
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Friday, October 31, 2014

Tratamentos...



Diz Goucha, que não gosta de ser tratado por senhor - e faz bem -, para apresentar um convidado do seu programa: vou trata-lo por Sr. Professor, porque é professor catedrático (!?).
As pessoas não sabem como hão-de tratar os professores...! O título de professor está tão contaminado, tão poluído, porque se aplica a todos os professor(zecos), não catedráticos, que há que referir a cátedra!  Menos sorte teve no outro dia outra professora catedrática - a minha querida Laura Laura - que foi tratada de formas tão variadas por parte de Fátima Lopes, que acabou por dizer: Trate-me por Laura. Claro que Fátima Lopes não teve qualquer espasmo linguístico a propósito da forma de tratar o médico que acompanhava a excelente - e queridíssima - Professora Doutora Laura X (a minha "ídola" Laura Laura, que falou com sensibilidade e bom senso sobre a eutanásia).

Wednesday, August 20, 2014

Too sexy for my camera




Eu estava só a ensaiar a pose para a fotografia... Nabaaaa!

Thursday, August 14, 2014

Mr Darcyyyy



Mr Darcy, my love, this summer is so cold, but you are so hot.....

Tuesday, August 12, 2014

Morrer


 
Morreu o padre espanhol que ajudava os doentes com o vírus ébola. Morreu uma freira também. O homicida que matou o "português suave" que viajou para Inglaterra à procura de trabalho - figura comovente, como disse o juiz - foi condenado! Morreu o casal polaco, nas arribas de Sintra, perante o olhar dos filhos... E morreu Robin Williams, o actor excelentíssimo, aos 63 anos de idade.

 Nesta voragem da morte, no entanto, e no meu pesar e desejo que todos descansem em paz, não consigo deixar de sentir uma tristeza particular pela figura do português, frágil, em Inglaterra. A chegada ao aeroporto, sem que alguém o esperasse, como prometera. O deambular por sítios onde não podia estar. O ser encaminhado para um abrigo, no qual, por sobrelotação, não pode passar a noite. Depois, os minutos de solidão, que a câmara filmou, enquanto decidia para onde ir, na noite fria de Londres. Depois, os bares?, o álcool e, finalmente, o encontro com aquele que o mataria sem piedade, porque sim, porque podia. Acrescenta o tribunal, que, à laia de troféu, o filmou e fotografou, em agonia. Fim de história, para o português em Londres.

Monday, August 04, 2014

Comboio nocturno...





Quando acabar isto, esta coisa insana em que me meti, que só me daria prazer, verdadeiramente, se dependesse só de mim, sem mais, vou enfiar-me num comboio, de noite, e fazer uma viagem... juro!

O amor....


 

 
O amor causa-me horror; é abandono,

Intimidade...

... Não sei ser inconsciente

E tenho para tudo [...]

A consciência, o pensamento aberto

Tornando-o impossível.

E eu tenho do alto orgulho a timidez

E sinto horror a abrir o ser a alguém,

A confiar nalguém. Horror eu sinto

A que perscrute alguém, ou levemente

Ou não, quaisquer recantos do meu ser.

Abandonar-me em braços nus e belos

(Inda que deles o amor viesse)

No conceber do todo me horroriza;

Seria violar meu ser profundo,

Aproximar-me muito de outros homens.

Uma nudez qualquer — espírito ou corpo —

Horroriza-me: acostumei-me cedo

Nos despimentos do meu ser

A fixar olhos pudicos, conscientes.

Do mais. Pensar em dizer "amo-te"

E "amo-te" só — só isto, me angustia...

(Fernando Pessoa)

Saturday, July 26, 2014

Thursday, July 24, 2014

Funniest bit of 'life of brian'





Espero que os conhecimentos magníficos do estimado auditório, lhe tenha permitido perceber que aquele ser de cabelo muito comprido e escassa indumentária esteve enfiado, há dezoito anos, num buraco em pleno deserto, quando foi interrompido pela turba , insuportável. Espero que tenha percebido também que o pobre, embora incomodado pela interrupção - como eu o entendo -, acabou por dizer, quase feliz, pobre tonto que é: «I'm a live! I'm alive».

Pois bem, embora não tenha, infelizmente, estado enfiada num buraco durante 18 anos (chuif), mas apenas há alguns dias, quero juntar a minha voz à dele para, em vosso benefício, caro auditório, dizer, com voz esganiçada, mas vestida: I'm alive! I'm alive!

Friday, April 18, 2014

Gabriel Garcia Marquez

 
 
Morreu. Foi esta edição de Cem Anos de Solidão que li: inesquecível!
Gabriel G.M. foi, é o meu escritor favorito. Não é um dos favoritos. É O favorito.
Macondo, a avó morta com que as crianças brincam, o fantasma amarrado à árvore, o gigante que fazia a terra estremecer à sua passada, as vacas a invadirem o palácio do coronel, o patriarca com o seu testículo enorme, o telegrafista apaixonado a espavorir os cães com os seus poemas de amor, o rapaz que vive rodeado de borboletas, o fio de sangue imenso como um rio, o deserto, o calor imenso, as putas tristes... e o médico que cai, subitamente, de uma árvore e morre, sem mais, perante o sofrimento de quem o ama. Um universo mágico, único, povoado de personagens igualmente inesquecíveis.
...


Friday, April 11, 2014

Sue Townsend



Morreu a escritora - genial - conhecida por ter criado Adrian Mole, personagem memorável. Um rapaz comum, como todos "nós", a contas com a sua mediania, a sua luta por chegar mais alto, conseguindo, nesse esforço, apenas descer mais um degrau. Escreveu também a Rainha e Eu e um outro igualmente hilariante. Porém, nem só de humor se fez a sua obra. É muito pouco mencionado o romance Crianças Fantasmas, excelentíssimo, que trata de temas como o aborto e a parentalidade.
Agradeço todos os momentos que passei e passarei, ainda, a ler os seus livros.
Sue Townsend tem a sua assinatura própria. Com ela, morre aquela maneira única de escrever, de observar a realidade, de escrever sobre ela e de a metamorfosear.
Ah, espero que ninguém tente recriar Adrian Mole, porque ele morreu também, com a sua criadora. Adeus aos dois!! Chuif chuif.

Monday, April 07, 2014

WANTED??


Really?
Obrigada pelo presente.

Saturday, April 05, 2014

José Wilker


Morreu o actor excelentíssimo, genial, incomparável, de voz profunda e sedutora, que preencheu tantos momentos vazios dos meus dias.
Saudade...

Monday, March 31, 2014

A organização do caos





















As gaivotas vieram para a serra, desnorteadas. As salas pareciam espavoridas. (Aliás, estavam). Eu tento manter-me à tona do esgoto.
O outro levou na tromba.
Nem tudo é mau!

Wednesday, February 19, 2014

Desumanização



«Apesar de todas as máquinas de desumanização, nunca esgotaremos a música, a poesia, a literatura, a beleza das civilizações antigas e modernas.»

«A morte não é remédio para a falta de vida. Diz apenas que o nosso exílio teve mais ou menos lágrimas. Morremos inacabados.»

Frei Bento Domingues, Público de domingo.

«Trata o outro não como tu gostarias de ser tratado, mas como ele deseja sê-lo». Laura Laura, sobre a aprovação da eutanásia a menores, na Bélgica. Público de dia 17 de Fevereiro.

Se Frei Bento e Laura Laura soubessem como tornam mais leve o meu dia...

Wednesday, February 12, 2014

Breaking Bad Tribute - I Am the one who knocks





O melhor da minha semana...

Que voz, Mr White!

Monday, January 20, 2014

Saudades do mar




Comboios e faróis: há coisa mais linda??
Ah! O mar...

Wednesday, January 01, 2014

Partir...


Descansa em paz, meu amigo!

Monday, December 23, 2013

A coisa..

 
Eu: Lá teve que ser, senão tínhamos falta.
Outro: E que tal?
Eu: ... nada de nada... indescritível... uma parvoíce... e fomos obrigados!!!!
Outro: Alguma coisa aprendeste certamente. Muito gostam vocês de desgostar de tudo, francamente.
Eu: Aprendi, sim, sobre virilhas...
Outro: Virilhas?
Eu: Virilhas de gente gorda... parece que ficam assadas...
Outro: O que vocês se divertem...
Eu: E, depois, o tratamento faz crescer o bicho...
Outro: Qual bicho?
Eu: Sei lá... eu não tenho problemas nas virilhas...
Outro: E sobre indisciplina?
Eu: Nada!
Outro: Nada? Mas não era o tema?
Eu: Seria... se o palhaço se tivesse dado ao trabalho de se preparar.
Outro: Mas nem um bocadinho?
Eu:  Pelo menos que eu tenha ouvido, não. O sujeito bamboleou-se, contou umas peripécias, disse palavrões ... para mostrar que é moderno... penso eu... insultou toda a gente e tratou-se a si próprio repetidamente por doutor...
Outro: ihihihihihih eheheheheheh
Eu: chuif chuif

Sunday, November 24, 2013

Monday, November 04, 2013

Poema dum funcionário cansado


 

 

A noite trocou-me os sonhos e as mãos

dispersou-me os amigos

tenho o coração confundido e a rua é estreita

estreita em cada passo

as casas engolem-nos

sumimo-nos

estou num quarto só num quarto só

com os sonhos trocados

com toda a vida às avessas a arder num quarto só

Sou um funcionário apagado

um funcionário triste

a minha alma não acompanha a minha mão

Débito e Crédito Débito e Crédito

a minha alma não dança com os números

tento escondê-la envergonhado

o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal em frente

e debitou-me na minha conta de empregado

Sou um funcionário cansado dum dia exemplar

Por que não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?

Por que me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço

Soletro velhas palavras generosas

Flor rapariga amigo menino

irmão beijo namorada

mãe estrela música

São as palavras cruzadas do meu sonho

palavras soterradas na prisão da minha vida

isto todas as noites do mundo numa só noite comprida

num quarto só



António Ramos Rosa

Wednesday, October 16, 2013

Lucidez 2


 

 




Gabriel Mithá Ribeiro

Professor de História defende o silêncio de volta às escolas. É autoritário e não se importa que os alunos não gostem dele. Basta gostarem das aulas.

Licenciado em História e especializado em estudos africanos, Gabriel Mithá Ribeiro gosta ainda de entrar em outras áreas como sociologia ou psicanálise para entender melhor o pensamento social. Daí não ser estranho ouvi-lo sobre temas tão distintos como educação. Até porque já deu aulas durante duas décadas em escolas "ditas difíceis" e, segundo ele, só quem conhece bem a sala de aula tem condições para estudar e investigar a realidade escolar e ainda propor políticas no ensino. Mithá Ribeiro é um dos convidados da Fundação Francisco Manuel dos Santos que a partir de hoje e durante o resto da semana vai animar o debate online "Onde acaba a indisciplina e começa a violência", que acontece em simultâneo com as conferências em Lisboa e Braga "A Indisciplina na Escola" nos dias 17 e 18.

 

"Onde acaba a indisciplina e começa a violência" é o mote do debate em que vai participar. Existe uma fronteira?

 

É muito difícil separar a indisciplina da violência. O problema sério nas escolas é a indisciplina. E o problema seríssimo é a pequena indisciplina.

 

Porque é a recorrente?

 

E porque é a que tem de se combater no início. Dei aulas no 3.o ciclo e secundário durante 20 anos em 11 escolas ditas difíceis da margem Sul e sei que a violência não é um problema maior. Não digo que não existe, digo que é empolada. O alvo da questão é a indisciplina. Ou se resolve ou vamos continuar a enfrentar um dos obstáculos mais estruturais do ensino.

 

Há dificuldades em assumir que este é um problema grave nas escolas?

 

Para percebermos os problemas que condicionam o sistema de ensino, temos de partir da sensibilidade da sala de aula, que é onde tudo acontece. Mas toda a sensibilidade que condiciona as políticas e as teorias de educação é gerada de cima para baixo. Quanto mais distantes estão as pessoas das salas de aulas, mais poder têm para condicionar o ensino. Há até directores que estão décadas sem dar aulas e são uma correia de transmissão do que vem de fora para dentro em vez de levar a sensibilidade da sala de aula para fora. Se a sala de aula fosse o factor condicionante do pensamento e da definição de políticas de ensino, há muito que a indisciplina se tinha revelado um problema central. Além da falácia dos directores, há a falácia dos professores universitários. É completamente diferente ser professor do superior e do básico e secundário. As teorias aplicadas no básico e secundário vêm do ensino superior sem nunca terem sido testadas no próprio ensino superior. Se fossem, saberiam as asneiras que fazem.

 

Que asneiras?

 

A forma como se mexe nos currículos ou se faz as reformas. Tem de haver uma relação directa entre a prática quotidiana de dar aulas e a teorização. A estrutura universitária trata dos problemas do ensino sem saber o que é o ensino. É uma espécie de bloqueio que, se calhar, nem em cem anos vamos resolver. Mas é preciso alguém dizer que o único que pode teorizar e propor políticas a sério é quem conhece a sala de aula. Mas é tão errado alguém que só está na sala de aula e não tem teoria para explicar a vida da sala de aula como o oposto.

 

Porque só se reage perante a violência?

 

Porque o ruído tornou-se tão normal que só reagimos quando se ultrapassa o nível do ruído. O silêncio é o aspecto que mais casa com a construção do conhecimento, mas foi banido das escolas. O ruído foi naturalizado nas aulas e incentivado pelos pedagogos que defendem a participação, a permanente actividade dos alunos.

 

Silêncio quer dizer reflexão?

 

Quer dizer adesão voluntária das pessoas à introspecção, à tranquilidade. Muitos professores queixam-se da indisciplina porque optaram por modelos pedagógicos participativos, que dão muito poder ao aluno. O modelo participativo tem virtudes mas também tem problemas e um deles é incentivar a indisciplina. Se percebermos que a disciplina é central vamos perceber também que o modelo autoritário directivo consegue mais eficazmente impor o silêncio. Mas passou-se de um modelo autoritário da ditadura para uma ditadura da democracia que impôs o modelo participativo. Quem hoje defender o modelo autoritário parece que está a cometer um pecado capital.

 

Criar empatia ou proximidade com os alunos promove a indisciplina?

 

Os dois modelos devem coexistir, mas todo o aparelho ideológico torna uma abordagem legítima e a outra ilegítima. E quem constrói este aparelho é quem não dá aulas. Se dessem, percebiam o erro que é não incentivar o modelo autoritário. Sou um professor autoritário, mas para isso beneficio de duas vantagens que são vergonhosas de dizer num estado civilizado. Uma: sou homem e posso ser fisicamente afirmativo. Se um aluno desobedecer à minha ordem estou preparado para actuar. Não dou aulas sem estar fisicamente bem preparado - faço jogging, exercício, etc.

 

O Estado Novo exigia aos professores um atestado de robustez física.

 

Assumo a robustez física como condição de sobrevivência na sala de aula. Por outro lado, ser negro é uma grande vantagem para lidar com minorias. A maioria do corpo docente são mulheres de etnia portuguesa. Se alguém estiver interessado em perceber o que é a violência sobre as mulheres é entrar numa sala de aula. Combater a violência contra as mulheres é combater a indisciplina nas escolas. Mas o que temos é um discurso académico politicamente correcto que, ao mesmo tempo que defende a condição da mulher, defende exageradamente a condição do aluno que massacra essa mulher. Os governos passam e este problema arrasta-se. Devíamos ter vergonha disso.

 

Voltemos à empatia. Não faz falta?

 

O ensino assenta em três pilares - conhecimento, professor e aluno - e nós passámos de um ensino erradamente centrado no professor para um ensino ainda pior centrado no aluno. O referencial tem de ser o conhecimento pois ao ser abstracto cria obrigações para docentes e alunos. A empatia na sala de aula não é entre aluno e professor. Não quero que os alunos gostem de mim. Quero que gostem da História que ensino. Não preciso de gostar deles. Basta ter paixão por aquilo que ensino.

 

É errado centrar o ensino no aluno?

 

Se o ensino é centrado no aluno e o aparelho ideológico prepara as pessoas para isso, fica essa marca no subconsciente. Quando o professor entra na aula e no subconsciente dele está a ideia de que o ser mais precioso é o aluno, vai remover tudo o que o atrapalha: a ordem, o esforço e, às vezes, o conhecimento. Se na cabeça dele está sempre a martelar que o conhecimento é o mais importante, facilmente remove aquilo que atrapalha o conhecimento, como por exemplo alunos mal comportados. É o ruído que tem de sair porta fora. O ensino centrado no aluno é um dos fundamentos da indisciplina, mas outro é o estatuto do aluno.

 

Mas o actual até é mais punitivo.

 

É no papel. Digo que o estatuto do aluno é uma fonte de indisciplina porque quando se quer regular relações sociais a partir de documentos escritos é preciso que tenham valor social e simbólico, que só se adquire depois de muitos anos, gerações. Leis que regulam comportamentos têm de ser estáveis para entrarem na cabeça de alunos e de professores. Quando as regras são estáveis também contaminam as famílias, a comunidade e tudo o resto. O que se fez nos últimos 20 anos com os sucessivos estatutos do aluno foi matar a possibilidade de se resolver problemas a partir de documentos escritos.

 

E qual é a solução?

 

Dar poder à palavra do professor para que resolva o problema da indisciplina como entender. Nem que fosse uma medida temporária para higienizar a função do documento escrito, dos estatutos.

 

Dar a palavra aos professores implica reconhecer também a sua autoridade.

 

E enquanto não se confiar nos professores, o problema da indisciplina não se resolve. Só que, incrivelmente, quem não confia nos professores são os cientistas da educação, sempre a emitir regras sobre como trabalhar, o que fazer e não fazer.

 

Essas regras condicionavam-no?

 

Comecei tão incompetente como qualquer professor. Ao fim de uns anos, cortei completamente com o chamado ensino auto: o ensino em que não é o professor que ensina é o aluno que aprende, não é o professor que dá nota é o aluno que auto-avalia e não é o professor que impõe regras é o aluno que negoceia essas regras com o professor. Nas minhas aulas, eu ensino e os alunos aprendem. Nunca promovi auto-avaliação dos alunos e nesse aspecto fui contra a lei. Se sei que é uma fonte de perda de autoridade porque vou por esse caminho?

 

Que regras impunha?

 

As mesmas que a mim mesmo. Chegar a horas, trazer material, estar quieto e calado. Depois, nos primeiros 15 ou 20 minutos de aula sou eu que falo. É a parte da aula autoritária e expositiva. Não admito interrupções. Se permito uma pergunta e respondo, voltarei a ser interrompido e já não saio do mesmo lugar. Os alunos tomam notas, memorizam e tiram dúvidas no fim.

 

E correu sempre tudo bem?

 

No início do ano há sempre uns espertos que querem interromper. A minha reacção é dizer "Pegue nas suas coisas e rua!" O maior trunfo do professor é o dom da palavra. Se um docente não impõe silêncio nos primeiros 15 minutos da aula, vai andar 20 anos sem saber construir uma frase pois nunca treinou o direito que tem de falar. O ensino participativo não percebe a importância da palavra. Se imponho 20 minutos - e às vezes 90 - para expor a matéria, ao fim de uns anos já sei seduzir pela palavra - entoar, baixar a voz, contar histórias. Isto é muito exigente. Para expor a matéria durante 20 minutos é preciso estar bem preparado. Para dar uma aula de 90 minutos com os alunos quietos e calados tenho de saber contar muito bem a história. Parte da culpa é também dos professores, que gostam de ser intelectualmente preguiçosos. Hoje nenhum professor é autoritário se não for competente no domínio do conhecimento. Se os alunos percebem que sabemos o que estamos a ensinar, acatam as regras mais radicais que possam imaginar. Chegava a pôr na rua o mesmo chico-esperto todos os dias. Ao fim de um mês, chegava a dizer ao aluno que ele já estava chumbado.

 

Desistia dele?

 

Ou quero salvar todos e vou perder todos ou castigo um ou dois e salvo 20 e tal. Já expulsei alunos para sempre da minha sala.

 

Isso é contra a lei?

 

Toda a escola sabia, os pais sabiam, mas nunca ninguém contestou. Sabe porquê? Havia silêncio e os alunos aprendiam.

 

No seu livro "A Pedagogia da Avestruz", admite que teve atitudes radicais.

 

Tive um aluno que ficava à porta da sala a gozar enquanto os colegas entravam. Um dia em que entrou, agarrei-o com a toda a força e rebentei-lhe a camisa e só não lhe bati. Ficou de tal maneira assustado que nunca mais apareceu nas minhas aulas. Nesse ano tive o meu carro riscado de ponta a ponta. Mas nunca contestei. É o preço a pagar. Mas há outros focos de indisciplina como é o caso do currículo, que promove a instabilidade das regras e não permite ter uma ideia clara do que é uma aula. Um aluno entra numa aula de 45 minutos, sai e entra noutra de 90, a seguir vai almoçar e tem outra de 45. Essa inconstância torna impossível sedimentar na cabeça dos alunos as regras para estar numa aula. Com tantos especialistas em educação é incrível que não se tenha percebido que a ideia estável de aula corresponde à ideia estável de comportamento.

 

As famílias são empecilhos?

São empecilhos e criaram uma confusão entre o papel do professor e o papel do pai, o papel do aluno com o papel do filho. Isto foi terrível no plano da autoridade. A escola abriu-se à comunidade de tal forma que agora qualquer um se sente com autoridade para dizer o que os professores deviam ensinar. Quando a escola se fechar sobre ela própria, não terá de se justificar o porquê das regras que aplica.

 

Lucidez 1


A caverna platónica

«A propósito do desmoronamento do mundo moderno, Marx afirmou: “tudo o que era sólido volatilizou-se”. A derrocada da tradição e a profanação daquilo que era considerado sagrado significa o derreter dos sólidos, ou seja, a falência dos antigos padrões através da aceleração das mudanças. A sociedade assimila a cultura global do mercado e da tecnociência, provocando abalos incontrolados ao nível da economia, da vida social, das relações entre as pessoas ou da educação e conduzindo à desorientação, à insegurança e à precariedade.
 

Na escola a autoridade e a disciplina estão fora de moda. Por outro lado, o esforço e o trabalho não são politicamente corretos. Os jovens devem ser motivados, envolvidos e seduzidos, de maneira a ir ao encontro de um “aluno-cliente”, numa instituição que se pretende atualizar através do modelo empresarial, onde só contam os resultados e as estatísticas, em detrimento do conhecimento e dos valores.


Filhos da socialização eletrónica, os alunos chegam à escola intoxicados pela parafernália tecnológica (computadores, cinema, tv, rádio, internet, videojogos, telemóveis, tablets, etc.), condicionados por horas e horas ligados aos ecrãs e entorpecidos pelos efeitos narcotizantes dos aparatos que não largam nunca.
 

Daí que a entrada na escola, e na sala de aula, seja um regresso à caverna platónica, um voltar ao mundo das sombras e à escravidão, deixando para trás o mundo verdadeiro (universo digital) onde tudo acontece de modo vertiginoso e intenso. A escola surge agora como uma prisão e a sala de aula isola o indivíduo da vida (rede social digital). Quando a porta se fecha dá-se a queda na escuridão e perde-se o contato com o real (sociedade tecnológica).
 

O conhecimento passa a ser alvo de suspeição e o trabalho docente é desvalorizado. A escola torna-se obsoleta e disfuncional.»

 

José Augusto Lopes RIBEIRO, em A Educação do Meu Umbigo, Outubro, 2013

Friday, October 11, 2013

Wednesday, August 14, 2013

A Noite



E não é que esta fotografia encerra a essência magnífica da noite? E não é a noite a parte mais bela do dia? E a luz? Não será a luz eléctrica a luz mais espantosa do universo?  E a casa? Não será o lugar mais acolhedor que se possa imaginar? Mesmo a casa desolada, pobre, fria... Não será o sítio mais encantador e encantado do mundo?
Na minha casa, iluminada ou escura, dentro da noite, e só aí - aqui - consigo perceber - um pouco - o que é ser feliz...

(Foto "pedida" de empréstimo, permanente, ao blogue A Educação do Meu Umbigo).