Friday, September 25, 2026
Jorge Palma
Thursday, September 24, 2026
Thursday, September 17, 2026
A Oeste nada de novo
As eminências pardas estavam
todas devidamente sentadas, à espera que vocência falasse. E ele falou:
- Não fazem o trabalho de casa e depois
queixam-se que as sessões são muito grandes!
- Mas eu só recebi isto às duas
da manhã…
- Cedíssimo, minha cara.
Cedíssimo. E vamos lá ao trabalho. Tenho tudo pronto, é só assinarem!
E fez cara de poucos amigos, para
que ninguém mais ousasse reclamar. Posto isto, todos afocinharam nos papéis de
caneta em acção. Entretanto, diz alguém:
- Mas estes papéis têm a data de
há cinco anos…
- Impossível!
- Julho de 2021!
A formiga - mas pouco, com grande propensão para
cigarra, aliás – ficou vermelhusca, se bem que estar vermelhusca não é de todo
raro. Com efeito, a sua tromba asinina pende sempre um bocadinho para o
escarlate.
- Tenho que ir buscar novos
papéis… Esperem um bocadinho.
De rabo entre as pernas, lá se
dirigiu para os serviços de cópia. Os outros olhavam-se, zurzindo-o com o olhar e com não poucos trejeitos labiais
e acenos de cabeça. Mas nem um pio. Passado um bom bocado, aparece o tarata,
muito esbaforido, com a papelada na mão. Segue-se mais uma ronda de
assinaturas. Só se ouvia risc risc. Porém, alguém exclama:
- Os nomes estão errados!
- Impossível!
- Beltrano…
- Beltrano? Não está lá sicrano?
- Não.
O dito cujo levantou-se muito
contrariado, agarrou na papelada, deitou-a ao lixo e disse:
- É só mais um bocadinho…
- Mas eu t…
- Peço desculpa. Fartei-me de
trabalhar. Toda a noite a preparar os papéis…
- Quais papéis? Estes que estão todos
sem ponta p…
- Não lhe admito! Quem achar que
faz melhor do que eu, pode vir substituir-me!
- Fazer melhor??? Mas isto não
está nada bem feito!
E ouve-se um coro: Ó colegas,
acalmem-se lá. Isto é muito complexo, é muito trabalho. Deixem o chefe
trabalhar, que ele tem que regressar à secção de cópia pela segunda vez.
- Terceira, se faz favor, que ele
mal pôs os olhos nos papéis, assim que aqui chegou, viu logo que se tinha
esquecido de pôr o cabeçalho!!
- Sabe quem é que nunca se
engana??? Quem não faz nada!
- De acordo. Mas bom seria que
tivesse feito E BEM…
Coro: Ó colegas, ó colegas… Nunca
mais daqui saímos. Deixem o homem trabalhar. Deixem-no ir às fotocópias…
E ele foi, de olhos escancarados,
a boca à banda e os braços a abanar com ímpeto.
- Olha-me este q…
Coro: Ó colegas, ó colegas…
Finalmente reaparece o taralhoco,
com cara de quem é sempre incompreendido, não obstante o excelente – digamos assim
– trabalho.
Papelada de novo em cima da mesa,
canetas, risc risc; risc, risc.
- Então, agora parece que está
bem! Não dizem nada? Se houvesse mais algum erro, aqui-d'el-rei . mas como está tudo bem, nada.
Nunca se elogia o bom trabalho. Mas apontar os erros…
- O bom trabalho? Já estamos com
hora e meia de atraso…
- Olhe que eu não lhe a…
Coro: Ó colegas, ó colegas…
E assim foi. Levantámo-nos,
agarrámos nas nossas malas e saímos cabisbaixos, comme d'habitude.
Wednesday, September 09, 2026
Primeiro dia...
Dia de regresso à rotina. Tudo igual. Não. Há mais exigências. Estavam dois lugares vazios na sala de reuniões... Eu própria, provavelmente, deixarei o meu lugar vazio no próximo ano.
Sempre pensei que os últimos anos seriam de alegria, a alegria da contagem decrescente. Mas não. Custa na mesma, como se não fosse acabar nunca. E depois, há o resto. O que vem ocupar o lugar que fica vazio...
Muitas caras novas. Não se conhece ninguém. Os novos, embora velhos, a tentarem adaptar-se e os velhos a tentar puxar a cadeira para eles se acomodarem. Que cansaço!
Entretanto, a minha casa, que continuo a limpar, a pintar, etc., ainda está em estado de sítio. Não consigo começar e acabar, fazer tudo de seguida. Não. Tenho de ir descansando. Pelo menos, livrei-me de imenso lixo: roupa e mais roupa e outras coisas. A limpeza da cozinha está mais perto. Já tenho uma oferta e há uma nova empresa de limpezas na Covilhã. Mal posso esperar por ver tudo pronto.
Amanhã começo às 10:00 e vou pela tarde fora. Desânimo...
https://culture.pl/en/gallery/selected-paintings-by-zdzislaw-beksinski-image-gallery, consultado em 9 de Setembro, 2026
Tuesday, August 18, 2026
Férias 2026
Friday, July 31, 2026
Invasão de Ceuta
Thursday, July 23, 2026
And All I loved... I Loved Alone
Alone, de Edgar Allan Poe
Desde a infância que não fui
Como os outros eram — não vi
Como os outros viam — não consegui
Alimentar as minhas paixões de uma fonte comum —
Da mesma fonte não tirei
A minha tristeza — não consegui despertar
O meu coração para a alegria com o mesmo tom —
E tudo o que amei — amei sozinho —
Então — na minha infância — no alvorecer
De uma vida das mais tempestuosas — fui atraído
Por todas as profundezas do bem e do mal
O mistério que ainda me prende —
Da torrente, ou da fonte —
Do penhasco vermelho da montanha —
Do sol que à minha volta rolava
No seu tom dourado de outono —
Do relâmpago no céu
À medida que passava a voar por mim —
Do trovão e da tempestade —
E da nuvem que assumia a forma
(Quando o resto do céu era azul)
De um demónio aos meus olhos —
Traduzido com a versão gratuita do tradutor - DeepL.com
Luís Represas
Tuesday, July 07, 2026
Lamine Yamal
Todos os admiradores estrangeiros sublinham o facto de Ronaldo ter ficado sozinho em campo, depois da derrota, sem que a "equipa" se tenha juntado a ele, até por saber que este será o seu último mundial.
Grandes Montes de Estrume!!!!
Adiante. Conheço bem esta sensação de ficar sozinha depois de ter feito o que pude para ajudar... Custa muto o virar de costas. Porém, primeiro estranha-se e depois entranha-se, como dizia o outro. Eu escrevi ontem que ia torcer pela selecção da Noruega. Não. Vou antes torcer pela Espanha, como agradecimento pelo gesto de Lamine Yamal, que foi o único que abraçou o meu querido Ronaldo, naquele momento de adeus ao que começou em 2006.
Obrigada Yamal!!
Depois de Ronaldo, Halaand e Yamal serão os únicos que me levarão a passar alguns - poucos - minutos para saber o que se passa no mundo do futebol.
Monday, July 06, 2026
Cristiano Ronaldo
Um abraço, meu querido Ronaldo! Obrigada! Vi jogos só por causa de ti. Sou uma pessoa anestesiada. Irrito-me no meu trabalho, é certo. Fico apática com o que algumas pessoas me fazem... Não se pode dizer que esteja muito viva, mas também não estou morta: helás!! Por tua causa, saí muitas vezes da minha apatia: enervei-me, defendi-te, elogiei-te; alegrei-me, ri contigo. Tive orgulho de te teres tornado um homem tão lindo e com uma personalidade vincada. Irei seguindo o eco dos teus próximos passos.
Portugal foi eliminado. O Brasil foi eliminado. Está na hora de torcer pela Noruega, isto é, por Halaand!
Saturday, June 20, 2026
CRISTIANO RONALDO
Sunday, June 07, 2026
26 927!?
Monday, May 11, 2026
Dias esmifrantes, noites palpitantes
Saturday, May 09, 2026
Me and The Devil
Friday, May 01, 2026
Até Amanhã
Era de noite, mas havia uma luz
muito idêntica à do dia. Uma espécie de noite brilhante ou iluminada. Eu estava
num pátio enorme em frente a uma casa que era um palácio sóbrio de pedra branca
e majestosa. Eu tinha um vestido de seda branca que não só me cobria a mim, mas
também a maior parte do espaço onde me encontrava. Tudo isto estava suspenso no
ar, algures sob as nuvens e sobre uma floresta de enormes árvores verdes de
folhas suaves. Eu sentia uma angústia enorme e indizível. Olhava as janelas
iluminadas e inacessíveis da enorme casa e sentia a carícia das folhas meigas
da selva em redor. De repente, levantei-me e corri para a extremidade do pátio.
Debrucei-me sobre a floresta imensa e imaginei que poderia ser o mítico
Pantanal. E era. Podia ver lá em baixo por entre a vegetação as sucuris, as
onças, as capivaras e também uma mulher enlouquecida correndo ao longo de um
rio cheio de piranhas. Metade da angústia passou. Tinha de abandonar aquele
sítio e começar o dia, o trabalho. Avistei umas escadas e desci-as. O meu
vestido foi encolhendo e escurecendo. Quando desci o último degrau, eu era eu
mesma. Roupa preta, óculos pretos e os livros. Havia uma escola à minha frente.
Entrei. Algures, havia alunos à minha espera. A angústia voltou. Não sabia o
meu horário, os funcionários olhavam-me hostis e todas as portas estavam
fechadas. Ninguém parecia conhecer-me, ainda assim, dirigi-me a um colega que
se limitou a dar-me uma chave. A chave da minha sala. Introduzi-a, de imediato,
na porta da sala em frente. Espreitei. Era um lugar escuro e cheio de poeira,
com homens encapuçados bebendo vinho. Tranquei a porta. E, de repente, a escola
passou a ocupar toda uma cidade tosca, com estradas de pedra. Dirigi-me com a
chave na mão em busca de uma fechadura que se lhe ajustasse, por entre a cidade
decrépita. Estava cansada. Avistei um banco comprido junto a uma parede branca
e, logo que me sentei, começou a desfilar perante os meus olhos uma
interminável fila de homens nus da cintura para baixo. Não que a sua nudez fosse
visível, mas, de facto, não tinham roupa. Eu não podia ficar sentada a
contemplar homens invisivelmente nus. Levantei-me e recomecei a procurar os
meus alunos. A paisagem, entretanto, tinha mudado. Estava num caminho de argila
vermelha e por todo o lado havia casas pequenas e opacas, sem janelas. Havia
também uma casa transparente. Lá dentro, um professor silencioso como uma
estátua presidia a uma classe ruidosa. Ao seu lado, pairava, insuspenso, um
quadro negro. Vi então a minha própria casa/sala. Meti a chave, a porta
abriu-se e através dela, como uma onda, começaram a sair minúsculos porquinhos
cor-de-rosa como flores, com as orelhinhas espetadas como pétalas, as pequenas
caudas movendo-se como folhas e produzindo uma estridência boa como pássaros.
Apoderou-se de mim uma alegria grande. Feliz, levantei os braços e ri alto em
direcção ao céu. Houve depois uma agitação confusa. Duas galinhas apressadas saíram
da sala voando e cobrindo-me de penas. Continuava feliz mas deixei de rir.
Ouviu-se então uma campainha. Tudo voltou à normalidade. O dia de trabalho
tinha chegado ao fim. Uma funcionária simpática disse-me: "Até
amanhã". Eu disse-lhe: "Até amanhã". Dentro de cinco minutos
estaria em casa bebendo chá. Depois, seria novamente noite e poderia, talvez,
voltar a pôr o meu enorme vestido branco.
https://www.facebook.com/photo/?fbid=846246301826594&set=a.112750521842846, consultado em 10 de Abril, 2026
Wednesday, April 01, 2026
Nictofilia
Eu também gostava...
P.S. Descobri este escritor DMPR quando ele publicou num jornal o poema Dióspiro. Adorei. Mais tarde, descobri que não fui só eu que fiquei impressionada. DMPR é hoje um dos melhores poetas contemporâneos. O poema acima, que trata o tema da noite, o meu tema favorito, é retirado do seu livro Turquesa. Há almas gémeas. Descubro isto, uma e outra vez, sobretudo em imagens e textos. Também em filmes. E, afinal, não sou só eu que gostaria que não houvesse dia seguinte. Gostaria de ficar aprisionada numa noite linda... Mas todas as noites são lindas.
https://www.facebook.com/photo/?fbid=10239342388516604&set=gm.2783766298495791&idorvanity=157947604411020, consultado em 29 de Agosto, 2025https://www.facebook.com/photo/?fbid=1537127578415341&set=a.382580190536758, consultado em 29 Março, 2026
Thursday, March 19, 2026
Wednesday, March 18, 2026
A Viagem
Saturday, March 07, 2026
Drácula
Três filmes sobre histórias contadas uma e outra vez. Frankenstein. Drácula. Wuthering Heights/O Monte dos Ventos Uivantes. Filmes a partir de grandes obras de séculos passados. 1818. 1897. 1847. O primeiro e o último escritos por mulheres: Mary Shelley e Emily Brontë. Drácula é da autoria de Bram Stoker. Todos são interpretações ou versões dos livros. Todos os filmes são monumentais. Grandiosos.
Neste vídeo pergunta-se: por que motivo nos identificamos com o Drácula? A sério?? Por tudo. E ainda porque este actor excelente interpreta uma das personagens mais fascinante da Literatura.