Friday, July 31, 2026

Invasão de Ceuta

 


Começaram as férias. Um tempo alegadamente de descanso. Alegadamente. A vontade que tenho de ter férias é quase igual ao medo que sinto em relação a tê-las. Este ano, tive inclusive que mudar as datas, aliás, tivemos, devido à trapalhada dos exames. É uma coisa mínima, mas é o suficiente para me desestabilizar completamente e para significar menos cinco dias. Os exactos cinco dias de que mais necessito. É como acordar. Posso até dormir bem - o que é raro -, mas o melhor sono acontece entre as sete e as nove horas. Sem essas duas horas, levanto-me com um cansaço que só vai aumentando durante o dia. Chega a ser absolutamente insuportável. Depois, tenho imensas coisas para fazer em casa. Este ano, tenho que tratar da parede do quarto multiusos, chamemos-lhe assim. E, para a semana, vou ver a minha mãe. Entretanto, até lá, tenho de preparar tudo para passar aqueles dias: a comida, os presentes para todos os que apoiam a minha mãe - aos quais muito agradeço - e as minhas próprias coisas. Não sou de sair, de visitar, tenho inclusive uma condição de saúde que me impede dessas folias. Mas eu já era assim antes dessa condição. Não gosto de sair da minha casa. Não gosto. Mas não posso deixar de ir ver a minha mãe e verificar como é que ela está. Como está o sofá onde ela se senta e o colchão, e a disposição de o que quer que seja que a possa levar a cair. Tenho também de averiguar se está a tomar os medicamentos corretamente e se nada passou da validade. No ano passado, apercebi-me de coisas que me deixaram triste, porque ela estava rodeada de coisas que, por não as conseguir ver, não se deu conta de como estavam impróprias. E ela teimosa. Só quando a sua querida Isabel lhe disse que sim, que realmente aquilo precisava de renovação, é que acreditou. Renovei tudo. Vamos ver o que vou encontrar este ano, para além daquilo que me comprometi a fazer... Valha-me Deus! Não me posso esquecer da enxada...
E nisto, na apatia de quem não sabe nem quer saber para onde se virar, vejo o que se passa em Espanha, em Ceuta, território que já foi português e que depois da Restauração da Independência, permaneceu com os espanhóis. Curiosamente, a bandeira da Cidade de Ceuta conserva o brasão português. E não só. Mas não é isso que interessa. São os factos e a forma como estão a ser veiculados pelos média tradicionais e os outros. Há as teoria da conspiração e as outras. Um jornalista da CNN falava das dificuldades dos marroquinos, cheios de fome e de sede, posto que em Ceuta tinham fechado o comércio. Streamers de Direita repudiavam, e bem, o acontecimento, e falavam depois das elites globalistas e do seu projecto de substituir os europeus (?). Uma política do Chega mostrava uma muçulmana a celebrar a entrada de muçulmanos em Ceuta, antecipando a islamização da Europa. Eu teria de saber quem era aquela senhora, tão articulada, e com um discurso tão conveniente para a Direita Securitária - como eles gostam de ser chamados. Sem o conhecimento das fontes, não acredito em nada daquilo que me dizem e só em metade daquilo que vejo. Ouvi também relatos de cidadãos de Ceuta, com medo daquilo que possa acontecer, e que têm medo de sair à rua. Procurei depois os especialistas. Um tal de professor brasileiro adiantou uma teoria bem fundamentada acerca daquilo que estava por trás desta invasão. Terei de esperar pelo veredicto do Prof. Marco António Villa. E eu o que penso?
Lembro-me de outras entradas de migrantes, em menor número, bastante menor, que chegavam esvaídos e esfarrapados.  Estes, pelo contrário, entraram frescos, eufóricos e esbracejantes, invadindo com um à-vontade revoltante um país que não é o deles. O que está por trás disso? Como é que um número tão elevado de pessoas entra em conjunto num país estrangeiro? Como é que se organizou? Não sei. Não vou especular. Porém, repudio em absoluto a forma como se INVADE um país estrangeiro, e se espera que esse país nos acolha, nos alimente, nos ceda as suas infraestruturas, para que possamos ter acesso àquilo que o nosso próprio país nos nega. 
Vivemos tempos estranhíssimos. Perdeu-se a ideia daquilo que é normal. Aceitável. Claro que este assunto vai ser resolvido, veremos, contudo, como a Europa vai ficar durante e após a sua resolução. Uma coisa é certa. A humanidade vai-se perdendo. Senti sempre empatia por aqueles que invadiam a costa europeia,  solidária com o sofrimento que os atirou para tão esdrúxula aventura. Desta vez, olhei e senti fúria, indignação. Não se entra assim em casa alheia!!  



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