Monday, March 14, 2016

1940-2016





«A cidade dorme e o campo dorme, os vivos dormem o seu tempo, os mortos dormem o seu tempo. O marido velho dorme junto à mulher e o marido jovem dorme junto à sua; e estes moram em mim, e eu moro neles, e sejam o que for eu também sou parte deles, e com todos e cada um vou tecendo o canto de mim mesmo.»



Walt Whitman

Sunday, February 28, 2016

A Noite Passada






A noite passada, assinei finalmente a petição pela legalização da eutanásia. O que é morrer com dignidade? Haveria tanto para dizer sobre dignidade, mas não há tempo… Pessoalmente, dispenso a questão em torno da dignidade. Quero apenas poder morrer antes de chegar a minha hora. Se for caso disso, claro!

Gostei do artigo da revista Visão: “O Mercado Negro da Eutanásia”, sobretudo porque traz declarações da minha querida Laura Laura: « (…) Os medicamentos não fazem nada, ou melhor, só me fazem mal. Os que podem funcionar deixam-me zombie, drogada de tal forma que não consigo ler nem escrever. Assim, esta não é a minha vida. (…) Só peço o direito a não morrer aos bocadinhos.» Não sabia que Laura Laura estava já nesta fase tão má… Entretanto, a discussão sobre a dignidade da vida continua, surda aos apelos dos que não querem morrer aos bocadinhos… Eu, por exemplo, conseguiria viver sem os meus livros? NÃO! Afinal, nenhum livro ainda saiu mudo, da minha casa, sem conseguir esconder o desagrado pela minha presença. Claro que os livros não têm pernas: precisamente! Adiante.

Ah, o título “mercado negro” aponta, claro, para a paranóia daqueles que estão mortinhos para ir desta para melhor e, consequentemente, daqueles que aproveitam para fazer negócio à custa destes mortinhos.

Andei, também, a noite passada, a espreitar as caixas de comentários. Sempre que me apetece ser insultada, pumba, caixa de comentários. E, claro, fui logo chamada de saloia – se todos os portugueses são saloios, eu também sou portuguesa, logo, sou saloia. Alguém declarou, igualmente, que detesta todos aqueles que não leram O Guardador de Rebanhos. Eu não li! Ainda estive para ir passear para outras caixas de comentários, as da pesada, aquelas que nos enchem a barriga de nomes, mas decidi que o insulto Light já me tinha deixado bem compostinha.

Que mais fiz? Comprei livros. Um de Galileo, outro sobre Galileo, outro sobre doze Césares, um thriller arrepiante – espero bem que seja! – e outro sobre … deixa cá ver… sobre qualquer coisa palpitante. Nem mais. Tenho, entretanto, que encomendar ensaios sobre bestsellers, para fazer aquele trabalho de investigação sobre...coiso e coiso…hummmmmmm… Grande ideia que eu tive. Espero que ninguém mais tenha tido!

Vi também o Governo Sombra e aprendi o que é uma “tuta”, mas não digo.

Depois, limpei e hidratei a pele, deitei-me e adormeci com o tablet poisado sobre o peito.

É tudo.


Saturday, February 20, 2016

Umberto Eco


Que estranha é a forma como a morte nos surpreende. Ontem mesmo, após me ter sido comunicada a morte de alguém que conhecia, que era meu aluno, com quem tinha estado há quinze dias, fui, incrédula, procurar o nome no placard que anuncia o nome dos que faleceram. Incrédula estava também uma colega minha, que, no momento em que nos foi comunicada a notícia, estava a corrigir um trabalho dele. Ficámos desconcertadas, ela já nem conseguiu escrever os sumários. Saímos de imediato da escola, de noite, dez minutos antes da nossa hora de saída, tendo eu ficado de lhe enviar uma mensagem dizendo se o nome dele fazia parte do rol dos mortos. Não fazia. Porém, como verifiquei que havia luz na Igreja, dirigi-me para lá, entrei, vagueei pelo espaço vazio e, tendo ouvido vozes, dirigi-me à zona de velórios: tinha necessidade de ver aquela cara pela última vez! Mas era uma senhora - que descanse em paz -, não era o meu aluno. Enviei a mensagem à minha colega e dirigi-me para a minha casa, com vontade de escrever. Mas não escrevi.
Escrevo agora, porque ouvi o anúncio de que Umberto Eco tinha morrido. Parei tudo, peguei no computador: eu tinha que falar deste Homem que cheguei a ouvir, em Coimbra, Na Faculdade de Letras, na altura em que saiu o Nome da Rosa. Este Homem, que me tem acompanhado sempre, que foi uma referência na escrita da minha tese, que deu, aliás, um impulso decisivo para que fossem levadas a sério as obras da literatura/ cultura popular, de massas, é tão real para mim, dói-me tanto a sua morte, como a deste aluno com quem tenho convivido há quase dois anos. Umberto Eco é aquele intelectual, génio, sábio, autor de várias obras que tenho na minha biblioteca. No entanto, na altura da sua morte é "apenas" alguém de quem sentirei a falta, duma forma que me é algo estranha, pois não sou pessoa de sentir falta de ninguém...
Morreu, pois, este meu amigo de longa data. Em Maio será publicada a sua última obra. Terei, então, ainda mais uma oportunidade - a última - de falar com ele...

Thursday, January 14, 2016

Alan Rickman - Richis





Morreu um dos meus actores favoritos. Não há como ouvir a sua voz única e não fazer dele, desde logo, o actor favorito. Lamenta-se, online, que ele nunca tenha ganho um óscar. Who cares? Ele não entrou propriamente em filmes "populares", se exceptuarmos "Harry Potter". Ele fez, pelo contrário, alguns excelentes filmes de qualidade, como este, " O Perfume". Tem certamente o óscar dos seus admiradores. Hoje mesmo, quando voltar, noite dentro, a minha casa, irei rever, pela milhentésima vez, este filme excelentíssimo, só pelo prazer de ver e ouvir Alan Rickman, que morreu hoje...

Descansa em paz!

Monday, January 11, 2016

Friday, January 08, 2016

Feeling Good - Muse (lyrics)

Muse - Feeling Good (Video)





Acabou esta longa - escusadamente longa, interminável... - viagem solitária. Posso voltar a fazer as minhas leituras, a ter o tempo só para mim, todo o pouco tempo que tenho livre poderá voltar a ser só para mim... Acabou a espera por respostas que nunca chegaram. ACABOU!! Posso beber vinho,  cerveja, licor de cereja.... posso beber leite com whisky nas noites de insónia - aprendi num livro policial: Maigret também tinha insónias. Posso sobretudo voltar a dar-me APENAS com as personagens dos meus livros: mais nada, nem ninguém.

Tentarei partilhar a raiva com a leitura de que livro? Um daqueles terríveis: quais?  A Doutora Adélia Rocha vai dirigir-se neste momento à Amazon e procurar um livro TERRÍVEL, que possa descarregar rapidamente no seu kindle, para esconjurar a raiva e deixar que o alívio, o imenso alívio, por poder dizer um imenso ADEUS àquilo tudo! Depois, logo que possa, a Doutora irá instalar-se naquele que se chamava e se chamará sempre para ela: Grande Hotel da Figueira da Foz. Aí, espera ficar deitada o tempo todo no seu quarto, com janela para o mar, que é lindo, lindo, lindo, e espera descansar em paz!

Agora, só escreverei quando quiser, e eu quero: tenho muito para contar-me: o que eu gosto de falar comigo!!



Adélia Rocha, Ph.D.



Acabouuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!!!!!!!!!

 

Saturday, December 19, 2015

Bronski Beat - Smalltown Boy ORIGINAL VIDEO









Linda canção dos anos 80, para ouvir ao fim do dia, enquanto espero pelo Governo Sombra, a companhia do Sábado à noite, quando o Domingo começa.

Terminei a minha sessão de chá, livros e música, encostada às almofadas da minha cama grande, linda e branca.

Saturday, December 05, 2015

Brega





Morreu Marília Pêra, a minha actriz favorita! Descansa em paz e obrigada pela companhia, o riso e a felicidade que me proporcionaste!

Tuesday, November 17, 2015

Jane Eyre





J.E. é uma das personagens mais fascinantes dos romances que li. Há momentos, no livro com o nome desta personagem, que considero absolutamente geniais. Exemplifico: Jane, com 10 anos, tem o seguinte diálogo com um severo e falso, claro, moralista:

Mr. B: Do you know where the wicked go after death?/ Sabes para onde vão os malvados quando morrem?

J.E: They go to hell./ Vão para o inferno

Mr. B: And what is hell? Can you tell me that? / E o que é o inferno? Sabes responder-me?

J.E: A pit full of fire./ Um poço cheio de fogo.

Mr. B: And should you like to fall into that pit, and to be burning there for ever?/ E gostavas de cair nesse poço e ficar lá a arder para todo o sempre?

J.E: No, sir. / Não, Senhor.

Mr. B: What must you do to avoid it? / O que deves fazer para evitá-lo?

J.E: I must keep in good health, and not die. / Devo manter-me saudável, para não morrer.

(adaptado e traduzido por mim).




Monday, November 09, 2015

A Single Man (Soundtrack) - 16 And Just Like That





Para ti, em nome de todos os professores e colegas que não te puderam acompanhar... Também não poderiam, não é?



Enjoy!

.

Adeus Pedro



Ainda era tão cedo ... Descansa em paz!

Thursday, November 05, 2015

O Homem Que era Quinta-Feira



«– Existe a sua ordem preciosa, esse candeeiro esguio de ferro, feio e estéril, e existe anarquia, luxuriante, viva, que se reproduz a si própria; existe anarquia, magnífica em verde e dourado.

– Ainda assim – respondeu Syme pacientemente –, neste momento, você só vê a árvore à luz do candeeiro. Pergunto-me se algum dia conseguirá ver o candeeiro à luz da árvore.»

 G. K. Chesterton, O Homem Que Era Quinta-Feira

PS: Tenho que reler este livro, para conseguir ver o candeeiro à luz da árvore.

Sunday, October 04, 2015

Gaiola Aberta


O meu pai gostava de ler os livros de JV, aos quais a minha mãe se referia como "essa porcaria,(credo, valha-te Deus, homem)". Porém, foram autores "populares" como JV e muitos outros, dos romances cor-de-rosa aos policiais, westerns e BD que possibilitaram que eu me familiarizasse, desde pequena, com livros, pois os meus pais liam-nos. Na minha terrinha, na Beira Baixa, não havia livrarias nem bibliotecas nem a população era particularmente letrada. Pelo contrário. Os meus pais, felizmente, liam embora fosse "apenas" literatura "popular", paraliteratura. Isto fez que eu cedo começasse também a ler. O meu pai comprou-me muitos livros de princesas e de príncipes. Li também as aventuras dos cinco e dos sete. Fotonovelas também li, às escondidas, pois a minha mãe velava pela moral e pelos bons costumes, claro. No fundo, só há relativamente pouco tempo me dei conta do quanto devo aos escritores "populares". Foram eles que possibilitaram que eu conhecesse os grande e verdadeiros amores da minha vida: os livros.
Morreu José Vilhena, um homem singular e corajoso. O ensaio de Rui Zink sobre ele - Humor de Bolso (?) - ensina que Vilhena não era apenas um desbocado sem tento na língua. Pelo contrário, tinha uma mensagem de inconformismo para veicular, coisa que fez sempre e lhe valeu, por várias vezes, a perda da própria liberdade. Eu admiro-o. E espero que ele não leve a mal se eu disser: que Deus o tenha em sua paz!  

Friday, September 18, 2015

Norman Reedus - Beggin'





See you in October! Can hardly wait.

.

Saturday, September 05, 2015

Wednesday, September 02, 2015

Vou contar-te uma história



Esta noite dormi! Sei-o porque durante alguns momentos tive um sonho daqueles que eu gosto. Não é difícil, eu gosto de todos. Excepto, claro, daqueles em que há gente mesmo, à séria. Cruzes!!

Foi um bocado confuso, é verdade. Mas foi bom. Depois de uma série de andanças sem nexo, eis que estou com um grupo de desconhecidos, em biquíni, discutindo quem vai com quem para a água, tomar banho, logicamente. Estamos pois, junto ao mar, ou ao rio, ou a uma lagoa, ou mesmo lago... posto que a água que esta à nossa frente ora tem horizonte, ora não tem, ora é comprida, ora é redonda. Desde que não fuja, penso, já não é mau. Bom, ponho os olhos num moço bem constituído, mas… como se adivinha… quando chegou à minha vez já só havia uma rapariga para emparceirar comigo! O moço avantajado, perdão, musculado, tinha-se evaporado completamente! That’s the story of my life! Lá fui eu, então, com a outra rapariga – sim, porque eu também era uma rapariga, toda jeitosa, até - tomar banho, quando chegou a minha vez. Informação importante: naquele mar, rio, lagoa, lago, era preso quem estivesse só ou com mais de uma pessoa na água. Adiante. Metemos os pezinhos “no precioso líquido” – momento kitsch, “pardon!” – e verificámos que mal nos cobria o peito do pé. Fomos então andando à procura de um lugar mais fundo, para mergulharmos, mas os lugares fundos fugiam de nós de forma espavorida e assaz irritante. É que nem os tornozelos conseguíamos molhar!  Nisto, encontrámos uma quinta a boiar e pedimos fruta ao fazendeiro, alemão, que disse que teria todo o gosto em falar connosco. E eu disse: «Importa-se de gravar? Assim posso ouvir mais tarde.». Ele ficou entusiasmado. Assim, lá ficou o senhor alemão debaixo de uma macieira a gravar a conversa que estava a ter connosco, enquanto nós continuávamos à procura de um sítio em que a água nos chegasse pelo menos aos joelhos. Acabada a conversa, o senhor deu-nos as cassetes – que não eram poucas – dentro de um saco de plástico, juntamente com uns biscoitos e umas peças de fruta. Agradecemos profusamente. A minha parceira até se desequilibrou de tantas vénias que fez, enquanto, embargada, dizia obrigada, obrigada. Porém, colocou-se-nos logo um grave dilema: como íamos tomar banho, com o saco das oferendas? Começámos, por isso, em busca de uma pedra onde pudéssemos colocar o incómodo carrego. A minha colega, que tinha um pescoço anormalmente longo, tanto o esticou que acabou por avistar ao longe – eu também avistei, aliás, apesar de ter o pescoço curto – uma festa. Uma festa!! Era uma espécie de arraial, mas também havia sardinha assada. Diz logo ela: «E se fossemos lá?». «Nem pensar. Agora que a maré até está a encher…». E responde ela: «É que eu aproveitava e fazia uma TAC.» Como com a saúde não se brinca, só lhe disse, «vai rápido, que ainda me apanham aqui sozinha e me prendem. Ah, e vamos a terra colocar o raio do saco que o estafermo do alemão se lembrou, em má hora, de nos oferecer.» E lá fomos. Colocámos o saquinho junto de uma bicicleta que nos tinha saído numa rifa e ela foi para a festa e eu procurar um sítio para mergulhar, com a promessa de que em quinze minutos estaríamos ambas em terra para irmos… enfim, para algum sítio. Estava a anoitecer e teríamos, certamente, alguém à nossa espera e certamente, também, com alguma preocupação, não fossemos nós afogar-nos naquelas águas profundas. Com tanta sorte, que apanhei uma leva de água, de tal modo, que até fui de escorrega por ali abaixo, toda consolada. Nisto, contudo, sinto o traseiro a derrapar em seco, por cima de umas pedras lascadas, uma coisa horrível. Olhei, já era noite escura, e não se via água em sítio algum. Só pedras e cascalho e restos de neve e uma ponte escura prestes a desabar sobre a minha cabeça. Corri então para terra, com o traseiro a assar, esperando que a minha companheira já estivesse pronta, também, para darmos continuação ao nosso dia/noite. Primeiro contratempo: tinham-nos roubado tudo! Segundo contratempo: a outra estava desaparecida. Chamei: «Palmiiiiiiiiiiiiiiiiira, Palmiiiiiiiiiiiiiiiiiiiira, etc.». Nada. Lá fui sozinha - é a minha sina – pela noite adiante e pela festa longínqua adiante, sob uma luz amarela e um cheiro de sardinha assada de morrer… e chorar por mais.  
.

Wednesday, August 26, 2015

Choque e pavor


As minhas férias vão de mal a pior... Agora mesmo, terminado o meu calvário - um deles - ergo a cabeça e vejo-me refectida em cinco das sete janelas à minha frente. E que vejo eu? Que estou a ficar a cara chapada da Madame Min. Pior: ainda se eu conseguisse locomover-me a bordo de uma vassoura!!
.

Monday, July 27, 2015

Hello??



Espero. Espero. Nem Godot se demorou tanto, como o Sonolências Perenes. A burgessa adormecida já fez 500 tentativas de coiso. Quiçá acerta a próxima... E o Pavius Curtus? Hein? Tanta competência!!! Até o Modorra Pós e Pré-jantar estava irado - não muito, por falta de forças, claro. Que grupo! Quando o outro, o das Santas Dormências, perguntou:«...mas isso é para entregar quando?», «Em Setembro», diz o Modorras. «Setembro? Francamente - disse pausado, "derivado à"  mandíbula ter falta de treino - só estamos em Julho!!!». «Em SETEMBRO DE DOIS MIL E CATORZE!». Diz o outro, «Ah, mas era preciso fazer? Quem me ajuda? Eu não seeeeeiiii», e revirou o olho inquisitivo e mortiço para a Rapidíssima da Acelaração e Turbo - sangue azul! «Porca miséria», disse ela, que anda a aprender italiano e já aprendeu meia dúzia de palavras. Nisto, berra  o Pavius, pálido e em falta, com a papelada toda em atraso: «Dá uma canelada  ao Sonecas, a ver se acorda!». «Acorda para quê?», diz a Rapidíssima, «ele é mais activo a dormir.», «Mas está a ponto de babar-se nos documentos!», diz o Pavius, para mostrar que é indispensável ao bom funcionamento das coisas, quiçá do universo. «Então tiram-se-lhe os documentos do percurso da baba... ora esta!. Que ninguém o acorde... a besta!», «E a besta sou eu????», exclama o Pavius...Curtus - convém relembrar -, «Não, a besta é ele!». Nisto...
Momento, chegou alguma coisa... quem sabe de jeito, para variar. Voltarei para contar esta história de encantar. Aguardem que eu não tardo: se calhar!