Aaarrrrgggghhhhhhhhhhh Não bastava eu ter a mania de pôr a loiça suja em cima da máquina em vez de dentro da máquina, e agora isto. Já é bastas vezes mau ouvir O Homem que Mordeu o Cão, enquanto tomo o pequeno-almoço ... hoje por exemplo: as façanhas de uma criancinha numa casa de banho a fazer pinturas *castanhas* nas paredes. Need I say more? Mas eu já estou vacinada. Há porém uma infestação de anúncios e cantoria no YouTube, uma coisa desmedida. Há algum tempo, só tinha de preocupar-me com a pasta de dentes contra o .... uhhhh ... sangramento das gengivas, que apresentava um desagradável misto de cuspo e sangue a escorregar num lavatório em direcção ao ralo. Um pesadelo! Um pavor. Ontem, porém, estava eu consolada a encher-me de Nutella em pequeninas tostas, de tal modo que até fiquei assada nos cantos da boca, devido ao excesso de chocolate, quando ouvi: aprenda a tirar a cera dos ouvidos. Fechei logo os olhos! Mas ainda vi uma coisa parecida com a extremidade de um parafuso que, presumo, é para atochar nos ouvidos e extrair a dita cera! Senhores da publicidade: contenham-se! Há gente a querer alimentar-se.
«O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, vetou um projecto legislativo que obrigava o Governo federal a fornecer água potável, higiene e camas hospitalares a indígenas, por serem considerados “grupo em extrema situação de vulnerabilidade” durante a pandemia de covid-19.» «Bolsonaro justificou o veto de 16 alíneas do projecto legislativo argumentando serem contra o interesse público e inconstitucionais, por criarem despesa obrigatória sem demonstrar o “respectivo impacto orçamentário e financeiro”.» GENOCIDA!
Mais um dia quase a terminar. Faltam ainda uns quantos relatórios, mais um avanço na correção do portefólio, um banho, e depois é cama mesmo. Ando a arrastar-me... Hoje, finalmente, estreei a minha máscara das cerejas. 5-line-masks Premium cherry. Foi a melhor parte do dia. Tive de ir à rua, o que é sempre perigoso, e não falo do vírus ou só do vírus. Por falar, que bela palavra, covíboras. Imaginativa. E não fui eu que inventei!
A lata dos incompetentes! Deve ser muito triste para certas pessoas verem-se numa profissãozinha como esta e serem, portanto, NADA. Como são NADA e nada podem e levam nas orelhas dos outros nadas - eu vi -, andam sempre em busca de um nada da categoria nadinha ou nadinha mesmo, para poderem eles arrear também! Mas é vê-los, desfazendo-se em tutoriais e webinares, as novas pragas a par da Covid, do corona, das coironas e do novo vírus da gripe suína que se perfila, na pole position, para nos entrar pelos orifícios faciais: ele é as narinas, ele é o bucal, o orelhal, os poros, sei lá... um arraial de orifícios. Andam os profissionais da indústria da metafísica e outras metas - só metas - de boca cheia de digital e de mais digital e nem têm arcaboiço para fazer os mínimos. Aliás, os minimosinhos. É como as pontes. Só depois de feitas é que se fazem os acessos, de preferências quando as pontes, de velhas, já não se aguentam nas colunas. Very Typical! E aquela coisa, credo, parece uma rede e não é de pesca. As boas redes de pesca de antanho, sendo cerzidas por agulhas de madeira à beira-mar. Hoje é aquela tristeza, aquela vozearia, aquelas fronhas, de sorriso bovino, plasmadas em múltiplas fotografias. Que bicheza, que selva. É só poluição. Estou derreada. Pudera!! Tive de ir à Wook em busca de livros para sobreviver. E livros de papel. Quero apalpar e não é o Kindle. É papel mesmo. É agarrar-me e não é ao computador, o sítio imundo onde existem aquelas coisas. Aliás, também tenho que comprar um novo computador só com as minhas coisinhas. Um computador limpo, de máscara, com as teclas etilizadas, com software MEU só MEU. Sem as camadas de estrume virtual, digital e o diabo. Foda-se!!!
Um Homem vai vivendo. Vai enfrentando a vida, como pode. Aparentemente tem sucesso. Aparentemente está feliz. Na rua, nas revistas, nas "redes", está feliz. Nas redes, toda a gente está feliz. Ou atormenta de forma soez os que estão felizes. Os obstáculos, as pequenas angústias, o pensar no futuro, o pensar como continuar a ser feliz e a ter sucesso no futuro, tudo aquilo que nos aperta um pouco, que nos sufoca, só se manifesta no palco vazio da nossa mente. Não falamos porque o nosso interlocutor mais imediato se aflige. E não queremos afligir o outro. E não temos ninguém a quem possamos contar o pequeno drama que se vai desenrolando no nosso íntimo. A depressão vai-se confundindo com uma pequena crise. A crise da meia idade. A crise das outras idades. O encurtar de tudo, de tempo, de oportunidades, de amigos. Alguns deixaram-nos devido aos nossos sucessos - pequenos sucessos -, porque não suportam que tenhamos subido um degrau. Não importa qual. Outros nunca sequer foram nossos amigos. E demonstraram-no, posto que sempre nos viraram as costas nos momentos mais frágeis. Mas nós não queríamos acreditar. Nós esperávamos que fosse só um momento, que não se repetiria. Nós não sabíamos que a nossa existência, e tudo que nela existe, era visto como uma espécie de parasitismo. Para nós termos, o outro deixou de ter. A nossa existência teve como contraponto uma série de inexistências e de raiva acumulada dirigida a nós. E nós não sabíamos. Embora saibamos que não foi assim... E um dia um Homem olha em volta e não vê nada que valha a pena. Já ultrapassou a angústia de pensar na angústia dos outros. Já não vê nada. Já arranjou coragem para dar um fim ao psicodrama da sua mente. Só quer dirigir-se para o mar. O mar grande, onde já nadou, onde já foi feliz. É para o mar que se dirige, mais uma vez, a última, em busca de ser feliz. Pela última vez. Descansa em paz, Pedro. Podias ter dito alguma coisa, íamos os dois. Imagem: Beksinski
Tudo tão sossegado. As folhas deitadas, as canetas quietas. O computador aberto e silencioso. A mala transparente. O cachecol cinzento descansado, enrolado. As cadeiras afastadas das mesas,
expectantes. A luz amarelada e triste. Os meus óculos, que mal se vêem. O frasco de álcool, que há muito é meu companheiro, aliado. Nada - quase - dá conta de mim, algures, ao pé de algum formando. Bem menos quieta que todos os meus objectos...
Foram dias maus. Passados!
Estava tão bem aqui, o meu cabelinho. A cor estava linda, mas o raio da cabeleireira não infrequentemente enganava-se na cor! Até que me cansei e tomei o assunto nas minhas próprias mão, embora pareça que toda a gente andou a tosquiar-se durante a quarentena. É que não há como a pessoa ser original! Em abono da verdade se diga que o meu cabelo tem andado a compor-se, até já cresceu um pouquinho, embora no sítio errado: where else? Lástima é que não ceda à força da gravidade, é que anda sempre em pé ou, pior, agarra-se-me à cabeça como se temesse despenhar-se no solo. E encaracola-se! Meu Deus, tenho de comprar uma peruca para os dias em que ele está temperamental. Pela manhã, é um desfile de horrores. Hoje acordei com um redemoinho traseiro - não confundir com no traseiro - e uma aba poderosa do lado esquerdo. Tive que recorrer à força dos braços para baixar tudo. Cabelos...
E agora os germes ou melhor perdigotos. Toda a minha vida fui acometida de grande náusea à ideia de que o "ar puro" mais não é que ar reciclado após ter saído dos pulmões de alguém. Não há ar puro! É fake. O ar é um concentrado imenso de perdigotos, germes e outras coisas. Há que tempos eu já usava álcool e outros líquidos para tentar purificar-me. Em certos sítios, ia abrindo o meu caminho a borrifos de álcool misturado com essência de baunilha para disfarçar. Borrifos esses que não raro me caiam nos olhos, o que nunca é bom. Daí que eu seja, talvez, a única pessoa no mundo a gostar de máscaras. Abençoadas: a nossa boca e narizinho - ou narizão - tapadinhos e aconchegados em panos e tecidinhos suaves. Tão vooommm! Penso que encontrei o amor do resto da minha vida. As mascarinhas cirúrgicas e sociais e outras, e também as luvinhas de propi qualquer coisa Aiiiiiiii.
A música dos anos 80... inesquecível. Tenho sempre a impressão de que fui feliz nos anos 80. Não fui. Fiz a Faculdade. Foi um momento bom, mas cheio de trabalho. Não podia chumbar. Eram dias de biblioteca e estudo e idas esporádicas ao Piolho. Insónias monumentais. Épicas. Eu e a E., a minha amiga das noites em claro.
Um dia, decidimos embebedar-nos, para ver se a bebedeira nos adormecia. Tomámos o que restava de uma bebida muito doce, verde, cujo nome me foge. Depois, como o "maldito" médico a que recorremos, para nos aliviar da vigília permanente que infestava as nossas noites, decidiu receitar-nos um frasco de xarope de valeriana, bebemo-lo também. Ao xarope. Todo, de golada. E não obtivemos mais que uma dor de cabeça fortíssima.
Depois, comecei a trabalhar. Muita peripécia. E dramas familiares…
Conheci também o F., e mais dramas… pesadelo! «Quem é o pai?» A lata!!!
A ida para Faro. As bestas que davam pelo nome de alunos. LK dizia no outro dia: o professor, hoje, tem de ser psicólogo, sociólogo e, dependendo dos alunos, veterinário, também. Pois. Fui veterinária. Fui tão infeliz em Faro… Mas também conheci os alunos mais importantes da minha vida: um deles, um dia, salvou-me. O filho da mãe, se tivesse estado quieto, eu teria sido mesmo feliz nos anos 80. Verdade. E tive alunos dementes: o que vinha com uma arma debaixo do braço e começou a colocar-me as mãos nas costas, por baixo da camisa…
E, não de repente, comecei a deixar de conseguir engolir…
Mas eu lembro sempre, em síntese, que fui feliz. Não fora a análise demorada, caso a caso, e poderia reiterar: fui muito feliz nos anos de 1980.
A Herdade, The Domain, está a passar na RTP, em episódios. E no YouTube, também. Com poucas visualizações. Que pena. Não porque eu ache que a qualidade e os livros, etc., etc. é que deveriam ser divulgados e vistos. Não. Cada um vê o que quer, aquilo de que gosta. Eu sei é que há muito mais público que gostaria. Até do Brasil. Os brasileiros que vêem as palestras de LK - e ele tem merecidamente imensos seguidores - gostariam certamente de A Herdade.
Interessante. Os youtubers brasileiros são seguidos por portugueses, moçambicanos e também espanhóis. Os espanhóis têm seguidores brasileiros e portugueses. Há muitos brasileiros a seguir canais portugueses de YouTube. Mas não noto que haja espanhóis, a não ser em Aqui não há quem viva. Também há alguns africanos a seguir portugueses. Só conheço uma youtuber moçambicana, que é seguida maioritariamente por brasileiros e alguns portugueses. Desta gente que encontro no YouTube, inclusivamente espanhóis, muitos gostariam de ver A Herdade. Porquê?
Porque tem conteúdo, história, História, porque tem uma paisagem linda de morrer. Porque os actores são excelentíssimos e ALBANO JERÓNIMO, o protagonista, é demolidor: lindo, alto, carismático, voz belíssima. E bom actor. Claro!