Monday, July 02, 2012

...





Cansaço...! Roubo um poema na Educação do Meu Umbigo e uma imagem ao Google.


Neste meu hábito surpreendente de te trazer de costas

neste meu desejo irreflectido de te possuir num trampolim

nesta minha mania de te dar o que tu gostas

e depois esquecer-me irremediavelmente de ti



Agora na superfície da luz a procurar a sombra

agora encostado ao vidro a sonhar a terra

agora a oferecer-te um elefante com uma linda tromba

e depois matar-te e dar-te vida eterna



Continuar a dar tiros e modificar a posição dos astros

continuar a viver até cristalizar entre neve

continuar a contar a lenda duma princesa sueca

e depois fechar a porta para tremermos de medo



Contar a vida pelos dedos e perdê-los

contar um a um os teus cabelos e seguir a estrada

contar as ondas do mar e descobrir-lhes o brilho

e depois contar um a um os teus dedos de fada



Abrir-se a janela para entrarem estrelas

abrir-se a luz para entrarem olhos

abrir-se o tecto para cair um garfo no centro da sala

e depois ruidosa uma dentadura velha

E no CIMO disto tudo uma montanha de ouro



E no FIM disto tudo um Azul-de-Prata.


[António Maria Lisboa] – Rêve Oublié

Lindo!!
!

Thursday, June 14, 2012

Matar saudades

Para quem tem saudades de mim, aqui ficam notícias.
Como vêem, já sei fazer contas. Palhinha também tenho comido em abundância. O zurrar é que ainda me sai mal. Mas lá chegarei, com a inteligência que Deus me deu. Ai se chego!
Coicezinho de amizade a todos!

Tuesday, June 05, 2012

MEC


 «Mas não me apetece tomar banho de mar. Enquanto a Maria João não acabar com as irradiações analíticas e cirúrgicas, não me apetece estar longe dela. (...) Em 2012 ficar com ela - mesmo em terra; mesmo em Lisboa, em corredores e bancos de plástico, num estado permanente de agitação e medo - é melhor que nadar com ela no mar de 2011»

Miguel Esteves Cardoso, "À beira do mar de Junho", Público, 5 de Junho de 2012

Eu sempre gostei do MEC e não há como deixar de gostar dele mais e mais a cada dia que passa. Casar? Só com um homem assim! Que sofre, que acompanha, que vive de e para o seu amor. Um amor? Um homem para amar? Só com um homem assim! Um homem que sabe amar, nos bons e nos maus momentos! Principalmente nos maus momentos, os momentos de angústia nos corredores brancos, com cadeiras de plástico, enquanto o mar rebenta com a areia, feliz com o reinício do Verão.

Há por aí algum MEC para mim????? Se há....please... há tantos anos que me sinto num corredor com cadeiras de plástico...

Maria João, viva para o seu MEC e pelo seu MEC, porque ele não vive sem a Maria João! E eu não vivo sem o seu MEC. As melhoras, minha querida!!!

Monday, June 04, 2012

O meu ar de desprezo .....



Os únicos passeios que me posso permitir são os que dou pela net. E mesmo esses já me tiram muito do tempo que não tenho... para corrigir portefolhas demenciais...plágios e plágios...merdas e merdas... e a outra trombuda..."a senhora...a senhora...". PQP! ...da-se!

Bem, ainda não fui ver as pérolas dos bardos e vates do  Entroncamento e já nem terei tempo de ir. Hélàs! Mas já fui àquilo que interessa. O site http://lerebooks.wordpress.com é serviço público. É de leitura obrigatória. Foi a melhor descoberta blogosférica depois do umbigo do Paulo. Masssssss acho que está o pé-de-vento armado para os lados de lá.

 D. Coelhone volta ao sexo! Em vez de se dar conta de que a poetisa X bebe de mais e fala por clichés, põe-se a fazer adivinhação sobre o que se passa na cama de X com o melhor poeta da internet. Espero que X vá à tromba de Coelhone, que apareça a Precious e vá à tromba de todos e que se monte ali uma boa barafunda, com a outra que não "dá piti" a "dar piti" e que senhor "piti" (!),  para eu ter aventura garantida no passeio internáutico, que a vida anda muito monótona.

 Ahhhhhhh, deixa-me esfregar as mãos!
A propósito. Adorno diz que quem não acredita no poder da monotonia é um idiota! E esta?

Tuesday, May 29, 2012

As bestas



A vidinha  - profissional - vai ruim.
 Estava a maior parte das bestas posta em sossego, quando uma começou a escoicejar. A besta fraca, assim que pressente um bocadinho (ínfimo!!!) de trabalho, tem ataques de hiperactividade passiva. Começa logo a dar saltos devagarinho. Pulinhos!! Só a fechar a porta é que demonstra ter alguma forcinha - pouca - nos braços. Mas diz que a portinha - a marota, ai, ai - lhe fugiu das mãos!  É uma besta rebeldezinha, indolente, burra, ignara, embrutecida. Uma besta incompreendida, claro! Uma besta a precisar de amor, compreensão e prozac. De mim,sinto muito, poderá contar apenas com uma boa arrochada no focinho. É a única coisa que tenho para oferecer a bestas.
Aqui com os meus botões, não posso deixar de pensar que este ano o coiso e a coisa parece uma concentração de bestas. Parece que se combinaram!
Em conversa pós-besta, diz-me a coisinha que a besta redonda levou uma sovata. Acho bem! E diz-me se eu não reparei no olho à belenenses, da dita besta. Eu? Claro que não reparei. E que a besta informe também anda a sair da casca. E que a besta obtusa não tem registo de melhoras. Nisso, confesso,  já tinha reparado.   E eu digo-lhe que a besta lenta, dissimulada e tosca tinha sido corrida. «Corrida?» Pergunta a coisinha. «Siiiiiiim. Por mim». Respondo eu. Ah! A grandessísima besta. E a outra, diz a coisinha, a besta mor, moeu-me o juízo. De que besta estás a falar? E diz a coisinha, estou já a falar das bestas do coiso. Ah! Ainda bem que concretizaste, respondi eu.
Enfim, comprámos cereais e falámos das bestas. Já com um pé no passeio ainda disse à coisinha:« A besta pestilenta e desbocada disse três vezes: "até a barraca abana"!»  E diz-me a coisinha, escaldada: «Tiveste mais sorte que eu. Comigo, no dia da grande evacuação e do grande êxodo com a mão no nariz, a barraca abanou mesmo!!!»  E eu fiquei agradecida e disse: «Deus seja louvado».

Sunday, May 13, 2012

Eu não minto, não engano, não ludibrio e não venho de Caçarelhos


Devo confessar, com imensa pena, que tenho uma admiração, embora envergonhada, pelo senhor ministro das finanças. Tenho, o que é que hei-de fazer? Motivo? O senhor não cede ao populismo fácil, não se arma em “pessoa normal”. Penso que só lhe fica bem. Fala de forma lenta, não deixa nada por dizer e, de vez em quando, a meu ver, diz umas coisas giríssimas.
No outro dia, chego a casa, ligo a TSF e havia debate parlamentar. Reconheço logo a voz pausada do senhor ministro. Dizia ele ( mais ou menos ): « Lá vou ter de discutir literatura, mais uma vez, com o senhor deputado. Diz o senhor deputado, que eu pareço aquele político do romance A Queda de Um Anjo de Camilo Castelo Branco. Sabe, senhor deputado, eu vim de Frankfurt e de Bruxelas e o político de A Queda de Um Anjo veio de Caçarelhos. Mas, claro, quando se fala de Caçarelhos, vem-nos logo à mente Bruxelas e Frankfurt.»
O senhor ministro das finanças não mente, não engana, não ludibria, não é falsamente modesto e não vai a Caçarelhos!

Monday, May 07, 2012

Fim-de-semana grutesco


Exactamente! Passei o fim-de-semana numa gruta! Eu até não desaprecio experiências grutescas, mas os homens e as mulheres das cavernas não têm maneiras nenhumas! Ou seja, é daí que deriva a falta de maneiras a que se assiste hoje. Estou em condições de afirmar sem sombra de dúvida, que as maneiras não evoluiram um milímetro em relação à idade da pedra e a inteligência evoluiu pouco. Então não é que estava eu muito bem, roendo um osso (ementa, péssima!) e catando piolhos ao meu companheiro, que até já me tinha dado uma cacetada na cabeça - parece que é tradição na relação amorosa homem, mulher! - quando vejo este quadro dantesco: uma mulher das cavernas, com uma corda ao pescoço na ponta da qual se encontrava uma pedrinha de 500kg, a atirar-se a um poço. Pergunto: «Que é isto?» E diz o chefe Grande Cabeça Oca, muito sapiente, solene e misterioso: «Estava estipulado em acta!» Estremeci! (e continuei a catar o meu companheiro....claro...o respeitinho e tal...)!
Ah! Como eu anelo pela civilização!

Monday, April 30, 2012

William Orbit _ Adagio For Strings


Morri, fui para o céu e os anjinhos (com um grão na asa) estão a dar-me música...! Força, anjinhos! Força!

Friday, April 27, 2012

"Poste" cifrado

Tesc tesc tesc ih ih ih a outra a brijate bardote já levou na tromba...rsrsrs AHAHAHAHAHihihohohohOOH. O outro...deve estar a gozar o prato. Gostas pouco, gostas! E o dos dentes grandes, o dentuço, o coiso, a bem dizer o carlos dos dentes ...k rir! Mas a outra ou o outro... Gollum e tal e coiso ...não havia nexexidade, como diria o diácono Remédios! Sabia escrever e dava na tromba forte e feio. Oh, maçada! E o coiso Boby...o bobizinho, que bem falou!! Hummmmmmmmmmmmm. Há ali gente k leu Barthes. O coiso, burro de nascença, não leu! Não leu. A bardote nem sequer sabe ler. A do grande olho, também não! Como diz o povo, muito olho, muito repolho! A das letras barra tretas leu apenas as gordas - altura de piscar o olho - o barra a ABC viu o livro numa montra e fugiu espavorida, de asna que é!! O das dentuças crescentes ainda está a aprender a soletrar. É só cama...cama...coiso...coiso...pimba...pimba. Ainda é virgem! Hhuuuuuuuuummmmmmmmmm. A outra é mais guisados e fritos. Mas limpa as estantes, clarooooo. Logo vi! My precious, my precious...tens o meu blogue só para ti! Entra, senta-te, escreve o que quiseres. Bobizinho, vem com a precious. E quanto ao, ao, bem, ao coiso... não estaria...na...hora de...quer dizer...esvaziar... limpar...como dizer...pois... vazar... deitar fora a ....o...bem, há que dizê-lo com frontalidade....despejar o pennn, digo, o bacio? Hein? Bom,bom, bom. coiso coiso coiso...

Thursday, April 26, 2012

Susan Boyle - Britains Got Talent 2009 Episode 1 - Saturday 11th April |...


Esperem até ao minuto 1.22. Quantos podemos dizer que surpreendemos, alguma vez, assim? Este é o vídeo mais arrepiante de que me lembro. É inspirador!!
 A maior parte de nós vai passar pela vida sem ter jamais surpreendido alguém...nem por um segundo...

Tuesday, April 24, 2012

Abril, 25

Hoje quero comemorar o 25 de Abril bem cedo. Às primeiras horas. Quando morre alguém como Miguel Portas, há que tentar compensar a sua falta, a sua voz, a sua luta. É por ele que eu pela primeira vez comemoro o 25 de Abril, com cravo e tudo. Por ele até consigo dizer: 25 de Abril, sempre! Mais, até sou capaz de acreditar nisso, não apenas dizê-lo. Detesto lamechices, mas uma mulher não é de ferro, principalmente quando descobre, com surpresa, que ainda se comove, ainda lhe vêm as lágrimas aos olhos, porque morreu um político!

Miguel Portas

Miguel Portas, que pena! Que pena! Cheguei a casa, para ouvir a notícia da sua morte. Eu pensava até, que tinha recuperado dessa doença horrível, com a mesma força que demonstrava sempre. Pensei que há pessoas que não podem ser levadas, assim, sem mais. De repente! Paulo Portas, querido, de sempre, dos meus dias de solidão triste (hoje vivo uma solidão alegre), solidão na companhia do Independente, de VPV, MEC e outros. Eram todos a minha companhia. A revista K, também me fazia companhia. Um abraço grande para si, meu querido amigo, que eu amo de verdade. Um abraço também para a sua mãe. E para os dirigentes e militantes do Bloco de Esquerda! Eu também já votei Bloco! Um abraço para todos, em especial para o Miguel...que hoje já não está entre nós!?

Tuesday, April 17, 2012

Sinead O'Connor - Reason with Me



Lindo!
E Sinead envelheceu mal? Envelhecer... ver o corpo em ruínas. Acho Sinead tão linda, por não se enfeitar para tapar a ruína do nosso corpo mortal, perecível!
Sinead, melhor que nunca.

Monday, April 09, 2012

Ziziiiiiiii


Zizi, ficámos mais velhos. Eu no dia sete e tu no dia oito. Ohhhhh!!!!
Je t'aime!! Porquoi? Porque sou parva. Mas tu, novo ou velho, com pêlos (ihihih) ou sem eles (parecias um espinheiro, zizi), serás sempre insuportável! Continuaremos separados - os nossos feitios!!! - mas sempre juntos, à nossa maneira!

Primavera


Quando vier a Primavera



"Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é. "

Autor?

PS: Encontrei hoje este poema sem autor, enviado pelo querido coleguinha J. Adolfo, em resposta à minha mensagem automática de férias. Que lindo poema. Que coleguinha mais querido!!

Wednesday, April 04, 2012

Os dias longos


Que tédio!
Andei a dar uma voltinha pela internet. Estive no umbigo do Paulo e dei um pulinho ao Bardo do Entroncamento e, claro, ao Vate do Entroncamento, também. Dois monumentos de poesia. O bardo, claro, ainda na fase das operações concretas e também na fase anal, segundo Freud, claro, continua "poetando" - para o citar - sobre as aventuras do seu portentoso falo. Parece que teve mais um orgasmo e eu fico contente por ele, claro! Ou melhor, não fico. Irra!! A poesia do bardo (do Entroncamento) é uma versão do atirei o pau ao gato (tutu), aliás, à gata, que ele não gosta de maricadas, nem a brincar!! Vai pau, vem pau, enquanto o pau vai e vem folgam as costa e assim sucessivamente. O bardo comete os seus poemas (como dizia o outro)e os comentadores comentam - não confundir com lêem - com frases verdadeiramente formidáveis! Aliás, comentar é uma forma de dizer. Seria mais correcto dizer baboseirar. Também "apodam" - para o citar - o escrevinhador de poeta, grande poeta, vate (li eu, com estes dois olhos que usam óculos), lorde, etc. Mentiras! Tudo mentiras! Entretanto, o parvo, digo, o bardo vai consolidando uma reputação de poeta, escritor, intelectual e sábio! No outro dia, ouvi-o eu(com estes dois ouvidos com o seu pedacinho de cera)muito vivaço, muito esperto a trazer a Grécia Antiga para uma conversinha sobre ...bem...sobre qualquer coisa. Consta que as agências de rating, depois desta menção, reagiram logo com um aumento dos juros à sofredora nação, berço da Democracia, de Sócrates e de bons iogurtes cremosos. Em resumo, os tempos estão tão perigosos, que uma pessoa escreve um versinho e, para castigo, é logo elevada à categoria de poeta. Bem feita!!
Vamos agora ao vate (do Entroncamento). Começo por citar, de memória, uma comentário, vulgo baboseira, do bardo ao vate (ambos do Entroncamento): «Poeta, estou sem palavras perante o teu soberbo poetar». E pois que diz este soberbo poeta? Nada! Absolutamente nada ...de jeito. De outras coisas diz muito. É também muito dado a ilustrações, principalmente se forem reluzentes. Depois, e isto é digno de registo, deve ser a pessoa com mais fotografias dele em todo o espaço virtual. Antes dos soberbos poemas, pumba: foto, ou caricatura, ou ambas. Antes? E depois também, às vezes. Para além do mais, também é cantor lírico. Diz ele. Mas nós não acreditamos. A julgar pelos hilariantes áudios, aquilo é mais guinchar com dores de joanetes e calos, que canto lírico. Eu pelo menos também assim guincho naquele doloroso estado de pés...e não me ponho a dizer que sou cantora lírica!! Mas eu sou humilde(como já repararam)! O multifacetado basbaque, digo, vate, é muito religioso, mas também algo blasfemo, pois está sempre a comparar-se à divindade. Compara-se também a Fernando Pessoa e outros. E que diz ele mais concretamente? Atentem na lista:
- sou poeta... ai que cruz, credo!
- sou poeta...tenho este dom...que me causa tanto sofrimento
- tenho pensamentos poéticos
- ai, ai sou tão sensível porque sou poeta...
- nós, os poetas, carregamos o mundo nas costas...e sofremos muito...ai, ai, ui, ui
- Deus, porque me deste esta sensibilidade de poeta...
- o poeta vê sempre mais além ... vê tudo ... sabe sente...ai coitadinho do poeta...
- ai Jesus, a minha sensibilidade poética está a dar cabo de mim...ó da guarda!
- sou um privilegiado porque sou poeta .. e vocês não ...nha, nha, nha, nha, nha, nha
- etc.
Hoje, um outro poeta afirmou, sem se rir, que o vate é o maior poeta do século XXI!!! E os outros babões, derreados de tanta beleza poética, concordaram, aliás, continuam a concordar, porque o vate chega a reunir centenas de comentários todos a dizer a mesma coisa. Segue lista:
- poeta és bom...
- poeta és tão profundo...
- poeta, se os mineiros chilenos tivessem caído na profundidade da tua poesia ainda hoje lá estavam a pão e água
- poeta, como é possível ser-se tão bom
- poeta, tens o dom da palavra
- que fotografias tão lindas...és tão fotogénico
- Poeta, ó poeta, faz um milagre...toca-me e faz cair os meus pêlos, que eu não tenho dinheiro para a depilação definitiva...que é tão cara...e eu sou tão pobrezinha... e tão peluda...e gosto tanto de ti
- etc.

Ainda fiz outras incursões poéticas, mas de tão monóoooooooooooooootonas, nem dá para dizer mal! Porque daria muito trabalho dizer mal. Façam favor, senhores poetas, de se porem a jeito para eu poder dizer mal sem me dar muito trabalho!
E, a terminar, uma pergunta se impõe: quem é o pior? O bardo ou o vate do Entroncamento? Para começar, há que dizer que são os dois igualmente péssimos, numa "pespetiva pixtemologica". Aí, não há mas nem meios mas, agora dizer quem é o pior mesmo...hoje nem vou dormir. É o vate! Não...péraí...é o bardo. O bardo! Meu Deuuuuus, claro que é o bardo....não...não...é o vate....bardo, vate, bardo? Vate!
Oh, the agony of choice!

Sunday, April 01, 2012

Estar em silêncio


Chá, livros (electrónicos)e silêncio.
Posso entrar e sentar-me.

Convite para uma chávena de chá


Treten Sie ein
Setzen Sie sich
Hier können Sie schweigen

Rainer Kunze

Entre
Sente-se
Aqui pode estar em silêncio

tradução minha

Inspiração


Quando eu morrer voltarei para buscar
Os momentos que não vivi junto do mar

«Cem Poemas de Sophia», Sophia de Mello Breyner Andresen
Lindo!

Sunday, March 25, 2012

Virar Noite


Hoje de manhã, liguei, como sempre, a TSF e ouvi uma reportagem sobre os brasileiros - os cablocos - que vivem na Amazónia. Uma mulher, uma cabloca, contou uma história - história verdadeira!, dizia ela, com a sua voz linda, o seu português com açucar e floresta - ocorrida numa noite de festa. Havia baile na comunidade, todos dançavam, e nisto aparece um homem muito lindo, de "olho azul", que dançou muito com uma cabocla. Às quatro da madrugada, o homem lindo "dji olhu azuu" disse que tinha que ir embora. A mulher que dançou com ele, encantada, acompanhou-o. Ele dirigiu-se ao rio, lançou-se à água e nunca mais foi visto.
A reportagem corria assim, com muitos testemunhos, todos de gente pouco escolarizada, mas com uma expressividade desconcertante. Nisto fala-se de sucuris. A reporter pergunta o que acontece, quando alguém é picado, dada a falta de médicos. O homem diz que, antigamente, havia gente que conhecia ervas, mas agora já pouca gente conhece. Então, às vezes, "à péssoa vira noitxi". A pessoa morre, explica a repórter. Vira noite!
Sintonizada na TSF, oiço, mais à frente, que António Tabucchi, o português por opção, grande admirador e tradutor da obra de Pessoa, morreu hoje, dia 25 de Março. Penso que deixarei de usar o verbo morrer. Prefiro virar noite.
António Tabucchi, hoje, 25 de Março, virou noite!
Boa noite, António!!! Dorme em paz!

Wednesday, March 21, 2012

Dia Mundial da Poesia


Conheço um homem que é uma poesia (fraca). É uma daquelas criaturas sem carisma. Estranhamente, nem é autoritário nem tem autoridade. Não tem nada. Parece aquelas supostas poesias sem palavras, sem ideias, sem emoção, sem sentimento. Enfim, um grande vazio, não isento, no entanto, de barulho. Porque no fundo, ele é apenas um homem que faz barulho, que grunhe. Mais nada. É um grande poema sem rima, sem conserto e sem concerto também. É um silêncio não ausente de murmúrios. Um tonto, um pobre demente. Alguém que gostaria de ver-se ao espelho mas, como é um grande vazio e uma grande ausência de tudo, não lhe ocorre sequer ver-se ao espelho.
É uma poesia Dada, daquelas muito mazinhas. Aquelas poesias que ainda querem ser Dada, quando o Dada já saiu de moda!
É um balofo, cheio de si, que dá grandes lições de moral, em salas vazias. É um farsante. É alguém que não se rala, nem quer ralar-se. Mas sabe sempre o que os outros devem fazer! Não se cansa de aconselhar ignaramente: "Ah, mas são tão boas pessoas coitadinhas, não se ralem" ou "Ah, mas são umas bestas, não se ralem" ou "Ah, não macem as pessoas, coitadinhas, são umas bestas tão boas, não se ralem", etc. É um poema minimalista, ou seja, tem um vocabulário muito reduzido!
É ainda um poema hilariante, mas de uma forma mazinha e simplória. O pobre sonso gosta de contar anedotas...sempre as mesmas e sempre sem graça. É também hilariante quando faz cara séria para impor respeito. Mas não impõe. Nem respeito, nem nada. É um impostor.
É também, claro, claríssimo, um poema popular e amador. Gosta de comer e beber. Gosta de um tintinho do bom. E de futebol. É uma pobre alma e uma alma pobre. Não é mau tipo, no fundo, muito lá no fundo. Ou, pronto. Não muito no fundo, aí a meio entre o fundo e o cimo. É um tarata.
E está comemorado o dia mundial da poesia - coitada, se fosse coisa boa, não tinha dia! Comemorado está também o tonto! Eu devia-lhe esta homenagem. Afinal, ele até é tão articulado e esperto, quando está a dormir...!

Tuesday, March 20, 2012

A ruína e a normalidade


Preparo-me para mais um dia de trabalho! Já passei os olhos pelo Umbigo do Paulo e fiquei a par das últimas da educação.
No Correio da Educação fala-se de ruína e ontem, num texto de Mia Couto, falava-se de normalidade. Melhor, falava-se do facto de nada interpelar as pessoas. Acontecem as coisas mais anormais, mas já nada choca. É tudo normal.Conheço bem o sintoma. Sinto-me muitas vezes sozinha a apontar o dedo. Mas só eu vejo, mais ninguém. Há uns quinze dias tive uma conversa com um demente, com todos os sintomas da doença da normalidade. É tudo normal. É a vida! Depois, se eu não conhecesse a praxis do pobre demente...!
Estou a escrever, a uma hora em que não gosto de escrever. Faço-o só para ter uma prova de que ainda consigo fazer alguma coisa, ou seja, reagir, porque quando chegar ao local de trabalho, entro na normalidade faz de conta. Ouvirei os dementes expelirem boca fora os seus delírios e eu própria também poderei delirar um bocadinho. Deus me livre de dar nas vistas!

Monday, March 05, 2012

...??!!*****//????!!!!!!


Com o bom humor próprio de quem acabou de ler uma frase, na qual se dizia que entre as aves migratórias se encontram a baleia azul e o elefante, dou comigo a ouvir uma cantilena, na TSF, que repetia com voz irritante, isto é, pretensamente erótica: "até ao orgasmo total, até ao orgasmo total", idem, idem, aspas aspas, idem idem.
É só burrice e hormonas aos saltos. Se esta gente visse menos baleias a voar, fornicasse menos e trabalhasse mais....!
Need I say more?

Thursday, February 23, 2012

The Shining


Olha, cheguei à Figueira da Foz, mesmo à hora do jantar. Mas eu tinha tirado bilhete para Coimbra ou para Lisboa, não consigo agora precisar! ‘inda mais essa! Devo ter-me enganado no Entroncamento. Mas eu nem sequer passei pelo Entroncamento! Há que tempos que não vou a essa terra linda….linda (buááá, chuif, chuif). O pior é ter de ir dormir a casa da minha tia, em vez de ficar já neste hotelzinho, à beira mar, tão lindo, com olhos nas fechaduras das portas. Família! Sempre a atravancar a vida das pessoas, até em sonhos. Apre! E a minha bagagem? Pânico! Ah! O meu saquinho, o meu lindo saquinho portador das minhas coisinhas, está aqui mesmo pendurado na minha mão. ‘bora para a casa da tia. E onde diabos irei dormir? Sim, porque eu já não tenho paciência para improvisos. Quero caminha fofa e pequeno-almoço britânico às dez. E nisto cheguei:

-Há coelho para o jantar - diz a minha tia muito lacónica.
- Que bom! – respondo.

E começo a fazer contas de cabeça. O meu primo P1 dorme aqui. O P2 dorme ali, mas a caminha é grande. Vou dormir com ele? Não me apetece, mas… às sete horas já tenho que estar no comboio para Coimbra ou para Lisboa. É um instantinho. O sacrifício será benéfico para a minha vida pós-morte. O tio T1 e a tia T2 dormem aqui na cama deles. Mas nisto vejo o sofá da sala. É aqui mesmo. Vou-me já à cama. E a minha bagagem, para tirar o pijama?
- Ó T2, viu o meu saquinho?
- Há coelho para o jantar.
Está aqui. Vou aos saltinhos para a sala, em direcção ao sofá, e já lá estão deitados a tia T2 e o primo P2. Que lata! Vou então dormir na cama do P2, melhor, mais espaço fica para mim. Mas, na cama do P2 está deitada a minha avó. O vultinho da minha avó, tão pequenino, com o tufo de cabelinhos brancos, e com os olhinhos a rir para mim, convence-me: tenho de dormir com ela. Mas nisto oiço alguém chamar-me. É uma amiga minha! Ó praga. Onde é que ela se deita? Se é minha amiga tenho de a pôr a dormir. Ideia! Há um colchão debaixo do sofá. Dormimos lá as duas. Volto à sala e, no colchão debaixo do sofá, já estão deitados a minha mãe e o meu pai. Estou novamente desalojada, juntamente com a minha amiga. Penso: é melhor comer alguma coisa enquanto descubro onde dormir com a minha amiga. Pergunto à tia T2:

- Onde está o coelho?
- No forno.
- Onde está o forno?
- Na cozinha.
- Onde está a cozinha?
- rrrrrroooonnncccc zzzzzzzzzzzzzz.

Lindo! Bela hospitalidade. É que não há rasto de cozinha em lado nenhum. Nisto diz-me o meu paizinho, com o tufinho de cabelo branco a sair do lençol:

- Ó Lelicha, traz-me um livro do tio Patinhas, filha.
- Ok, chefe! Vou ver o que tenho na minha malinha.

A minha malinha estava enorme, parecia um elefante. O que teria acontecido? Fui ver e tinha lá, entre muitas outras coisas, todos os volumes da enciclopédia britânica. Que pesadelo! Como é que eu iria carregar tudo aquilo, às 7 da manhã, para a estação de caminho de ferro? Fui então ao quarto do meu tio T1, procurar patinhas na mesa de cabeceira. A cama ainda estava vazia. Porque é que a minha tia T2 não dormia com o marido, como todas as outras esposas do mundo, e o meu primo P2 não ia dormir com a avó, como todas as crianças, para eu dormir no sofá com a minha amiga? Só preocupações! E eu que tinha vindo em busca de paz e sossego para me dedicar à escrita do grande épico, digno de um qualquer nome, dos grandes, da Literatura universal, sobre três bostas mutantes!! E ali estava, mal comida, sem poiso para dormir e sem cabeça para pensar em bostas. Lá encontrei um livro dos irmãos metralhas e fui dá-lo ao meu pai. Foi aí que pensei. O meu pai morreu. A minha mãe pode ir dormir com a minha avó e eu durmo aqui com a minha amiga. E depois pensei, mas a minha avó também morreu, posso muito bem ignorá-la e deitar-me lá com a minha amiga! Mas pareciam tão vivinhos, a avozinha toda enrolada na caminha e o meu pai tão feliz e tão vivo a ler os metralhas! Deixá-los viver mais um bocadinho.

- Que bom está o nhcoelho…nhac mfac. – diz a minha amiga.
- Onde está o coelho?
- No fffnhorno.
- Onde está o forno?
- Nha cozinhanhac.
- Onde está a cozinha?
- nnhhhacc ffufenhac.

Bastou-me seguir os ruídos ou rugidos da mastigação da minha amiga para encontrar a cozinha. E ali estava ela, má rês, à mesa, com a boca cheia, na proximidade de um enorme coelho assado. Dir-se-ia que era a cozinha que estava no coelho e não o coelho que estava na cozinha. Como é que eu havia de a descobrir? Mas era um coelho que cheirava lindamente. Comecei logo a comer e ele apoderou-se da minha boca como se a quisesse comer também. Tinha de pedir a receita. Que bela ceia. Podíamos não ter onde cair adormecidas, mas o jantar era divino. Entre grunhidos, de boca cheia, disse à minha amiga que o meu primo P1 ainda não tinha vindo, por isso podíamos dormir na cama dele, ao que ela respondeu que já lá estava a dormir um primo dela, o P3. «O qnhê?». «Frronhc». O melhor era mesmo comer e calar. Assim fizemos, até que a minha amiga adormeceu sobre a mesa, com o cabelo dentro do prato e um osso a sair-lhe da boca. Que falta de maneiras! Pelo menos ela já estava instalada. Levantei-me, agarrei na minha malona e abri a porta, porque até estava com falta de ar. E desapareceu tudo. (Que pena, o tufinho de cabelo branco do paizinho e da avozinha…saudade. )

Luzes na noite. Movimento. Mar e mar. A malinha de volta, magrinha. E o hotelzinho lindo estava ali à minha frente. Dirigi-me a ele. Nem foi preciso dizer nada. O recepcionista agarrou-me ao colo e deitou-me numa cama enorme. Adormeci logo, feliz, com a porta dos olhos a olhar para mim.

Wednesday, February 08, 2012

Poesia (!)


Ruína

Sem encontrar-se.
Viajante pelo seu próprio torso branco.
Assim ia o ar.

Logo se viu que a lua
era uma caveira de cavalo
e o ar uma maçã escura.

Detrás da janela,
com látegos e luzes se sentia
a luta da areia contra a água.

Eu vi chegarem as ervas
e lhes lancei um cordeiro que balia
sob seus dentezinhos e lancetas.

Voava dentro de uma gota
a casca de pluma e celulóide
da primeira pomba.

As nuvens, em manada,
ficaram adormecidas contemplando
o duelo das rochas contra a aurora.

Vêm as ervas, filho;
já soam suas espadas de saliva
pelo céu vazio.

Minha mão, amor. As ervas!
Pelos cristais partidos da morada
o sangue desatou suas cabeleiras.

Tu somente e eu ficamos;
prepara teu esqueleto para o ar.
Eu só e tu ficamos.

Prepara teu esqueleto;
é preciso ir buscar depressa, amor, depressa,
nosso perfil sem sonho.

Federico García Lorca, in ‘Poeta em Nova Iorque’

(Eu não aprecio poesia, mas aprecio alguns textos poéticos. A net está inundada de "poesia" má até ao enjoo. Às vezes é necessário lembrar os poetas com p grande, os poemas com p grande, para lembrar que a poesia já foi o género com g grande, por excelência, da literatura com l grande. "Somos anões nos ombros de gigantes"? Talvez!)
!

Thursday, February 02, 2012

A civilização


A civilização, já se sabe, é um grupo de criaturas com falta de maneiras. A escola, instituição civilizadora, por excelência, tem-se esforçado, e muito, ultimamente, para contribuir para o progresso civilizacional. Passem à frente de uma escola, e verão os frutos civilizacionais em todo o seu esplendor. Mas passem com precaução: levem pensos rápidos, por exemplo, não vá algum estudante mais esperto (mais vivaz, mais galhofeiro) dar-vos com alguma coisa na tola. É também conveniente não ligar muita importância ao que eles dizem, coitadinhos, porque eles esforçam-se por actualizar de forma assaz empenhada o calão pátrio. Eles próprios são muito calões: estão cansados, desmotivados, a matéria é uma seca, os profs são uma seca, é tudo uma seca. Claro que há muitos professores que são uns desmancha-prazeres, que não são nada porreiros ou baris, como quiserem. E professor que não é baril, vai-se-lhe à tromba e às canelas.
Um professor que quer ensinar e quer silêncio na aula? Isso faz-se? Um professor que não gosta que lhe insultem a progenitora ou o mandem a sítios insalubres? pódji? Depois, os professores são muito mariquinhas, FRÁGEIS, com muitos problemas pessoais, motivo pelo qual, claro, se suicidam. Em Dezembro suicidou-se um, em Janeiro, num período de 15 dias, suicidaram-se duas. Parece que entretanto já houve um outro suicídio. Os alunos sempre atentos, claro, e para enrijecerem os ossos aos professores, ontem espancaram um e mandaram-no para o hospital, de onde sairá, certamente, muito fortalecido e até talvez mais gordo (o que não mata...e coiso...), quiçá!
Estamos a criar MONSTROS! M O N S T R O S!

A minha solidariedade para com o colega agredido!
A minha inveja para com as colegas que já partiram! Que descansem em paz!
Cada um é que sabe o sentido que faz para si levantar-se de manhã e enfrentar o dia!

A minha solidariedade também para com os alunos vítimas destas bestas que são os "seus colegas". Enquanto os pais dos bons alunos não se levantarem para exigir que os seus filhos tenham condições para estarem nas escolas, vamos continuar a criar monstros...e cara alegre!

Friday, January 20, 2012

Etta James - Stormy Weather



Morreu Etta James, a brilhante intérprete de Stormy Weather, canção do filme A Single Man, com Colin Firth. Foi através do filme que fiquei a conhecê-la. E é assim que a morte de alguém desconhecido nos toca, porque está associado a um momento bom da nossa vida: um filme baseado num romance de excepção.

Tuesday, January 10, 2012

Morrer aos 18 anos


Morreu uma aluna da minha escola. De acidente! Terminou para ela a vida. Para a mãe, minha ex-aluna, qualquer coisa termina também. É difícil imaginar o quê, o como.
Rest in peace!

Monday, January 09, 2012

Memória Futura


6 de Janeiro. Ah, k lindo! (apontamentos), estamos tão felizes. Ihihih...coiso, coiso, coiso. Aqui reunidos. Plac, plac. progresso...sonho...realização...e coiso: «apostem na vossa formação...pela vossa saudinha...ó faxavore!». «Muito bem!». Força. Dá-lhe outra que ainda mexe. Tudo muito compostinho e a coisa, ena, ena, tão simpática. Abracinho, abracinho. Beijinho, beijinho. Venham daí esses ossos. Fotografia, por favor: há que registar o momento para a posteridade. Claro! Ora essa. «Aplausos, por favor». Hein? Descobriu-se finalmente a pólvora ou já se chegou à Madeira?» Ambas as duas coisas. E a outra de voz fininha...sorrizinho amarelado mas prazenteiro: iiiiihhhiiiihhhiiiihhhhh. Dê cá um abracinho. Estamos tão felizes. Plac, plac, plac. Atchiiiiimmmmm! Atchimmmmmm! «Santinho». Que horror, aqui neste sítio fechado e apinhado e ainda há gente que se atreve a espirrar! É só germes, chiçaaaa! «Discurso, discurso, discurso!» Não há traseiro! Tudo com o seu fatinho domingueiro apesar de ser só sexta-feira. Olha uma arvorezinha de natal com pernas. Olha uma cascavelzinha com rímel. Olha uma enjoadinha vestida de preto! «Digam cheese!». «Cheeese». «Cheeeese». «Cheeeese». «Olhó passarinho!». «Olá passarinho!». Aterrador vai ser ver a galeria de monstros resultante de tanto queijo e tanta passarada. O que as pessoas gostam de fazer figuras tristes.(ao contrário de mim, claro, enjoadinha e vestida de preto, mas sempre muito dignazinha). Pronto. Foi um momento tão lindo que aqui se viveu!
Triste mesmo é que foi(lindo)! O impulso que nos leva a estar juntos... tristemente...no meio da crise e da falta de esperança...aproveitando o momento do encontro para esquecer o depois ... e o antes.

Wednesday, January 04, 2012

Viver


"Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe.” Oscar Wilde

Assim é! Eu já nem existir consigo...

Sunday, December 25, 2011

Victor Borge- Monti Csardas


Paizinho, a mãe envia-te a tua música preferida. Junta as avós, a tia Maria, o tio Jaime, o tio Bernard e tio Ângelo e divirtam-se. Beijinhos, Belarmina e Lela.

Saturday, December 17, 2011

Sodade!


Morreu Cesária Évora. Para mim, Cesária é Cabo Verde, e Cabo Verde é os melhores amigos que tive na vida. Aquelas pessoas que são verdadeiramente marcantes, que nos empurram para a frente, que nos levantam, nos animam. É pensando neles e em Cabo Verde que desejo a Cesária Évora - à sua voz doce - que descanse em paz!
Saudade!!

Monday, December 05, 2011

Monday, November 28, 2011

Mariza- Oh gente da minha terra



“No fundo, nós somos todos fadistas: do que gostamos é de vinhaça e viola e bordoada.” Eça de Queirós

Tuesday, November 22, 2011

Bocejo


Não eu, claro! E se o faço, é sempre com a mão elegantemente a cobrir a área onde a acção decorre. Aquela triste acção que nos deixa de dentes à mostra e língua encolhida, queixo pontiagudo e olhos cerrados. (Um mal nunca vem só!)
Falo de uns pobres energúmenos, mais especificamente de um que emite bocejos enormes, como rugidos. Volta e meia, lá está ele de boca aberta a expulsar um vendaval estrondoso. É uma coisa feia de ser ver, de se ouvir e creio que, para quem está mais perto, deva ser também péssima de se cheirar. Hoje, a besta rebentou com a sala onde estávamos. A tarde estava uma merda, porque não há tardes junto à besta que não sejam uma merda. E nisto ele começa a abrir a boca num bocejo de dimensões bíblicas. Então, com a trepidação da coisa, as paredes tremeram e o tecto fendeu-se. Alguém o abafou com um casaco, para impedir a ventania trepidante. Impossível. Num momento, sentiu-se a sala a erguer-se no ar e depois a desabar sobre nós.
Aqui estamos, nos escombros da coisa, presos, cobertos de destroços e algum muco misturado com pó. E a besta, a besta nojenta, insaciável, prepara-se, de boca escancarada, para implodir a cidade. Não ficará pedra sobre pedra. Mas a besta ficará. As bestas ficam sempre! Chiçaaa!!

Wednesday, November 02, 2011

A morte


No Domingo fui à missa de corpo presente de um colega meu. Há quanto tempo não saía ao Domingo! Escusado será dizer que ficar em casa é uma medida para me proteger da medonha da humanidade. Finda a missa, ficámos à espera que o caixão fosse transportado para o carro que o levaria ao cemitério. Eu fiquei sozinha num canto do último banco da igreja. Nisto, o caixão passou. Dei-me conta, como se fosse a primeira vez, de que estava ali guardado o corpo de alguém que jamais seria visto. Fui a primeira a sair. Como a minha casa tem vista para a igreja, ainda espreitei o cortejo fúnebre através da janela. Depois pensei, também como se fosse uma revelação, ontem, o H. ainda comeu na sua casa, junto dos seus, hoje já não volta a casa. Hoje, os seus voltarão a casa sem ele, porque ele vai ficar no cemitério com os outros mortos. A morte é, então, essa ausência de tudo. De movimento. De luz. De refeições com a família. De deitar entre os lençóis. Nada de novo, claro. Mas, para mim, foi como se eu não soubesse antes que era assim. Aliás, daquilo que lembro da morte do meu pai, aquilo que custa é o momento em que se sai do cemitério e se deixa lá aquela pessoa que costumava estar em casa. A casa não é lugar para os mortos! Claro que não. Mas para mim foi tudo uma espécie de revelação. A morte é surpreendente. Foi esta a conclusão a que cheguei.
H., descansa em paz, coleguinha querido. O mesmo para a mãe da CF, que morreu ontem.

Friday, October 21, 2011

A morte de Kadafi...


... ou Kafka revisitado. O mundo está mesmo um lugar perigoso, como costumava dizer Vasco Pulido Valente.
Primeiro, Kadafi era um revolucionário, depois era um líder carismático, depois era um louco sanguinário acumulando com o líder carismático, depois, ficou só o louco sanguinário. Depois tornou-se o homem mais procurado da Líbia. Depois, foi encontrado e morto. Agora, já morto, há todo um aparato para saber como morreu, qual a bala que o vitimou, se terá sido espancado, etc. O mundo fica chocado perante a violência da sua morte. Depois da morte, o funeral deverá ser sigiloso, ficando o corpo em sítio incerto. Acabou a história. Espantoso! Se calhar tudo isto faz sentido, mas eu não vejo qual. E, por isso, nem mais uma palavra sobre Kadafi. Prefiro dar uma palavrinha sobre Kafka: a vida tem-me ajudado a compreender o universo das suas histórias. Todos os dias há uma história kafkiana para contar.

Thursday, October 06, 2011

Steve Jobs


Hoje morreu alguém que modificou a forma como vivemos. Morreu uma daquelas raras pessoas que fez algo de verdadeiramente relevante. Uma verdadeira celebridade, num mundo de celebridades instantâneas, de faz de conta. No dia em que se anuncia o Nobel de Literatura, um poeta sueco de 80 anos, um poeta mesmo, à séria, confirmado por quem de direito no mundo literário, anuncia-se a morte ( detesto a palavra desaparecimento!) de Steve Jobs, o génio informático da Apple. Tal faz-me pensar na diferença entre as ciências experimentais e as ciências humanas. Ninguém ousaria fazer-se passar por um informático, um empresário, um comunicador nato, um génio como Steve Jobs. Mas por poeta, por escritor, o que não falta são impostores. No outro dia lia eu, na net, um texto profusamente ilustrado, de um pobre tonto, kitsch até ao tutano, que dizia, comparando-se a Fernando Pessoa, aspirar à eternidade dos seus escritos. Depois, não é qualquer um que produz um computador. Mas qualquer um produz um "poema" e, pior, arranja editora para lho editar e, pior ainda, arranja lojas que se pensavam sérias para lho vender. Isto menoriza as Letras, as Humanidades? Não, na essência. Mas dificulta a afirmação de uma área de excelência como a poesia, a escrita, a Literatura.
Se misturo a morte de Jobs e o Nobel da Literatura, é porque acordei para ouvir as duas notícias em simultâneo e ambas me afectaram. Uma deixou-me triste. A outra deixou-me feliz. Misturo-as aqui, porque não vejo porque separar aquilo que se admira. E eu tenho uma profunda admiração por aqueles que conseguem ser diferentes e únicos num mundo de plágio, imitação, contrafacção, fraude. Por isso, aqui, em simultâneo, envio um abraço ao Nobel da Literatura, por ser grande e verdadeiro e uma flor grande, e algumas lágrimas, a Steve Jobs. Por ser inimitável!!

Friday, September 23, 2011

Lindsey Buckingham - Big Love (live)



Sou fiel às minhas obsessões! Depois de uma noite de terrível insónia, mas também de sonhos intensos, curtos e esparsos, dos quais não guardo memória, mas guardo a sensação do prazer. E novamente LB, novo e menos novo, sempre lindo. E a imagem final: huuuummmm um homem de voz potente e com o seu instrumento... (expirar!)

Lindsey Buckingham "Big Love" Live Acoustic Performance



E agora, o original, versão acústica! De cortar a respiração!! Homem lindo, ainda por cima, faz lembrar o Colin Firth! bizou, bizou!

Sunday, September 18, 2011

Hitmeister D - Looking Out For Love (Official Video)



Lindo, lindo, lindo! De ressuscitar mortos: eu pelo menos ressuscitei!

Thursday, September 15, 2011

Só dos Mortos Devemos Ter Ciúmes


Só dos mortos devemos ter ciúmes; acordar
de entre as pedras doentes dolorosos
que da beira das arribas nos atirem ao porto
onde enfim se encontre a nossa angústia.
Só eles lutam palmo a palmo pelo espaço
em que já vertical erguemos nosso braço
em busca de que sumo ou de que céu. É que só eles
nos retiram da cama de que por nós foi feita
a escolha: a macieza intensa que julgámos
eterna, que nos parecia tão cordatamente
entregue à nossa própria suma sumaúma.
Só os mortos, horror, inda que vivos, vivem
paredes meias com os nossos dedos, logo afastam
os momentos ferozes que tocássemos, e as nuvens
por sobre o mar dos olhos: é bem feito,
dizem os meninos. Pois que dos vivos vivos
a vida nos desvia e nisso nos conduz, assaz
encaminhados pelo que vamos querendo.
Só os mortos nos mordem, nos apontam
a dedo frio e tenso, entorpecem desejos
e, pois pior, só eles nos expulsam
do vero som dos sinos numa entrega
às palavras baldadas do comércio.
A luta clara que sonhada fosse
pela mão dada e limpa que nos dessem
tropeça, polvo, com misérias nossas
e enterra-te na pérfida, agoniada leira
onde dominam eles nossas bocas e o sangue
que nelas perpassasse. Só os mortos,
invisíveis, letais, pesados entes,
nos disputam a vida, e só por fim nos matam.

Pedro Tamen, in "Agora, Estar"

(Lindo!)

Wednesday, September 07, 2011

O Regresso


Voltei, finalmente, de Ulan Bator. Estou, portanto, de regresso à rotina. As reuniões já começaram, todas poderosas, e vão continuar. A escola tornou-se nisto: um sítio onde se fazem reuniões e actividades (!). A indisciplina e o barulho tornaram-se parte da coisa. São problemas menores. A gente habitua-se. A partir de dia 15, à laia dos martelos ambulantes do filme The Wall, os professores dirigir-se-ão às salas e farão o que for humanamente possível. Entretanto, o desemprego alastra e os que não vão ser desacatados no exercício da profissão fazem aqueles que o vão ser sentirem-se ridículos. De que se queixam aqueles que têm trabalho? De nada. Há que fazer silêncio. Faça-se! No Sábado e no Domingo, volto a viajar... para esquecer.

Saturday, August 13, 2011

Vieram de mota?


Há quem diga que as mulheres se vão tornando transparentes com a idade. Isto, obviamente, porque já ninguém olha para elas. E, claro, só somos visíveis quando nos vêem. Há também quem diga que as mulheres maduras (!) não gostam do seu pescoço. Eu não gosto do meu pescoço. Está dito, para memória futura.
Serei uma mulher madura? Uma mulher de 45 anos é uma mulher madura? Uma mulher que depois de fazer 45 anos nunca mais deixa de fazer anualmente 45 anos, é uma mulher madura? Parece que tenho de concluir que já sou uma mulher madura. Hélas!! Um mal nunca vem só, é caso para dizer.Porém, sim, porém, eu sou visível...Ainda não deixei de ser notada pelos cavalheiros com um bom par de olhos na cara. E confesso que não desgosto, ao contrário de antigamente. Já não acho sinal de boçalidade terminal quando algum labrego passa de carro e me grita: "Olha a loiraça boazona". Também não achei parvoíce, quando no outro dia um labrego bateu as palmas para me fazer levantar a cara, para me apreciar. Eu, claro, como até estava à espera de um colega para irmos trabalhar, levantei a cabeça para ver se era ele. Não era. Era, sim, a minha beleza (ih ih) espampanante a despertar a curiosidade da rapaziada de barba rija. Dito isto, há que salientar o facto dos mocinhos estarem a uma confortável distância da minha pessoa, não podendo, por isso, apreciar a mercadoria de mais perto. Mas, oiçam, também há quem me tenha visto de muito perto, perturbadoramente perto e tenha dito pausadamente à minha passagem: ma ra vi lho sa!! Eu até olhei em redor, para ver se estava ali mais alguém. Juro que é verdade. Não sonhei. Hoje, porém, foram batidos todos os recordes no que toca à parência, à idade e à visibilidade de senhoras maduras. Atentem!
Eu e a minha colega e grande amiga, mais velha que eu, fomos a uma florista comprar uma coroa de flores. O senhor atendeu-nos, disse que levava as flores para o velório, depois falámos de doenças, concluímos que os nossos pais tinham todos morrido com a mesma doença e, no fim, diz-nos ele: "Vieram de mota?" Eu olhei para a minha colega, ela olhou para mim (ambas estávamos com cara de enterro), depois olhámos ambas para o senhor, para ver se ele estava a dizer uma graça, até que ele apontou para o sítio onde nós tínhamos estado à espera dele e vimos uma mota. Pois bem, ele pensava que aquele fosse o nosso transporte. Nós rimos, e o senhor disse: "Então, podiam bem ter vindo de mota, qual é o problema?" Problema nenhum, claro, eu e a minha colega, as duas velhas "charras", a acelerar de mota e capacete nos queixos pelas ruas da Covilhã. Invisíveis, nós?? No way!

Tuesday, July 26, 2011

Flores para Amy


O Zizi pediu para eu pôr flores para o seu amor: Amy Winehouse. Eu ponho, em seu nome e no meu. Amyyyyyyyyyy!? Estas flores são tuas.

Morreu Amy Winehouse


Morreu. De quê? Que interessa. Chegou o seu dia. E ela, pelos vistos, pressentiu-o. É linda a canção em que ela deambula por um cemitério. Teve uma vida curta, intensa, com sucesso, com o outro lado do sucesso, também. Fez a sua vontade. Teve o seu amor: Blake. E deixou canções lindas, com aquela voz belíssima que ela tem...

Monday, July 18, 2011

My Precious!!




Eu tenho estado já há séculos sentada a ver portfolios. Temo até pelo calejamento irreversível da minha parte traseira. Para me fazer companhia, tenho o Senhor dos Anéis em modo muda o disco (compacto) e toca o mesmo. Os dia têm sido aborrecidos (íssimos) e sem novidade, fora os trabalhos que me caem no correio electrónico. Hoje porém, deu-se um happening no meu quotidiano monótono, fastidioso e calejante de partes sensíveis do meu ser. Estava eu muito bem, trep trep trep no computador, quando entra um insecto desembestado e em excesso de velocidade, passando-me uma tangente perturbadora. E nisto ouvi “tumba”: o bicho tinha batido com os cornos numa parede (huuummmm, ando um tanto grosseirota). Depois ouvi “pumba”: o bicho tinha caído de costas no chão, ainda com uma patita ou duas a dar e dar. Não que eu tenho visto, só ouvi e imaginei o fim da história. O cadáver aliás está algures na minha casa em parte incerta. Voltando atrás, no momento em que oiço “pumba”, oiço também o Gollum no filme a dizer de forma arrastada: mmmmyyyyy preciouuussss. E achei giro. Embrutecida, de tanta actividade cerebral, não me ocorreu mais nada senão dizer três vezes: Gollum, Gollum, Gollum. E voltei às correcções.

Wednesday, July 06, 2011

Maria José Nogueira Pinto


Cheguei a casa, liguei o rádio, a TSF, para ancher a minha casa das vozes boas do costume, aquelas que me fazem companhia, e oiço a notícia da sua morte. Não sabia que estava doente. Tinha-a visto há pouco tempo na televisão. Estava debilitada? Eu não notei. Vi-a, como sempre, segura e senhora de si. Fiquei triste. Estava habituada a sabê-la viva e queria que assim continuasse. Queria manter o meu mundo de rostos e de vozes, o meu mundo virtual, aquele que é mais real e me conforta, queria mantê-lo, dizia, intacto.
Tudo vai desaparecendo...até as emoções. Descanse em paz!

Tuesday, June 28, 2011

O Angélico morreu


Horário do Fim

Morre-se nada
Quando chega a vez

É só um solavanco na estrada
Por onde já não vamos

Morre-se tudo
Quando não é o justo momento

E não é nunca
Esse momento

Mia Couto

( em: http://www.citador.pt/poemas.php?op=10&refid=200811100105)

Não era esse momento...!

Thursday, June 23, 2011

A Vida


A minha vida passa cheia de coisas que desacontecem.

Tuesday, June 07, 2011

Poema


meu amor

flor tenebrosa

aqui ficam os nossos medos

descritos a quem descria

hoje não te trago as tuas flores

venho só

Fafe, Educação do meu Umbigo

Nota: Que alívio ter encontrado este poema de palavras simples, ideias límpidas, com um início tenso, um final feliz: "venho só". Não há como estar só. Isso mesmo procurava eu, algo que me afastasse do pesadelo trágico e cómico anterior (do riso, etc.). Com este poema dou um passo em frente. Para trás fica o sonho mau, que para mim, que sou viciada em sonhos, significa um sonho em que aparecem, ainda que desfiguradamente, as pessoas reais, tangíveis, que me magoam.
!

Thursday, May 12, 2011

Poema do Fafe


por isso
partiste
porque nada ouvias e na tua face
a noite crescia quando partiste
viajava aos
meus olhos uma catedral imensa
rumorosa e confusa das manhãs claras
reparava em
todos os sons
e havia sons que eram escadas
outros que pareciam luzes
e alguns que ainda não eram sons quando partiste
todos
edificaram a noite
que ficou uma catedral de silêncio
sem escadas nem luzes
nem faces que nos meus olhos viajassem
quando partiste

Fafe (Educação do meu Umbigo)
!

Thursday, May 05, 2011

A Oeste Nada de Novo


Ontem percorri um caminho curioso. Por onde quer que olhasse, havia peles de cobra ocas. Como sou uma mulher do campo, soube logo que uma família de víboras tinha passado no local para a mudança de pele. Mas uma delas deixou também os olhos: negros, maquilhados, malévolos, sinistros. E eu, que nem costumava desgostar de cobras, agora odeio-as, mas apenas às que têm olhos negros, maquilhados, sinitros e enganadores. Porém... pensando melhor...nada de novo!

Sunday, April 03, 2011

A Noite Passada


Foi uma bela noite, a que passou. Todas as noites são belas. Mas a noite passada, embora bela, não me trouxe ninguém. Ninguém veio assombrá-la. Tornarei a ver a senhora alta e velha - era velha, eu podia vê-lo, apesar da escuridão - coberta de rendas negras, parada em frente à minha cama, como uma estátua, segurando nas mãos um ramo de flores brancas, resplandescentes? Que saudades dela e das suas flores nocturnas e irreais.
Há dias, ou melhor, há noites, vagueava eu por uma cidade decadente, quando me deparei, por três vezes, com um cortejo de oito mulheres, umas altas, outras baixas, todas vestidas de preto, com a cabeça coberta por véus espessos. Lá iam como estátuas, fazendo silêncio, interrompendo o meu deambular pela cidade velha, decrépita e decadente. Depois de desaparecerem, procurei-as, em correrias imensas, pisando lama e cacos velhos. Em vão. Não tornei a vê-las. Depois veio o dia e, como se sabe, é impossível encontrar o que quer que seja de belo e inesperado de dia. O dia horrível, impertinente e feio. Espero pelas noites passadas, presentes e futuras. Porque, como já referi, todas as noites são belas!

( A fotografia é minha, não a roubei da net)

Saturday, March 26, 2011

The Walking Dead


« A solidão é essa morte imensa
onde os mortos não cessam de viver»

Echevarria qualquer coisa, sorry, "O Livro dos Mortos"
!

The Walking Dead: a utopia de um mundo distópico



Esta foi a melhor série televisiva que me lembro de ver. E a melhor obra sobre zombies, ou mortos vivos, ou "mortos que caminham". Mas isto deve-se, talvez, ao facto de eu não ver nestas personagens algo do mundo da ficção. Pelo contrário: assim somos nós, ou eu, pessoas mortas que deambulam às ordens de quem manda e cujo único sinal de "vida" é o instinto de sobreviência que nos leva, como the walking dead, a procurar alimento. Pois se estamos mortos, paralisados por um mundo dito democrático, mas que nos quer inertes e passivos, pois se temos as capacidades de raciocínio, mentais, anestesiadas, que podemos fazer senão comer, comer como animais, andar e comer para nos agarrarmos à vida, porque a morte é tabu. Verdade: a morte é um tabu absurdo. Não nos deixam viver, mas não nos deixam morrer: suicídio? É uma coisa proscrita! Eutanásia? Proscrita! Há que viver, viver sempre...apesar do desprezo com que nos tratam, os senhores que mandam no mundo! Nunca viram "mortos a caminhar"? É certamente porque não se viram ao espelho. É certamente porque não olham para os outros. É certamente porque não se perguntam porque é que para um país estar rico, as pessoas têm de estar pobres. É certamente porque não se questionam sobre os paradigmas económicos que se bastam a si próprios, não servindo as pessoas (ou só algumas), mas servindo-se delas. Exemplos de mortos que caminham?
- os pobres
- os miseráveis
- os que não têm abrigo
- os que procuram emprego
- os que frequentam as escolas para de lá sairem embrutecidos e ignorantes
- os bodes expiatórios
- os privilegiados(= têm emprego, ainda)que são submetidos a avaliações insanas, para se darem conta da sua menoridade
- os que vivem em barracas
- os boçais
- os lambe-botas
- os paus mandados
- os que "apenas" obedecem a ordens
- etc.

Voltando à série. Houve quem dissesse que não tinha gostado do fim, porque não se sabia o que acontecia. Claro que não se sabia, mas é possível saber-se e nem é um exercício muito difícil. Primeiro, não há apenas um fim em aberto, tudo na série fica em aberto, no que toca aos humanos: o homem e o filho que ajudam o xerife, morreram? O racista que ficou algemado a uma barra de ferro, morreu? O infectado pala doença dos mortos que caminham, deixado sozinho, a seu pedido, morreu? E os mortos vivos, será que vão viver, ou caminhar para sempre? Mesmo quando se lhes acabarem os vivos, seu alimento? Bem. Certo é que a ciência falha: morre o cientista e explode o centro de pesquisas avançadas. Os sistemas de comunicação falham, os rádios, os telemóveis ficam sem rede. Os carros amontoam-se sem combustível. Ou seja, não se procure na tecnologia e na ciência resposta para os problemas da humanidade: pois se a ciência não conseguiu sequer evitar a eclosão da doença dos mortos vivos!! O que sobra, neste mundo distópico? Mortos ambulantes, cidades arrasadas, paralisia e um grupo de vivos aparentemente, mas só aparentemente, repito, unidos, que tenta escapar ao caos a bordo de uma camioneta cujo depósito de gasolina não é ilimitado. É um final infeliz? Triste? Negativo? Não, pelo contrário. A série termina, acho eu, com uma bela utopia: um punhado de humanos, com contas para acertar, fugindo numa camioneta frágil, pelo meio de uma cidade destruída e perseguidos por mortos que só querem comê-los. Não é lindo?
!

Saturday, March 12, 2011

Japão


Faz pensar. Põe as coisas em perspectiva. Faz-me sentir mesquinha. Sem palavras.

Sessenta segundos de silêncio pela catástrofe no Japão.

(............................................................)
!
!

Thursday, March 10, 2011

O regresso de Ulan Bator


Regressei ontem, ou hoje, não sei. O tempo altera-se sempre que venho de Ulan Bator. O tempo cronológico e o outro. Em Ulan Bator o tempo é ausência de horas e neve. Fiquei estacionada numa daquelas casas redondas, sujas, apreciando tudo, a beleza, e bebendo chá temperado com banha oxidada. Invadida de frio até à alma. A alma aliás ficou por lá, à minha espera. À espera da próxima viagem, da próxima fuga. Saudade! Saudade de andar pela montanha, sozinha, mas com a minha alma, apreciando a paisagem, o frio, a sujidade, a pobreza, o eco dos meninos do esgoto, a beleza de pesadelo em Ulan Bator.

Saturday, February 19, 2011

Eco


Acabou o dia, cheio de ecos...! Tive de voltar a ligar o computador. Preparar um chá, bolo. Aquietar-me. Tapar os ouvidos. Voltar à minha noite linda e calma. Sem vozes. Sem nada. Duas da manhã. Se o sono for bom para mim, vai deixar-me acordada dentro de um sonho lindo.

Monday, February 14, 2011

Monotonia



Olho em redor e vejo viciados em monotonia, em fotocópia, burocracia. Os viciados no mesmo. Pessoas que apenas seguem pelo caminho já aberto, sinalizado...pateado. Pessoas medrosas de ousar, que olham em redor e fazem a coisa segura, repetida, copiada: extensa. É um batalhão de monótonos de cabelo branco e barriga obesa...até ao vómito.
Salva-me o sonho...nocturno: magnífico! Ontem subi uma montanha de casas - o morro. Lá fui, sempre a subir e a cruzar-me com homens maus, muito altos, de músculos fortes. E eu sempre a subir, pelo meio dos homens maus e dos prédios altos de formas e cores diferentes. Havia uma casa revestida de pêlo longo, permanentemente excitado pelo vento. Tudo cores, subida, casas alucinantes, homens maus com muitos músculos e eu só a olhar e a encher-me de felicidade e excitação. A subida terminou, noite dentro e noite escura, lá bem no alto, com uma feira e carrosséis à beira mar. Terminou numa paisagem de luzes reflectidas nas ondas a espumar na praia: por todo o lado era roupa, mobiliário, bolos, anéis, pernas de frango assado, rissóis, perfumes, maçãs, laranjas, cadeiras de palha, queijos, feirantes transpirados (que eu já conhecia de outros sonhos)e carrosséis de alta tecnologia, enormes, monstruosos, emitindo ruídos mecânicos muito acima do barulho das ondas do mar!
A minha monotonia são os sonhos nocturnos...com muita cor e muito mar...!

imagem: https://www.facebook.com/photo/?fbid=825793139725970&set=a.336597598645529, consultado em 20 de setembro, 2024

Wednesday, February 02, 2011

Requiem...!


Cá estou eu...que exacro manifestações, a dar a cara (enfim, é a que tenho) contra o sistema de avaliação BUROCRÁTICO, moroso, feito por pares, ou seja, fomentador de um péssimo anbiente entre colegas. A escola morreu! O professor que pensa por si próprio agoniza! Mas crescem aqueles que se agarram a minúsculas migalhas de poder! Razão tinham os intelectuais do fim do século XIX. Quem os leu não se surpreende com o que está a acontecer...mas nem por isso deixa de sofrer!