Sunday, January 14, 2007

Outros poemas


Primeiro quero dizer que a imagem que incluí no outro dia, foi tirada de um site brasileiro, Spectrum.
Há poemas de amor e há outros poemas. Não conheço muitos poetas que escrevam sobre os mortos, embora conheça alguns que escrevam sobre a morte. A morte na poesia é uma coisa banal. Há a ideia de ligar o amor, o acto físico do amor à morte. Não o compreendo, mas faço de conta que sim. Claro que sim! Amor e morte têm tudo a ver, digo eu. Mas penso, o amor só tem a ver com a morte se quisermos falar da vontade que temos de morrer, quando algum amor acaba, embora continue intacto no nosso coração. Aí o amor é morte ou vontade de morrer, de não ser, de desistir, de "dexistir".
Mas falo de mortos, do livro de poesia de Fernando Echevarría. Comprei-o devido ao seguinte verso: "A solidão é essa morte imensa/ onde os mortos não cessam de viver". Li este verso numa crítica ao livro. Por isso, aqui deixo mais uns versos, para que aqueles que como eu têm na morte uma referência da sua vida possam saber que este livro existe e é simplesmente belo.

O corpo dos defuntos é enigmático:
não tem além de si nem dentro.
Nada se lê no seu volume. O pacto
substante que sustenta o pensamento
cedeu lugar a um vácuo
a dar somente para estar cedendo.
O corpo dos defuntos é enigmático
porque o enigma, nele, perdeu seu peso.

ECHEVARRÍA, Fernando, Sobre os Mortos, Porto, Afrontamento, 1991, p.63